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sexta-feira, 8 de novembro de 2019

OS GRUPOS ESCOLARES


BELO HORIZONTE, A CAPITAL II

Com essa iniciativa, foi dada a partida para a oficialização do ensino público no estado. E o que representou tal iniciativa para a época? Uma revolução educacional!


João Pinheiro da Silva (1860 – 1908) 

Foi o primeiro presidente do estado de Minas Gerais, eleito pelo povo, em 1906, após o governo instalar-se na nova Capital, Belo Horizonte, e no Palácio da Liberdade. Ele substituiu o doutor Crispim Jacques Bias Fortes, (1847 – 1917), o governador-presidente que efetuou a mudança da Capital. João Pinheiro levantou a bandeira da educação, como meta de seu governo. A educação era um dos ideais e princípios republicanos. Na sua obstinação, criou os GRUPOS ESCOLARES, um modelo de ensino fundamental, com proposta para ser realizada num curso em quatro anos letivos. Com essa iniciativa, deu a partida inicial para a oficialização do ensino público no estado. E o que representou tal iniciativa para a época? Uma revolução educacional. Esta meta vingou. Os seus Grupos Escolares se espalharam pelos municípios do estado. João Pinheiro da Silva é considerado, pois, como o governador que introduziu o ensino público em Minas Gerais, ao instituir esses Grupos Escolares. Com isso, implantou o modelo de responsabilidade do Estado pela educação. O primeiro estabelecimento – GRUPO ESCOLAR – foi implantado na cidade de Diamantina, no ano de 1906. (Decreto n. 2.091, de 20 de setembro de 1907). ) Dona Júlia Kubitschek, mãe do ex-presidente, Juscelino, era uma das professoras do município e seu filho, na época, tinha quatro anos de idade. João Pinheiro teve o cuidado de projetar até os modelos dos bancos das escolas, as carteiras, como eram chamadas.
O governador-presidente teve morte repentina no Palácio da Liberdade, em 25 de outubro de 1908, vítima de câncer linfático, aos 48 anos de idade, consequentemente, não concluiu o seu mandato. Ficou o Palácio da Liberdade com o sentimento de perda total. O povo do estado de Minas Gerais ficou órfão, juntamente com a sua família, seus 12 filhos. Todos ficaram órfãos, também, da sua ousadia administrativa, da sua visão do grande futuro do estado e, sobretudo, da sua fraternidade republicana. Deixou amigos como herança para a sua família, que cotizaram para adquirir uma casa para a viúva e os filhos. Um deles, Israel Pinheiro, estudou de favor, e tornou-se mais tarde, em governador do estado de Minas Gerais.

O primeiro grupo escolar de Diamantina iniciou seus trabalhos em um prédio adaptado, situado à praça Conselheiro Matta, n. 11, onde funcionou a Escola Normal Oficial até 1906 e atualmente sedia a Câmara Municipal de Diamantina.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

CRIME PEDAGÓGICO ?



Causar voluntariamente a morte do sonho de uma jovem estudante!!!. O imaginário da maldade humana acompanha tantas obras beneméritas. Cada qual com a sua verdade, condenando os outros, pensando ser um termômetro social, um parâmetro para julgar a humanidade.



Uma adolescente, 15 anos, gestante solteira, foi expulsa do colégio, sem mais nem menos. Aconteceu na década de setenta, numa cidade do interior do estado de Minas Gerais, em pleno século XX, apesar da Lei 6.202 de 17 de abril de 1975, da Lei 6.503 de 13 de dezembro de 1977 e da Lei 7.692 de 20 de dezembro de 1988 que tratam da proteção à gestante. Mináglia, nome fictício do município do norte do estado de Minas Gerais, mantém um grande colégio normal de freiras franciscanas, holandesas, em prédio doado pelo estado, desde 1926. Era o único estabelecimento de ensino ginasial e normal de vasta região. A irmã superiora, diretora do estabelecimento, julgou ser uma temeridade social manter uma gestante adolescente como aluna, num estabelecimento de jovens de sexo feminino, mesmo em final de curso. Expulsou a aluna, sem dó nem piedade. Que poderia haver de mal? Disseminar exemplos? Talvez a ousadia e irreverência da aluna, transmitindo exemplo para outras colegas de mesma idade? Não se pode saber exatamente o que passou na cabeça da irmã diretora. Preservação da moral das famílias da região? 
A aluna foi convidada a comparecer ao gabinete dessa diretora e escutou uma possível decisão do colegiado. Um comunicado verbal, cujas palavras devem ter ferido a sensibilidade da aluna. Uma comunicação escrita foi encaminhada aos pais. A vergonha e a humilhação! Como continuar os estudos? Onde? Tudo isso não foi apenas um dos desastres para a família. A cidade inteira comentou o fato, ou melhor, os fatos. Tanto da gravidez indesejada como da expulsão do colégio. Muitas famílias consideraram uma atitude correta do colégio e aplaudiram a irmã diretora. As colegas de sala choraram. Choraram e lamentaram. Ensaiaram greves, greves de silêncio e abstinência de reação diante de provas e trabalhos escolares. Cruzaram os braços. Do silêncio nascem providências tantas, sem nenhum resultado. Não houve greve, houve manifestação de desagrado. Tantas outras reações foram investidas no colégio. Tudo em vão.
O desespero da família da gestante foi motivo de comentários violentos na cidade. Um advogado da família entrou com habeas corpus. A liminar foi negada pelo juiz. Outros advogados associados entraram em queixa-crime contra a decisão da diretora. Tudo encaminhado ao Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. O tempo passa. Esperar. A gestante perdeu em todas as estâncias. O processo foi arquivado e faz parte, hoje, do acervo do museu do Tribunal, disponível para visitação pública.
O que foi feito da aluna gestante? Vítimas não têm vez, permanecem no anonimato e cada personagem chora no seu canto. Foi condenada a permanecer no meio rural e dedicar-se ao trabalho doméstico, pelo resto de sua vida. 
Esta história parece uma pequena fábula, mas não é uma ficção. Serve entretanto para alertar os profissionais da educação sobre a nobre responsabilidade profissional. A ação dos mestres é, antes de tudo, de solidariedade e apoio a jovens em crise de qualquer natureza.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

TAXIONOMIA DOS OBJETIVOS EDUCACIONAIS DE BLOOM (CLASSIFICAÇÃO)

Todo ser humano é um educador, na medida em que passa um conhecimento, uma técnica, um comportamento a outra pessoa.


Pais e mães, quer queiram, quer não, são professores naturais, desde a hora de nascimento do filho ou da filha, em tempo integral, com dedicação exclusiva, e por toda a vida.(Poder afetivo)
Professores de qualquer natureza devem ter em seu arquivo intelectual e profissional as informações sobre a TAXIONOMIA DOS OBJETIVOS EDUCACIONAIS (classificação) de Benjanin S. Bloom. É fruto de um trabalho exaustivo, feito em conjunto de mais de 30 psicopedagogos, durante vários anos. Está em plena aplicação, adaptação e desenvolvimento. Surgiu da necessidade de avaliação da APRENDIZAGEM, numa reunião da Associação Americana de Psicologia, em Boston, no ano de 1948.
Afinal, o que é “aprendizagem”?
Em termos aristotélicos da classificação das espécies, o campo da aprendizagem estava sem caracterização que fosse consensual. Daí o problema surgido, a questão levantada e a impossibilidade de ser resolvida em curto prazo. A pesquisa foi instaurada e, depois em várias experimentações e propostas, levantou-se uma classificação que poderia abrir caminhos para uma definição abrangente e, por isso mesmo, mais consistente, em termos científicos.
Assim, todo ser humano é um professor, na medida em que passa um conhecimento, uma técnica, um comportamento a outra pessoa. São professores naturais da escola da vida.
Pais e mães são os primeiros professores. A criança vem ao mundo sem o tal manual do usuário, como todo equipamento traz. Tem que sobreviver de alguma forma. Os ensinamentos e as atitudes das mães e dos pais permanecem nas pessoas por toda a vida, pelos conceitos, pelos modelos de comportamento, pelas ações, pelos limites e pelas limitações. É o caso do leite materno, cujo vestígio, não desaparece na vida das pessoas, até inconscientemente. Este era um campo da aprendizagem que foi estudado e que trouxe novidades para a educação em geral, dentro do poder AFETIVO.
Fundamentalmente, a educação está restrita às informações intelectualizadas. Ter desenvolvimento intelectual é um princípio básico para se aprender qualquer coisa. Errado!!!
Verificou-se que a aprendizagem é desenvolvida em compartimentos conectados mas, também, em compartimentos específicos. 

Dessa forma, verificaram-se três vertentes da aprendizagem:
  1. O poder COGNITIVO – abrangendo capacidades e habilidades intelectuais;
  2. O poder AFETIVO – abrangendo interesses, atitudes e valores;
  3. O poder PSICOMOTOR – abrangendo habilidades manipulativas e motoras.
Para o ensino e a aprendizagem estes poderes surgem nos seres humanos e fazem as pessoas terem habilidades especiais, que podem ser desenvolvidas com maior ou menor dificuldade.
Então, por essa proposta de Bloom, as pessoas aprendem pela – cabeça, pelo coração e pelas mãos, simbolicamente. Tal a síntese revelada. Aprende-se de modo diferente e consequentemente, deve ter ensino de modo diferente.
Assim, ensinar comportamento, atitudes e valores simplesmente pelo poder intelectual torna-se tarefa mais conflitante. Informa-se tudo sobre os males do tabaco e as pessoas, conhecendo todos esses males, continuam fazendo uso deles.
Ensinar cognitivamente um pedreiro como construir um muro não significa que ele realmente seja capaz de fazê-lo. Andar de bicicleta, nadar, etc. são ensinadas de forma diferente. (Dom Bosco, naquele tempo, foi inquirido sobre como ensinava os meninos a nadar. Ele respondeu: “a técnica eu não sei bem mas, primeiro, eu jogo os meninos na água.”) Somente fazendo e repetindo. Um campeão olímpico executa a mesma tarefa centenas de vezes, buscando melhores resultados.
Nas habilidades intelectuais estão reunidos conhecimentos e capacidades abstratas, pelo desenvolvimento do raciocínio. Isso não o faz um mecânico, nem tão pouco um modelo de caráter, de gentileza, de amor ao próximo.
Cada um desses poderes assume características específicas que podem se associar, conectar umas com as outras. Muito raro entretanto seria encontrar uma pessoa que dispusesse destes três componentes em grau elevado. Geralmente, um deles sobrepõe a outro. Um indivíduo com QI 150 (quociente intelectual) na escala de Binet, poderia não ter capacidade necessária, nem interesse em aprender a trocar lâmpadas. Eis a questão! Eis as diferenças individuais
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