segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

FELIPE TIAGO GOMES - ENTREVISTA VIRTUAL


APRESENTAÇÃO
Poucas pessoas sabem quem foi FELIPE TIAGO GOMES (1921 -1996), por isso são necessárias algumas palavras para reativar a memória e a gratidão do povo brasileiro. Bastaria uma só palavra e diria tudo:

EDUCADOR!!!
Um menino pobre, nascido na região rural do município de Picuí, Paraíba, alfabetizado pela sua irmã Francisca, levantou uma bandeira para proporcionar educação ao estudante pobre, onde quer que ele estivesse. Fácil? Um sonho, uma utopia, uma frustração antecipada. Nada disso. Conclamou alguns colegas da Faculdade de Direito em Recife, Pernambuco, em 1943, e montou uma escola, para os seus primeiros alunos pobres. Eles tornaram-se professores. Onde seria essa escola? No fundo de um armazém? Os alunos assistiam às aulas de pé ou sentados no chão. Depois, em caixotes velhos. Daí surgiu o primeiro ginásio para o estudante pobre: Ginásio Castro Alves. E o Ginásio Castro Alves abarcou o Brasil inteiro, em febre, em epidemia de cultura e educação. Centenas de ginásios em locais pobres, simples e pobres, como o próprios alunos pela força das comunidades. Assim surgiu a maior rede de ensino deste país – Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC. Desconhecida do grande público. Desconhecido o professor Felipe Tiago Gomes. Criador de centenas e centenas de ginásios, formando milhares e milhares de alunos gratuitamente. Repetindo: gratuitamente. Professores em centenas de milhares, tão pobres e dignos como os seus alunos e o seu grande mentor.
Uma bandeira, uma meta inviolável: educação para o estudante pobre.
FELIPE TIAGO GOMES!!!  
Referência internacional.
O Brasil reverencia seu destino e o abençoa, onde quer que esteja.


Entrevistador
Bom dia, professor Felipe! Hoje é domingo, dia de descanso, dia de festas e de passeios e o senhor ainda revirando papéis na mesa de trabalho?
Felipe Tiago Gomes
Olá! Os dias da semana são iguais em horas e minutos. Nesses domingos ensolarados costumo sempre passear pelo pensamento, viajando no tempo e no espaço, percorrendo obras realizadas e imaginando tantas pessoas em progresso na vida.
E
O senhor não perde a oportunidade de colher um sorriso de vitória dos seus estudantes!
FTG
Esta é a mais pura verdade. Revejo este sonho meio quixotesco de ajudar o estudante pobre, onde quer que ele estiver.
E
Quixotesco?
FTG
Sim, isso mesmo! Tantas pessoas tiveram pena de mim, quando eu tentava ajudar pessoas que não tinham recursos para crescer na vida, desenvolver-se, instruir-se.
E
E o que o senhor tinha com isso?
FTG
Nada e tudo! Talvez mirasse em mim mesmo. Um pobretão, filho de pobretão que quis inventar alcançar o caminho de uma vida melhor. Meus pais sofreram comigo, com minhas ideias, com o meu desconforto cultural, com a minha inconformidade com a própria vida rural pobre. Tinha que fazer alguma coisa. Eu me sentiria inconformado e envergonhado, se não lutasse com obstinação.
E
Professor! Vergonha de ser pobre?
FTG
Vergonha de permanecer na pobreza, do nascimento à morte. Tinha, sim. Meus pais se assustaram comigo. Minha irmã Francisca me ensinou a ler e a escrever. Ela tinha conseguido estudar e sabia muitas coisas além de plantar, capinar, colher e sofrer. Percebi que havia no mundo tantas outras coisas que eu poderia alcançar, se quisesse.
E
Que coisas?
FTG
Tantas coisas desconhecidas para mim, para o meu povo. A vida girava em torno da terra onde nasci, onde nasceram meus pais e meus avós. Eu e meus irmãos e minhas irmãs iríamos fechar o círculo de adubo dessa mesma terra, este pedaço de terra de Picuí, no estado da Paraíba. Já ouviu falar desse lugar? Tão pequeno e escondido que ninguém sabe onde fica.
E
Queria fugir do trabalho da enxada e do sol a sol?
FTG
Poderia ter continuado o trabalho dos meus pais e avós, como disse. Antevi que havia outros caminhos. Sentia tristeza, sim, pelo sofrimento e pobreza da minha família toda. Tinha que fazer alguma coisa. Tinha que ir em frente, buscar outras frentes, enfrentar os paredões que limitam a pobreza.
E
Disse que seus pais ficaram assustados?
FTG
Assustados e humilhados por não terem condições de alimentar os meus ideais de instrução. Simplesmente de instrução. Nem isso. Tive que receber ajuda de tantas pessoas que viram em mim uma possibilidade de crescer na vida, de ser um brasileiro ousado, ou simplesmente, de ser um brasileiro instruído.
E
Não era muita pretensão de sua parte querer continuar os estudos quando a maioria da população de sua terra entrava direto para o trabalho?
FTG
Talvez fosse mesmo. Mas eu não dei ouvido às vozes da derrota e do descaminho. Fui em frente com o peito aberto. Aceitei de bom grado ajuda e colaboração. Acreditaram em mim. Ajudaram na minha formação. Sou grato a todos e não posso citar nomes. A população de Picuí acreditou em mim e eu não podia mais voltar atrás.
E
Seguiu em frente?
FTG
Segui em frente sem olhar para trás. Despedi dos meus pais com lágrimas. Minhas e deles. Fui para Campina Grande tentar o curso ginasial. Não podia regressar sem resultados para mostrar e demonstrar. E mais alguém teve pena de mim. Coitado! Tanto esforço, tanta aspiração impossível! Tudo longe, tudo difícil, tudo intransponível. Antes, eu queria ser agrônomo. Depois, mudei de ideia e queria ir para Recife, estudar direito.
E
Muita pretensão e ousadia? Isso era um sonho de pleno romantismo?
FTG
Parece que era mesmo um sonho romântico. Mas eu fui lá e venci. Ingressei na Faculdade de Direito de Recife no ano de 1944. Eu estava nessa época com 23 anos de idade, pois nasci no dia 1º.de maio de 1921.
E
Não vou perguntar como esse milagre aconteceu. Mas foi um milagre?
FTG
Pode ter sido um milagre mesmo. Entretanto, podem imaginar que as minhas dificuldades eram menores do que a minha obstinação. E fiz de tudo nessa faculdade. Cheguei a ser presidente do Diretório Central dos Estudantes de Recife. Tantos companheiros, tantos amigos. Respeito e fidelidade. Agradeço a tantas as pessoas que me ajudaram. Claro que sem essa ajuda eu seria apenas um estudante pobre, infeliz e frustrado.
E
Estudante pobre?
FTG
Claro que eu era um estudante pobre! Podia ser diferente? Assumo a minha condição de estudante pobre, mas nunca perdi o ideal de também ajudar esses estudantes pobres do Brasil inteiro. Minha utopia. Podem pensar isso agora. Tantos e tantos estudantes pobres do Brasil se perdem nos paredões da vida. Pensei que eu tinha o dever de assumir um trabalho de restituição do que eu tinha recebido de tantas pessoas. Imaginei me colocar a serviço dos jovens pobres que estavam a meu redor. Via neles a minha figura mirrada e triste dos tempos que vivi na minha terra. Vou fazer alguma coisa por eles.
E
Alguma coisa por eles?
FTG
Alguma coisa. Alguma coisa de imediato. O tempo passa depressa, como disse. Os dias da semana são iguais. Só muda a nomenclatura. Por isso, conclamei alguns colegas da Faculdade de Direito. Alguns me olharam de lado, vendo que o poder público era o responsável pela pobreza e pela infelicidade do povo. Assim, mesmo assim, eu e uns cinco colegas nos tornamos professores. Sem concurso, sem salário, sem escola. Reunimos quase cem pré-estudantes e no fundo de um armazém, cedido pelo proprietário, iniciamos o nosso primeiro curso.
E
Curso gratuito? Também não havia muita coisa a oferecer aos candidatos!
FTG
Nem cadeiras para eles se sentarem. Os novos alunos assistiam às nossas aulas de pé. Ou sentados no chão. O proprietário do armazém se emocionou e arranjou caixotes velhos para alguns. Nós éramos professores de tudo. Vamos começar. Nada de ficar pensando em esperar as melhores condições. Nosso lema era ensinar agora mesmo. Nosso colégio se chamaria Castro Alves e iríamos oferecer ensinamentos à mão cheia. O poeta dos pobres escravos. Castro Alves tinha uma bandeira. Depois, vimos que Victor Raul Haya de La Torre, (1895 – 1979) tinha fundado a Universidade Popular no Peru, em 1912. Então, vamos começar também.
E
Sem nenhum planejamento?
FTG
Os estudantes não podiam esperar. O tempo é agora. Começamos a riscar as principais metas. O objetivo era o maior possível. Quando me referi a dom Quixote, imaginei mesmo que éramos visionários. Todos os amigos e colegas queriam bons empregos e bons salários. Nós estávamos perdendo tempo com pessoas sem eira nem beira. Que poderíamos esperar disso tudo? Vi tanto agradecimento e tanta alegria nos sorrisos desses alunos que me impulsionaram para o grande desafio: criar uma rede de ensino do estudante pobre. Sonhei fazer funcionar no Brasil uma rede de escolas comunitárias para levar a educação, sobretudo para estudantes pobres – tantas famílias com o eterno dilema de falta de recursos para formar seus filhos.
E
Era o garoto de Picuí querendo abraçar o mundo?
FTG
Mais do que isso. Agora, mais de meio século passado depois desse projeto imaginário, vislumbro a trajetória da minha vida com alegria imensa por ter tido a colaboração de tantos professores que trabalharam sem visar remuneração e com o apoio irrestrito do poder público. Vislumbro ainda o sorriso de agradecimento de tantos milhares de alunos, felizes por poderem subir na vida.
E
O senhor passou da teoria à prática num processo imediato?
FTG
Desculpe-me discordar no detalhe dessa informação. Passamos da prática para a teoria. O processo inverso de toda a temática pedagógica. Lembro-me que perguntaram a Dom Bosco como ele ensinava as crianças a nadar. E ele respondeu: “primeiro, jogo elas na água, depois vem técnica.”
E
Esse ginásio Castro Alves foi a “celula mater”?
FTG
Realmente! Com um pulo gigantesco, implantamos a Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC, que se espalhou pelo Brasil como febre de cultura e educação. De Uruguaiana no estado do Rio Grande do Sul ao estado do Acre alguma cidade, por menor que fosse, teve a ousadia de implantar um ginásio gratuito, pela força da sua comunidade, pela força, pela vontade e pela sede do seu povo. Não vou citar números, nossa conversa não é um relatório. Centenas e centenas de ginásios gratuitos, centenas e centenas de professores abnegados, e milhares e milhares de alunos formados e preparados para a vida e para o sucesso pessoal. Como medir isso em números?
E
A CNEC é fruto de experiências e crescimento.
FTC
Isso é verdade. Não nascemos grandes e perfeitos. Antes, iniciamos um curso no fundo de um armazém. A meta era implantar Campanha do Ginasiano Pobre. Com a força do trabalho e com o sucesso dos empreendimentos, expandimos nossas pretensões para Campanha Nacional de Educandários Gratuitos - CNEG. Mais tarde, assumimos compromisso maiores e nos transformamos em Campanha Nacional de Escolas da Comunidade - CNEC. A meta inicial proposta era inviolável – o estudante pobre, ensino gratuito aberto a todos.
E
Nessa época era difícil uma pessoa matricular-se num ginásio?
FTG
Difícil demais até mesmo para famílias abastadas. Não era qualquer cidade que tinha um ginásio. O Brasil é um território grande. As comunicações precárias. O sistema de transporte mais precário ainda. A burocracia escolar exigia muitos documentos comprobatórios de escolaridade. E havia ainda um pequeno vestibular para se entrar num ginásio. O tal exame de admissão. Provas escritas e provas orais. Uma barreira. Exigia preparação e a reprovação era constante. Além disso, os pobres estão em todos os lugares. Principalmente em cidades que nem pensavam que um dia pudessem ter um ginásio. Ginásio era um sonho para poucos.
E
E os educandários das missões religiosas?
FTG
Foram fundados nas maiores cidades. Recebiam boas contribuições dos poderes públicos e prestavam um bom serviço. Serviço de alta qualidade. Mesmo assim, a meta era mais diversificada do que a nossa. Exigiam também retorno financeiro. Não era o nosso caso. Nossa meta, em certo ponto, contradizia cobrança de quem quer que fosse. Ensino gratuito era a nossa base de pensamento e ação. Uma meta simples e definitiva: educação para o estudante pobre onde quer que ele estivesse.
E
Mas o senhor parece um pregador religioso. Um missionário?
FTG
Nossa meta não envolvia religião, política ou qualquer segmento assemelhado. Volto a repetir, obsessivamente, nossa meta era o estudante pobre. Nunca tive vocação para padre. Missionário? Pregador? Vejo que afinal tinha uma missão a cumprir. E ela foi pesando cada vez mais sobre os meus ombros.
E
E o poder público?
FTG
Desde o nascedouro, a CNEC é mantida pela comunidade e é ela quem custeia as despesas com pessoal administrativo e de manutenção, com a ajuda do poder público. Nunca visamos lucro. Tirar recursos de quem tem pouco? Uma covardia. E nada de interesses pessoais. Esta a filosofia da vida da nossa entidade, desde a sua origem.
E
Houve dificuldades e barreiras pela frente?
FTG
Dificuldade era palavra do dia a dia. Tempestades, mas depois, bons ventos. Por várias vezes estive a ponto de fechar a CNEC. Vem a força da comunidade em contrapartida e o barco avança. Esta é a vida de qualquer organização.
E
Algum envolvimento político?
FTG
Nenhum. Mesmo assim, em 1968 eu fui preso por me julgarem comunista. Cuidar de escolas para pobres era coisa de comunista? Estive na alça de mira porque os órgãos de repressão dessa época achavam que eu possuía os arquivos da União Nacional dos Estudantes – UNE. Sofri pressão de militares para delatar professores da rede cenecista. Intervenção decretada no AI-5 – Ato Institucional. O governo não acreditava nesse projeto de estudante pobre e a própria rede privada nos encarava como concorrentes.
E
Hoje o senhor é o Superintendente Nacional da CNEC?
FTG
Como um operário, faço questão de participar e estar presente a todas as realizações e fui designado Superintendente Nacional, mesmo sem ter me afastado da nossa entidade nem um dia sequer da minha vida. Muito me honra. Fui membro do Conselho Federal da Educação e, como seria natural, lutei muito para atingir metas maiores dentro dos nossos princípios e valores. Nunca me afastei deles. Sempre tinha em mente a visão de tantos moços que estão também prejudicando a saúde pela deficiência alimentar para arcar com despesas de matrícula e mensalidades das escolas particulares. E o preço dos livros didáticos? As editoras se ligam em lucros imediatos. Nunca se preocuparam com a clientela. Não querem nem saber se o aluno dispõe de dinheiro para a compra de livros. A técnica editorial faz o livro usado um ano ser descartado. Livros descartados com objetivo de lucro.
E
A CNEC tem similar no Brasil?
FTG
Em 1948, no governo de general Eurico Gaspar Dutra, foi implantada a Campanha de Alfabetização de Adultos, com altos recursos financeiros. Por que não empregar mais recursos na alfabetização de crianças? Chegarão adultos alfabetizados. Tudo tem seu mérito. Hoje, além de tudo, temos uma universidade livresca. Professores sem ânimo de dar aulas. Primeiro o status, depois a inoperância. Assim, concluindo, nossa campanha não tem similar, sobretudo na dedicação e participação. Se éramos pobres, havia gente mais pobres do que nós. Alguma coisa podia ser feita. Conclamei os colegas para uma campanha de ginásios gratuitos. No final da 2ª. Grande Guerra (1939 – 1945), o povo estava em furor de patriotismo. Nosso lema vingou.
E
E as autoridades ou burocratas do ensino do Ministério da Educação acreditavam nessas propostas fantasiosas?
FTG
Em princípio, suspeitaram veementemente. Cheguei a passar um mês inteiro no Rio de Janeiro, onde estava o Ministério da Educação, procurando autorização para funcionamento legal do nosso Ginásio Castro Alves. Sem recursos, sobrevivi. Acredita? Depois, fomos ressarcidos de nossas despesas. Fundar um ginásio era tarefa de gigantes, na burocracia oficial. Papelada, documentos, etc. Aprovação disso, aprovação daquilo. Dava a impressão de que faziam de tudo para evitar a autorização de funcionamento de uma escola qualquer. Rigor excessivo. Fiscalização constante, como se fôssemos transgressores.
E
A CNEC obteve credenciamentos especiais para a implantação de ginasios pelo Brasil afora?
FTG
A nossa credibilidade foi arrancada pelo trabalho e pela demonstração desse trabalho realizado. Os prefeitos e as comunidades festejavam a nossa chegada à cidade. Um desses prefeitos, numa ocasião, chegou a decretar feriado municipal, o dia da inauguração do ginásio na cidade. Festas contínuas de agradecimentos. Até fogos! O Ministério da Educação acabou se curvando, por assim dizer, às nossas metas e à austeridade dos nossos empreendimentos. Ver para crer.
E
O Ministério da Educação mudou de procedimentos com relação à CNEC?
FTG
Tivemos apoio irrestrito do Ministério da Educação. Acrescento ainda que no governo do presidente Itamar Franco tivemos como ministro o professor Murilo Avellar Hingel, ex-professor de um dos ginásios gratuitos de Juiz de Fora. Foi professor e ex-diretor do ginásio. Um aliado de peito aberto.
E
E o senhor chegou a ser prefeito de Picuí?
FTG
Realmente fui designado prefeito da minha terra e mesmo durante o tempo de estudante em Recife. Fiquei prefeito por nove meses. Foi mais uma homenagem dos meus amigos da cidade natal. Uma homenagem mas, mesmo assim, esperavam que eu pudesse fazer alguma coisa por aquele povo. Mais tarde, com apoio e com a filosofia da CNEC o povo de Picuí se arregimentou e a comunidade construiu ginásio, hospital, praças de esportes e outras coisas mais.
E
O povo brasileiro reverencia e reconhece o seu trabalho.
FTG
Não posso citar nomes de pessoas que estiveram a meu lado nessa Campanha de Escolas da Comunidade. Tantos escreveram textos sobre a Campanha e já houve teses de mestrado sobre a nossa meta inviolável, como já me referi.
E
Tornou-se a CNEC a maior rede de ensino do país. Como dimensionar essa Campanha que se estendeu como epidemia transmissível?
FTG
Não ouso contestar. Parece mesmo que é uma epidemia a sede de educação nacional. Os tempos mudam e mudam-se as vontades, mas a educação é fundamental. O ser humano sobreviveu na natureza pelo poder intelectual principalmente. Crescer e aprender faz parte da vida e assim a educação se adapta às realidades contingenciais.
E
Alguns ginásios foram encampados pelo poder público. Mutilaram a CNEC?
FTG
Vejo isso de uma forma de crescimento e adaptação. Nosso objetivo está fortalecido por ensino gratuito. Quiseram nos acompanhar? Sejam bem-vindos. O nosso lema e a nossa meta persistem no ideário do ensino gratuito para quem quer que seja. Assim, agregaram-se a nós. Ninguém segura a força do progresso. Sou um cidadão de Picuí, mas não fico parado no tempo. Em frente. Despedi-me da vida no ano de 1996, mas não me afasto um momento sequer do meu rebanho, em pleno pastoreio.
E
Agradeço as suas palavras de construção e dignidade. Uma mensagem?
FTG
Que poderia dizer? Sou um simples homem do sertão e hoje o país tem horizontes mais amplos. Eu posso dirigir meus olhos, cheios de lágrimas, para tantos professores que se juntaram e essa tarefa de ajudar os estudantes pobres. Pobres são também esses professores do ensino fundamental. Todos pobres, incompreendidos e injustiçados. Injustiçados pelo poder público que não enxerga que, com eles, está a alavanca do desenvolvimento. Colocam esses professores debaixo das mais baixas camadas de remuneração e reconhecimento. Estudantes pobres foi a minha campanha em vida. Hoje, a campanha será em favor do professor pobre. Uma Campanha Nacional do Professor Pobre. CNPP.



COMPLEMENTO
MEMÓRIA ATIVA DO CNEG E DA CNEC

Escrita pelo professor Jenner Procópio de Alvarenga
(1926 – 2010)


Foi inaugurado, em janeiro de 1957, o ginásio da CNEC – Francisco Badaró – em Itamarandiba, estado de Minas Gerais, que já estava em funcionamento desde o ano anterior. Festa de inauguração oficial.Foi um sonho de muitas noites do nosso caríssimo amigo, colega e companheiro cenecista, professor Raymundo Nonato Fernandes, que já era um dos pioneiros da CNEG/CNEC no estado e membro da Diretoria Estadual e depois, presidente.No dia 6 de janeiro, dia de Reis, fui procurado, às pressas, pelo Raymundo, às 10h da manhã, para a viagem a Itamarandiba, onde seria inaugurado um educandário gratuito. Eu tinha me esquecido daquele compromisso porque chegara em viagem de núpcias de Araxá, três dias antes. A pressa era porque o avião da Nacional decolava do aeroporto da Pampulha às 11h para Diamantina e o táxi era muito lento. Foi uma correria para preparar a mala. E nem tive tempo para abraçar a esposa, e isso foi a primeira causa de sua restrição à Campanha e o fato é lembrado até hoje. Os companheiros de viagem foram os professores Helvécio Dahe, Wilson R.Camargo de Assunção. 
Em Itamarandiba já estavam o fundador, Raymundo Nonato Fernandes, o deputado estadual, Murilo Badaró, que participou de vários mandatos do Conselho Estadual e Nacional da Campanha e o saudoso jornalista Wander Moreira. O professor Helvécio Dahe, sempre preocupado com a assepsia anti-política da CNEC, advertiu o deputado estadual, Murilo Badaró, para que não fizesse da Campanha uma campanha política. Que fizesse apenas referência a seu pai, o patrono da escola, Francisco Badaró. Ele, então, “maneirou” no seu discurso.

Bem, voltemos a algumas horas antes, quando estávamos viajando de jipe de Diamantina para Itamarandiba. Na descida da serra, já próximos da cidade, fomos interceptados por um grupo de “capangas” que havia atravessado o jipe deles na estrada, impedindo-nos a passagem. Eles eram mal-encarados e usavam aquelas enormes capas de vaqueiro. Ficamos apreensivos, com receio de sermos roubados ou mortos por aqueles malfeitores, mesmo estando nós em missão rigorosamente pacífica e filantrópica. Depois de exigir que nós nos identificássemos, com aquelas agressivas perguntas – quem são vocês? – o que vieram fazer aqui? – ainda deram uns tiros de revólver para o alto, o que ainda mais nos assustou. Logo após, autorizaram nossa entrada na cidade, retirando o jipe do meio da estrada. – Os senhores podem passar!
Raymundo, que tinha ido nos buscar em Diamantina, fingiu muita surpresa e submeteu-se, aparentemente, às emoções daquela dramatização, embora soubesse que os tiros eram para avisar da nossa chegada, pois este e outros programas partiram de sua “coruscante” ideia.
Ao chegarmos ao hotel, apesar da neblina que caía, a praça em frente estava apinhada de gente que nos aplaudia, em meio o estrépito do foguetório e da “furiosa” banda de música com seus dobrados.Foi um tremendo choque e, ao mesmo tempo, uma agradável surpresa essa recepção, mineiramente preparada por Raymundo e seus “comparsas”. Nessa noite, noite de Reis, além da solenidade com discursos, acompanhamos os Marujos com seus uniformes para a Reisada, de casa em casa, visitando, cantando e recebendo goles e “mastigos” como brindes. Nós participamos de toda essa festa. Festa da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC.

Raymundo Nonato Fernandes dirigiu essa escola de sua terra natal por alguns anos, indo lá semanal ou quinzenalmente, para elaborar o planejamento das atividades pedagógicas, didáticas, culturais e financeiras daquele setor local. Essa escola tornou-se a mais importante do norte de Minas Gerais e, como tal, assim foi referida pela Inspetoria Seccional do MEC.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

CONVERSAÇÃO - FALAR É FÁCIL

 As palavras são usadas para fazer rir ou chorar. Para ferir ou curar. Trazer esperança ou desolação. (Anthony Robbins)

As pessoas se projetam em suas palavras - nas palavras que usam.  As palavras formam os fios com os quais são tecidas as experiências. Sem conhecer a força das palavras é impossível reconhecer as pessoas.  As palavras que as pessoas escolhem moldam seu destino.



Conversar? Falar? As palavras, depois de proferidas, não são deletáveis. E as palavras são apenas 7% da comunicação. Mesmo assim, todo cuidado pode ser pouco. E a voz? A sua voz pode estar traindo você. “Ele era uma bela pessoa, até que falou.” Alguns fatores podem ser ressaltados para que uma simples conversa seja agradável e objetiva.



O ENTUSIASMO 

OS GREGOS CHAMAVAM O ENTUSIASMO: “DEUS INTERIOR”. DIFICILMENTE ALGUÉM TERÁ ÊXITO EM QUALQUER ATIVIDADE, SE NÃO CONTAR COM A FORÇA DO ENTUSIASMO, CAPAZ DE SUPERAR TODAS AS ADVESRSIDADES. QUEM SE APRESENTAR COM O COMPORTAMENTO FRIO, INSENSÍVEL, APÁTICO, INALTERADO, PROVACARÁ O DESINTERESSE, PORQUE ELE MESMO PARECERÁ DESINTERESSADO POR AQUILO QUE FALA. O ENTUSIASMO É UMA ESPÉCIE DE COMBUSTÍVEL DA EXPRESSÃO VERBAL.


CALIBRAÇÃO

DEVE-SER FICAR ATENTO AO INTERLOCUTOR, SUAS CARACTERÍSTICAS DE IDADE, SEXO, POSIÇÃO SOCIAL, VESTUÁRIO, FEIÇÕES FISIONÔMICAS, NO DESENROLAR DA CONVERSA, PARA AJUSTAR-SE A ELE.

A TEATRALIZAÇÃO/DRAMATICIDADE

ESTE TALVEZ SEJA UM DOS ITENS MAIS CONTROVERTIDOS DA COMUNICAÇÃO. O SEU ESTUDO PROVOCA DEBATES ACIRRADOS E NEM SEMPRE AS CONCLUSÕES ABRANGEM A UNANIMIDADE DAS OPINIÕES. EUFORIA, DECEPÇÃO, TRISTEZA, ABATIMENTO, ETC., SÃO COMPONENTES DA COMUNICAÇÃO. DEVERÁ OBSERVAR O AMBIENTE E AGIR DE ACORDO COM AS CIRCUNSTÂNCIAS, EM FESTAS, ATIVIDADES ESPORTIVAS, OU DE DOENÇA OU MORTE. 


A SÍNTESE – MEDIR AS PALAVRAS

FALAR DEMAIS? DIZER TUDO QUE FOR PRECISO, SOMENTE O QUE FOR PRECISO, NADA MAIS DO QUE FOR PRECISO É UMA TAREFA DIFÍCIL QUE PRECISA SER PERSEGUIDA COM OBSTINAÇÃO. A CAPACIDADE DE SÍNTESE, NO ENTANTO, NÃO ESTÁ LIGADA EXCLUSIVAMENTE AO TEMPO DA FALA. LEMBRAR QUE SEU INTERLOCUTOR PRECISA EXPRESSAR O INTERESSE PELA CONVERSAÇÃO. CASO CONTRÁRIO, ESTARÁ PREGANDO NO DESERTO.


O RITMO

O RITMO É A MUSICALIDADE DA FALA, É A COLOCAÇÃO MAIS OU MENOS PROLONGADA DAS VOGAIS, A PRONÚNCIA CORRETA DAS PALAVRAS, LEVANDO EM CONTA A SUA ACENTUAÇÃO, A ALTERNÂNCIA DA ALTURA DA VOZ E DA VELOCIDADE DE CADA FRASE. A VOZ DEVE FICAR ORA ALTA, ORA NORMAL, ORA BAIXA. RÁPIDA EM CERTOS MOMENTOS, LENTA EM OUTROS, FAZENDO COM QUE ESTE CONJUNTO MELODIOSO INFLUA NO ESPÍRITO E NA ACEITAÇÃO DO INTERLOCUTOR. 



VERIFICAR O TIMBRE E A SONORIDADE DA VOZ
O CONJUNTO HARMONIOSO DA PRONÚNCIA DAS PALAVRAS PROVOCA SENSAÇÕES DE ENCANTAMENTO. A VOZ DETERMINA A PRÓPRIA PERSONALIDADE DE QUEM FALA: ALEGRE, TRISTE, APRESSADO, SEGURO, ETC., A PRIMEIRA IDENTIFICAÇÃO DESTES COMPORTAMENTOS É TRANSMITIDA PELA VOZ. NOTE, ENTRETANTO, QUE O APARELHO FONADOR, EMBORA EXISTA PARA A FABRICAÇÃO DA FALA, É UMA ADAPTAÇÃO DO NOSSO ORGANISMO, E QUALQUER PROBLEMA DE ORDEM FÍSICA OU EMOCIONAL SERÁ IMEDIATAMENTE REVELADO ATRAVÉS DA VOZ.

A DICÇÃO

QUANTO À DICÇÃO, QUE É A PRONÚNCIA DOS SONS DAS PALAVRAS, NOTA-SE QUE A SUA DEFICIÊNCIA É QUASE SEMPRE PROVOCADA POR PROBLEMAS DE NEGLIGÊNCIA OU FATORES SÓCIOCULTURAIS. É COSTUME QUASE GENERALIZADO OMITIR OS “R” E OS “S” FINAIS, COMO, POR EXEMPLO, “LEVÁ” , NO LUGAR DE “LEVAR”, “TRAZÊ”, NO LUGAR DE “TRAZER”, “FIZEMO”, NO LUGAR DE “FIZEMOS”, DA MESMA FORMA QUE SE OMITEM COMUMENTE OS “I” INTERMEDIÁRIOS, COMO “JANERO, TERCERO”, ETC. OUTROS ERROS DE DICÇÃO SÃO A TROCA DO “L” PELO “U” E OMISSÕES DE SÍLABAS: BRASIU, CARNAVAU. ROTACISMO – TROCA DO “L” PELO “R” – CRÁUDIO, CREISSOM. LAMBDACISMO – TROCA DO “R” PELO “L” – TALDE, FOLTE. AH!!! E O SOTAQUE? O REGIONALISMO? CADA PESSOA MOSTRA QUEM É E DE ONDE VEM. VALE ESCONDER A ORIGEM? 

A VELOCIDADE DA FALA

OUTRA DÚVIDA QUE SURGE COM FREQUÊNCIA É QUANTO À VELOCIDADE CORRETA A SER EMPREGADA NA FALA: RÁPIDA, MUITO RÁPIDA, LENTA, MUITO LENTA. HÁ INTERFERÊNCIA DE FATORES CULTURAIS. ESTAR LIGADO NAS CARACTERÍSTICAS DO INTERLOCUTOR.


ÊNFASE

CADA FRASE POSSUI UMA OU MAIS PALAVRAS MAIS IMPORTANTES. DEPENDENDO DA PRONÚNCIA MAIS OU MENOS ACENTUADA DESSAS PALAVRAS, A MENSAGEM PODERÁ SER UMA OU OUTRA. ASSIM PODEMOS DIZER: ÊEENFASE OU ÊNFASE.
EXEMPLOS DE ÊNFASE

ONTEM EU FUI À ESCOLA DE AUTOMÓVEL COM MEU IRMÃO.
  1. HIPÓTESE: ONTEM EU FUI À ESCOLA DE AUTOMÓVEL COM MEU IRMÃO.
  2. HIPÓTESE: ONTEM EU FUI À ESCOLA DE AUTOMÓVEL COM MEU IRMÃO.
  3. HIPÓTESE: ONTEM EU FUI À ESCOLA DE AUTOMÓVEL COM MEU IRMÃO.
  4. HIPÓTESE: ONTEM EU FUI À ESCOLA DE AUTOMÓVEL COM MEU IRMÃO.
O VOCABULÁRIO

O VOCABULÁRIO CORPORIFICA E TRADUZ AS IDEIAS. O VOCABULÁRIO DEVERÁ SER O MAIS VASTO POSSÍVEL, EMBORA, MELHOR DO QUE SE TER UM VOCABULÁRIO RIQUÍSSIMO, SEJA SABER USAR O VOCABULÁRIO QUE TEM. NADA DE PALAVRAS DIFÍCEIS. DEMONSTRA COMPLEXO DE INTELIGÊNCIA.

Estas observações tentam alertar as pessoas para o uso mais correto das palavras. Entretanto, como foi dito, cada um dos seres humanos carrega as suas características de comunicação. Transformam-se em idiossincrasias. Nada mal. Cada povo no seu gueto fala no seu “jeitão”, como pode e como deve. (Observe que uma coisa é falar e outra coisa é escrever). Este fato pode ser considerado como o colorido das palavras. Além disso, os aparelhinhos eletrônicos estão corroendo as palavras e a conversação. Dentro em breve, haverá curso ensinando as pessoas a conversar. E não está longe disso. Eis o primeiro capítulo do CURSO DE CONVERSAÇÃO. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Encantar - Calibração

Pode vir quente que eu estou fervendo – diz Erasmo Carlos. Calibrar é sincronizar sentimentos e é, antes de tudo, encantar.
A sincronia de sentimentos é o caminho mais curto para o entendimento. A isso, chama-se CALIBRAÇÃO. Calibram-se os pneus dos carros para que suportem o peso com equilíbrio. Assim, a harmonia entre as pessoas fundamenta  nessa sincronia de sentimentos. Há técnicas disponíveis no campo da psicologia que informam e treinam os profissionais no uso adequado dessa ferramenta. Entretanto, todos os seres humanos têm condições de empregar métodos naturais de calibração. Algumas pessoas são mais eficientes, outras menos. Algumas são hábeis, outras, analfabetas funcionais nesse setor.Quem se posiciona com atenção, pode ler as feições fisionômicas, ouvir e decodificar o tom de voz, perceber e interpretar as diversas faixas etárias, as etnias e, até mesmo o vestuário. Tudo isso, numa fração de segundos.
Daí pra frente, usando o respaldo social e psicológico, interage para tornar um relacionamento inicial em relacionamento afetivo. Profissional ou social.Calibrar então se torna algo a ser realizado para ajustar-se às contingências detectadas. Fácil? Nem tanto. Algumas pessoas reagem e protestam. Perdem. Os que se identificam, ganham. Tanto nos comportamentos espontâneos ou sociais como nos profissionais.Em princípio, pressupõe-se a sincronia do tom de voz, adequado para cada ambiente. Se estiver num velório, vai usar um tom de voz contido, suave, afetivo. Se estiver num estádio de esportes, vai usar um tom de voz entusiasmado, claro, mais alto. Se estiver falando com uma autoridade, usa-se um tom respeitoso. Se for uma criança, outro tipo de voz. Assim, por mais estranho que pareça, a voz fala!!!   Numa empresa, um atendente conseguia fazer fortes amizades com todos os clientes, por saber ouvir e interpretar sentimentos. Refletia e depois informava, usando tom de voz de veludo e atendimento para encantar.Noutra organização, o atendimento era feito por uma pessoa que, a cada informação que dava gerava o inicio de um estado beligerante.
Cada organização tem seus próprios interesses, claro. Entretanto, um atendente-recepcionista, ou telefonista, como porta de entrada, têm o poder de encantar ou expulsar qualquer cliente. Assim, o tom de voz fala! Antes de tudo, as aparências das pessoas são analisadas de imediato. Analisadas, interpretadas, julgadas. E até condenadas, precipitadamente. Num átimo. Num simples olhar, pode ser identificada a idade, a etnia, as aspectos fisionômicos, o modo de vestir, de pentear os cabelos. Um sorriso ou uma carranca? Como fazer a calibração? Aguardar, ler a fisionomia, aguardar ainda. Depois, procurar ajustar as contingências. Tudo pode ser uma leitura correta, mas pode haver surpresas. Os traços fisionômicos falam!  Calibrar é importante também na vida cotidiana. Assim, nos eventos ou reuniões sociais, há de se pensar no vestuário adequado a ser usado, para não se sentir um peixe fora d´água. O vestuário fala!Também, quando uma pessoa sai de casa, deve ter conhecimento das condições meteorológicas. Está chovendo? Pode chover? Faz calor? Vai fazer frio? – Tudo isso faz parte da calibração do ser humano com a natureza. A natureza fala! Em continuidade, se vai vender ou comprar alguma coisa, precisa calibrar-se com o mercado. Nada mais perigoso do que vender algo abaixo do preço de mercado. Nem de comprar outra por preço elevado. As empresas fazem licitações de preço. Isso é uma forma de calibração com o mercado. O mercado fala.
E o que se passa no mundo? Ou mesmo nas proximidades. O trânsito? O câmbio? As agitações políticas? Calibrar-se para se evitarem as surpresas desagradáveis. Os jornais falam. Não se pode esquecer de verificar a própria saúde. Manter o equilíbrio do corpo e da mente só cabe a responsabilidade a seu usuário. Manter-se calibrado com as informações que cinestesicamente são transmitidas, faz parte da vida e do bem-estar. O proprietário do corpo deve também ouvi-lo, com atenção especial.  O corpo fala!!!
Por isso, e por muitas outras situações assemelhadas, pode-se dizer que calibrar é sincronizar sentimentos mas, antes de tudo, é encantar.    

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

MUDANÇAS – ROTINA É ESTAGNAÇÃO

Não se pode parar a máquina do progresso e não se faz progresso sem mudanças. Se alguém está fazendo uma coisa da mesma maneira que costumava fazer, estará, provavelmente, fazendo-a por um método ultrapassado.

Os métodos atuais de fazer as coisas foram feitos em condições que não mais existem. E tudo que está sendo feito agora será feito será feito de modo diferente e será feito melhor. O que todos sabem são os modernos métodos obsoletos de fazer as coisas. Rotina é estagnação.
O dia que um ser humano nasce ele casa-se com a mudança. Pode não ser um casamento formal, mas ele passará o resto da vida vivendo com ela.
Vive-se num mundo de mudanças cada vez mais rápidas. Quem tem mais segurança atualmente é quem se adapta melhor a elas. Quanto mais rápido muda o mundo, mais necessidade têm as pessoas de serem adaptáveis a esse mundo de mudanças cada vez mais rápidas.
Quer saber quanto o progresso foi acelerado?
O homem inventou a alavanca, mas demorou mais de cem anos para acostumar-se a ela, antes de inventar a roda.
Mudanças ao acaso?
Existem milhares de pessoas trabalhando em tempo integral, todos os dias, com o objetivo de elaborar mudanças. A pesquisa é o progresso proposital. Há cientistas, engenheiros, sociólogos, psicólogos, todos empenhados em mudar o mundo. Novos métodos, novas máquinas, novos produtos, novos mercados, novos clientes.
Mudam-se as máquinas, mas também o comportamento dos seres humanos, da pílula anticoncepcional ao casamento gay ou aos aglomerados humanos.
Quem há de resistir?
Os cães ladram e a carruagem passa! É a mudança atropelando as rotinas, a estagnação. 
Uma pessoa diz que tem 15 anos de experiência. Ou ela tem um ano repetido 15 vezes? Um indivíduo com 40 anos de idade pode estar mentalmente aposentado. Outros com 80 podem estar em vida ativa e produtiva. Existe um jovem cabeça dura, ou um velho com mente receptiva que combina a sabedoria da idade com o vigor da juventude. Experiência pode ser um trampolim que se lança para o futuro ou um espelho retrovisor que o faz regredir. Nesse caso, será como um paraquedas que abre perfeito no segundo saldo. 
Um gráfico através da História?
Este gráfico pode iniciar com o homem nas cavernas e, a seguir, por milhares e milhares de anos sem mudanças significativas. Chega o ano 1830. Até aí, a maior velocidade da comunicação era feita por meio do cavalo. Nesse ano, 1830, o cavalo apostou uma corrida com a locomotiva e ela ganhou. O homem quebrou a “barreira da ferrugem”. Pela primeira vez no mundo, um ser humano viajava mais rápido do que um cavalo. Daí pra frente, a curva do progresso não parou de subir. Nesta era de apertar botões, não é o tamanho nem a idade dos músculos que vale. É a atitude da mente. E as idades tecnológicas?
Considere-se, agora, a diferença entre as idades tecnológicas entre o rei Salomão e D.Pedro I do Brasil. Eles viveram separados por mais de 3.000 anos e usaram o mesmo sistema encanamento de água, de aquecimento, iluminação, transporte, comunicação e poder escravo. Muito pouca coisa aconteceu diferente na vida de um ou do outro, embora separados por tanto tempo. Eis uma constatação. As maneiras de se fazerem as coisas se alteraram. 
E o tapete mágico dos contos de fada?
O tapete voador! Compare-o hoje ao conforto e utilidade com o jato moderno. Quem, em juízo perfeito, gostaria de sentar-se em pleno vento e chuva, com granizo batendo no rosto, sem aeromoças, sem refeições quentes? Parece um sonho distante, imaginação retrógrada. O jato atual excede os sonhos do homem.
O homem pode exceder seus sonhos por vezes sem conta!É necessária coragem para romper as limitações do passado. Não se pode parar a máquina do progresso. Estabilidade é estagnação.

sábado, 6 de setembro de 2014

PRÊMIOS LITERÁRIOS

Recompensa e garantia de qualidade conferidas ao autor e à sua obra literária


Há prêmios literários disponíveis pelo país afora. Mediante concursos, voam no espaço da internet, como meio de divulgação. Tantas academias de letras, tantas escolas, tantas administrações públicas embarcam nessa jornada. Todos dizem que o objetivo é incentivar a produção de textos literários. Outros há que dizem que estão promovendo esses movimentos, procurando ajudar a revelar escritores. Vale também como incentivo à leitura. Isso vale, mesmo considerando que mais da metade da população brasileira não vai muito além de analfabetos funcionais. Assim, produzir qualquer coisa que seja, seria uma porta aberta ao desenvolvimento cultural.  
Tudo é válido, quando o pensamento, as ações e as intenções forem bem dirigidas. Com isso, estão incentivando a produção literária com a objetividade propugnada. Propugnando estão o surgimento de novos autores, já que os atuais não têm conseguido também fazer nenhum rugido além das fronteiras. Nem os autores amadores nem os profissionais. Exceto Paulo Coelho. 
A reduzida repercussão literária dos autores nacionais não vai, pois, além das fronteiras. Este fato é constatado pelas listagens dos melhores livros editados no mundo, segundo diversas fontes. Em nenhuma delas há referência de algum livro ou de algum autor brasileiro. Isto significa que não há nenhum autor nacional digno de figurar entre as obras de vulto do cenário mundial da literatura? Várias justificativas vêm à tona. Mesmo assim, um pouco de verdade deve persistir.     
Geralmente, nesses concursos abertos a cada dia, há um concorrente que deverá ser premiado e 99% deles deverão ficar frustrados, ao final do processo. Alguns desses concursos chegam a milhares de concorrentes. Milhares de frustrados, em consequência, tendo em vista que todos imaginam que seus textos mereceriam os troféus imaginados.
De outra forma, os juízes – pessoas que analisam e julgam os textos nos concursos – podem não dispor de tempo suficiente para a tarefa na sua extensão, porque o trabalho exige muito esforço e capacidade cultural específica. Fica a dúvida quanto aos resultados que poderão advir com essa promoção.
Finalmente, que fazer com 99% dos textos não premiados dos concorrentes eliminados? Devolver? Nem pensar. Impossível. Portanto, seguem para o lixo. São tantas fantasias de concorrentes destinadas ao lixo.
Eis a questão. Melhorou em alguma coisa a cultura literária do país com todo esse empenho? Em confrontação, nenhum escritor brasileiro alcançou ainda o prêmio maior da literatura universal: O PRÊMIO NOBEL.

PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA

Este prêmio foi intituído em 1901,  na Suécia, e é conferido a um escritor de qualquer nacionalidade, uma vez por ano, embora não tenha sido concedido nos anos de 1940 a 1943. Foi instituído pelo sueco, Alfred Nobel, para distinção ao trabalho literário mais significativo, produzido em direção ideal. Significa uma obra inteira desse escritor, seus principais livros, sua mentalidade, seu estilo, sua filosofia, sem distinguir obra em particular.
A Academia Sueca é quem escolhe esse escritor e o anuncia no começo do mês de outubro de cada ano. Este é o maior e mais distinto prêmio que um escritor pode almejar dentro do ramo da literatura.
E nenhum escritor brasileiro chegou lá.
O primeiro escritor premiado pelo Prêmio Nobel de Literatura  foi o francês Sully Prudhomme, em 1901, em reconhecimento à sua composição poética de idealismo elevado, da perfeição artística e das qualidades do coração e do intelecto. Depois dele, outros 109 escritores foram laureados com esse prêmio.
A América Latina foi contemplada por cinco vezes. O primeiro prêmio foi concedido em 1945 a Gabriela Mistral (1889 – 1960) Chile; depois, em 1967, a Miguel Angel Asturias (1899 – 1974) Guatemala; em continuidade, em 1971, a Pablo Neruda (1904 – 1973) Chile; em seguida, em 1982, a Gabriel Garcia Marquez (1927 – 2014) Colômbia; finalmente, em 2010, a Mario Vargas Llosa (1936) Peru.
Em língua portuguesa, em 1998, apenas José Saramago (1922 – 2010) Portugal foi agraciado com esse prêmio.
Como se vê, o Brasil ainda não subiu ao pódio literário na Suécia, embora haja 194 academias de letras em funcionamento no país. Além dessas academias, há associações, instituições e agremiações que têm por objeto os estudos e a produção literária. Além disso, uma população de mais de duzentos milhões de habitantes é configurada por possuir representantes literários ainda não considerados dignos de receber essa láurea. Há de ser reconhecer.  
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