sexta-feira, 17 de agosto de 2012

ALEIJADINHO - ENTREVISTA VIRTUAL

ALEIJADINHO
Antônio Francisco Lisboa
Escultor, Entalhador, Santeiro
.
A obra desconhece ou não quer saber se o artista padeceu na criação. Ela tem que falar por si mesma.

 Autor:Rogério de Alvarenga

Apresentação
Nas frias madrugadas de Vila Rica, hoje Ouro Preto, Minas Gerais, carregadas de brumas orvalhadas, ia Antônio Francisco Lisboa no seu burro velho, viajando sonolento pelas ruas tortas e íngremes da cidade. Assim se dirigia todo dia para o seu local de trabalho, onde quer que fosse.
Enfiava-se nas camisas de longas mangas, no seu paletó surrado, nas botas, no chapéu abanado e ainda, na grande capa que encobria também seu burro paciente e amigo. Dobrava a gola de seu paletó, como se fosse simplesmente uma proteção contra o frio cortante das manhãs serenas.
Não queria que ninguém o visse. Não queria ver ninguém. Não por maldade ou malquerer. Simplesmente magoado com as desditas, com tristeza profunda e irremediável.
A natureza transformou-o por completo e tirou as suas expressões humanas, substituindo-as por deformidades. Violentou-o em todas as partes de seu corpo. Seu rosto transfigurou-se. Sua fisionomia era incapaz de abrir um sorriso amistoso e fraterno para quem quer que fosse. Não por vontade própria, mas por imposições cruéis da natureza.
Entretanto, atrás desse vulto deformado e triste, havia um gênio da arte de esculpir e entalhar que, com suas obras, romperia os séculos como o expoente máximo das artes do século XVIII, como expressão referencial para o mundo.
Eis, pois, conosco, trazido pelas circunstâncias mais pungentes e dolorosas, a expressão da cultura mineira. Veio para uma conversa franca e decidida.
Ele relutou em vir. Veio mais como uma obrigação natural de artista, do que por dinheiro, por fama ou por prestígio. Nada disso tem mais valor para ele. Veio como se fosse um trabalho a executar com perfeição e arte. Veio, finalmente, como um dever a cumprir e, como sempre, com sofrimento. Nada mais. Assim, está conosco, em pessoa, o escultor, o entalhador, o santeiro, Antônio Francisco Lisboa.

Entrevistador 
Mestre Antônio Francisco Lisboa! Os nossos cumprimentos mais calorosos! É uma satisfação e uma honra poder vê-lo hoje conosco, para uma entrevista exclusiva.
Antônio Francisco Lisboa - Aleijadinho
Não digo que esteja aqui por um momento de satisfação, de uma honra ou de qualquer dispositivo semelhante. Estou aqui por sofrimento, cumprindo um dever da arte, como sempre o fiz.
Entrevistador - Peço desculpas pelo constrangimento, mas, como o senhor mesmo sabe, tornou-se um artista de renome internacional, pelo seu trabalho, pela sua técnica, pela sua habilidade e finalmente pelo seu destemor frente às imposições da vida.
AFL - A vida me tem sido cruel desde o dia que nasci.  Mesmo assim, nunca me intimidei com as adversidades e procurei cumprir as minhas obrigações e me dedicar exclusivamente ao trabalho.
E - E as suas obras são conhecidas pelo mundo afora.
AFL - São apenas expressões da minha dor física, do meu sofrimento interior, do meu desespero incontido e da minha obstinação. E, sem obstinação, sem compulsão, nada seria construído e demonstrado. Jurei expor meus sentimentos de revolta e angústia em cada parte da minha obra. Cada uma delas teria que chorar por mim.
E - Como o senhor deixou transfigurado nos Passos da Paixão, no Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo! Não é isso?
AFL - Nos Passos da Paixão tive uma oportunidade mais segura de poder imprimir nas figuras o sentido da violência, das falsidades humanas, da covardia, do sadismo de prazer na crueldade.
E - Foram as suas últimas obras?
AFL - Meus dez últimos anos de trabalho árduo. Passei a residir em Congonhas do Campo, no alto daquela colina maravilhosa e inspiradora. Meu sonho de escultor e entalhador! Nunca pensei que aquela oportunidade pudesse esgueirar-se para mim. E eu peguei-a com unhas e dentes, embora nessa época, já não tivesse mais unhas nem dentes.
E - Disseram que, para entender o sublime da sua obra, é preciso saber o quanto custou em sofrimentos. Jamais, talvez, o gênio exigiu tanto heroísmo para realizar-se.
AFL - Agradeço as referências, mas, a obra desconhece ou não quer saber se o artista padeceu na criação. Ela tem que falar por si mesma. Assim foram os Passos, também.   
E - O senhor mesmo não deve ter o registro de todas as obras que executou?
AFL - Realmente minhas anotações eram precárias. Hoje, os pesquisadores conseguiram determinar o conjunto das minhas obras. Sempre, como entalhador, trabalhando com madeira, esculpia parte de desenhos meus e também riscos de outros. Fiz imagens, obras de escultura monumental como fachadas, púlpitos, frontadas e finalmente, em Congonhas do Campo, produzi os Passos da Paixão e os profetas em pedra sabão. Só isso.
E - Tudo que executou saiu de uma região de mineradores que só queriam ver o ouro e o enriquecimento imediato. Como poderiam apreciar seus modelos de arte?
AFL - Isso mesmo. Era uma região montanhosa e deserta, até o final do século XVII. Em apenas cinqüenta anos tudo se transformou e aí florescia então uma civilização tão próspera, que iria desempenhar um papel primordial nos destinos do Brasil.
E - Os bandeirantes trouxeram mulheres, crianças, brancos, mamelucos, índios. Também gado e provisões. Também sementes de cereais com que iniciaram as lavouras. Mas, o que foi fundamental?
AFL - A descoberta do ouro. Gente chegando de São Paulo, da Bahia, de Portugal. Uma verdadeira loucura! Espalhou-se pelo mundo a notícia do ouro abundante e disponível para todos, sem nenhuma regulamentação. O mundo luso-brasileiro sucumbiu à tentação de riqueza imediata. Funcionários e soldados desertavam. Marinheiros abandonavam seus barcos. Monges largavam seus conventos, atirando seus hábitos às urtigas. Escravos e negros fugiam das plantações de cana de açúcar. Com essa afluência desesperada, vieram também a violência, o roubo, o massacre, os assaltos, os incêndios, as revoltas.
E - Mas os reis tanto de Portugal quanto da Espanha tiveram que refrear essa situação!
AFL - Portugal se transformou num deserto. O povo sumiu da Espanha. Houve então o cancelamento de passaportes, impedindo a saída desses povos para a América. Portugal tinha dois milhões de habitantes e passou para oitocentos mil.
E - Em Vila Rica foram criados modelos de organização e controle da cata do ouro?
AFL - Nunca fui minerador, mas sei que houve restrições. Inicialmente, não. Era de quem chegasse primeiro. Depois, com o espantoso volume de ouro catado, Portugal acordou e veio buscar o que era dele, por usurpação. E tentaram expulsar os descobridores paulistas na guerra dos Emboabas. Então, surgiram normas e regulamentação. Era o quinto do ouro retirado. Mais tarde, com as minas exauridas, o Marquês de Pombal instituiu taxas obrigatórias como contribuição extraordinária individual, a derrama.
E Portugal enriqueceu?
AFL - Poderia ter se enriquecido. Enriqueceram os paulistas. A descoberta das minas enriqueceu momentaneamente Portugal, mas trouxe também o fermento da liberdade. Em consequência, veio a perder o próprio Brasil.   
E - E sobravam riquezas até para as artes?
AFL - A arte em Minas Gerais é a coroação do barroco luso-brasileiro.
E - As artes acompanham o poder econômico?
AFL – Verdade! Mas em Vila Rica aconteceu um pouco diferente. A maior prosperidade das artes em Minas Gerais coincide com a decadência do ouro. Entretanto, o povo queria pagar as promessas aos santos de sua predileção. Ou pedir mais ouro, embora as minas já estivessem exauridas. Queriam mais milagres. .
E – O senhor conseguiu bons contratos de trabalho. Deve ter ganhado muito dinheiro nessa época.
AFL - Meu trabalho, dedicado e contínuo, nunca me deu tempo de ganhar dinheiro. Sempre trabalhei como operário, ganhando por dia, a jornal, na base de meia oitava de ouro. Tinha despesas com meus escravos e meus oficiais. Sempre paguei bem aos meus auxiliares. Meus escravos viveram comigo e juntos trabalhamos sem trégua. Nunca se viu um senhor trabalhar junto com os próprios escravos, lado a lado. Além disso, sempre distribuí parte do que ganhava com os pobres. Eles precisavam mais do que eu. Morri pobre, também. Pobre e abandonado.
E - Veio de uma família de artistas?
AFL - Meu pai, Manuel Francisco Lisboa, era insigne arquiteto português, que trabalhou demais em Vila Rica, até no Palácio do Governador. Meu tio, Antônio Francisco Pombal, era entalhador.  Minha mãe era uma escrava de origem africana. Foi escrava do meu pai. Nasci escravo e fui alforriado no dia do meu batizado. Em seguida, meu pai casou-se com uma portuguesa, Antônia Maria de São Pedro, com quem teve mais três filhas e um filho.
E - Quer dizer que você era mulato bastardo?
AFL - Sim, claro, mulato bastardo.  Fui humilhado, por isso, inúmeras vezes. pela infâmia de ser bastardo e mulato. Essa infâmia me impedia de assinar contratos e colocar meu nome nos registros das ordens religiosas. Sempre trabalhei para as irmandades na Ordem Terceira do Carmo e de São Francisco de Assis, sob contrato, mas nunca pude tampouco entrar para essas irmandades. Eram aristocráticas as ordens dos franciscanos e dos carmelitas, para as quais tanto trabalhei.
E - Os negros e mulatos ficaram isolados?
AFL - Os negros nunca deixaram se dominar. Criaram associações e irmandades onde os brancos também não podiam entrar. Os negros são orgulhosos, reagindo com violência às perseguições dos brancos. Criamos a ordem do Rosário dos Pretos e iniciamos a construção da igreja de Santa Ifigênia. Sempre fomos rejeitados. Meu pai era branco, arquiteto. Tinha seu atelier montado. Ele tinha oficiais e escravos. Aprendi muito com ele.
E - Fez trabalhos acompanhando seu pai?
AFL - Inicialmente, sim. Muitas vezes, sim. Meus brinquedos de infância foram feitos no atelier do meu pai. Depois, fui crescendo com pequenos trabalhos e me divertindo. Consegui me firmar como oficial, mesmo sem poder ter um registro. Ia conseguindo contratos próprios, até que chegou uma oportunidade na igreja matriz de Caeté. Ganhei o suficiente para melhorar de vida.
E - Seu pai era também carpinteiro e pedreiro?
AFL - Sim... ele era grande carpinteiro e juiz de oficio  Também trabalhei em madeira com ele. Sempre querendo aprender mais e a me aperfeiçoar nas artes de qualquer natureza. Meu meio irmão também participava. Trabalhamos juntos, por muito tempo. Depois da morte de meu pai, paguei os estudos para ele, até tornar-se padre, reverendo Antônio Felix Lisboa. Nas horas vagas era também entalhador, como não poderia deixar de ser.  
E - Você não se casou?
AFL - Estava mais pra viver a vida com os seus pequenos prazeres. Era jovem disposto e saudável. Frequentava as danças e gostava de me divertir também. Há algum mal nisso? Tive um filho bastardo, com uma mulata livre, cabra forra, de nome Narcisa, quando eu tinha já 47 anos de idade. Dei-lhe o nome do meu pai, Francisco Manuel Lisboa. Nunca me casei.
E – Você teve escola?
AFL - Não havia escolas regulares na época. Frequentei atelier de pintores, desenhistas, projetistas e até mesmo de entalhadores. Frequentei a escola do desenhista João Gomes Batista e na do entalhador José Coelho Noronha. Além disso, estive no seminário, aprendi a escrita e a leitura. Sei um pouco de latim. Mas, minha força estava no cinzel, no martelo, no formão. Precisava produzir. O estudo de latim me valeu muito.  Fui entalhador, escultor em madeira e pedra.
E – O segundo vereador de Mariana, Joaquim José da Silva, considera você como o iniciador de um novo estilo e um dos artistas que mais purificaram a arte da talha dos exageros do barroco. Diz ele que nem em Portugal havia alguém do seu nível.
AFL - Minha aprendizagem foi no canteiro dos altares das naves, principalmente em Caeté, onde fiquei sozinho com o meu desempenho. Meu aprendizado prático foi feito dentro de atelier, serrando madeira, lixando madeira, no trabalho braçal, sem escolhas ou preferências. Fiz de tudo na carpintaria do meu pai. Minha infância e meu aprendizado foram feitos no trabalho árduo. Minha infância foi trabalho.
E - Mas, seus biógrafos se dividem quanto ao ano de seu nascimento. Rodrigo José Ferreira Bretas diz que você nasceu em 1730 e outros, baseando no seu atestado de óbito, afirmam que você teria nascido em 1738, tendo falecido em 18 de novembro de 1814, aos  76  anos de idade. Que diz sobre isso, para um acerto definitivo?
AFL – Infelizmente, as brumas permanecerão. Hoje, nada mais posso dizer sobre isso. Vivi o suficiente para produzir uma obra que falará por mim. São polêmicas dos humanos. Um dia ou um ano não faz diferença para quem se encontra em outra esfera.
E - Verdade! Dessa forma, ficarão seus biógrafos atormentados com pequenos problemas, enquanto deixam de refletir sobre as marcas deixadas pela sua passagem pelo planeta Terra, as marcas de suas próprias mãos. Isso me faz tocar numa questão muito constrangedora, mas vou ter a ousadia de perguntar. Disseram que os Passos e os Profetas foram esculpidos por um homem sem mãos?
AFL - Hoje, não me exalto com tais questões. Já me irritei demais sobre esses problemas. Vivi belos anos de minha vida, com boa alimentação, prazer nos vinhos e nas danças. Sempre com saúde de ferro no trabalho pesado e constante, transportando toras de madeira. Mas em 1777, começou o meu calvário. Uma doença invadiu meu corpo, me deformou fisicamente, tirou meu humor, mas nunca a minha capacidade de produzir, de imaginar, de criar. Minhas mãos se entortaram, meus dedos começaram a cair.
E - Os dedos começaram a cair?
AFL - Sim. Inicialmente os dedos dos pés. Não conseguia mais me locomover. Tive que providenciar uma armadura de couro para firmar meus joelhos ao chão. Andava de joelhos. Mesmo assim, não fiquei fixado à terra. Tinha que me movimentar. Andei de joelhos. Tirem-me os dedos dos pés, mas a minha cabeça ainda dirige o meu corpo por onde for possível e impossível. Nunca fiquei parado ou deitado numa cama por causa disso.
E - Mas e os dedos das mãos?
AFL – Começaram a cair também. Primeiramente, minhas mãos se entortaram e eu não conseguia mais manusear o cinzel e a marreta. Estavam me prejudicando. Prejudicando o meu trabalho. Os dedos queriam cair e não caíam. Comecei a amputá-los, um a um. Colocava o cinzel sobre ele e meu escravo Maurício batia a marreta.
E - E o escravo Maurício executava essa tarefa sem resistência?
AFL - Com muita resistência, a princípio. Ou ele pegava a marreta ou eu lhe dava umas chibatadas nas costas. Preferia pegar a marreta. 
E - Amputou todos os dedos das mãos?
AFL - Menos o indicador e o polegar. Além disso, meu rosto deformou-se. Minha boca entortou. Minhas pálpebras se retorceram. Meus dentes foram caindo. Fiquei triste demais. Nunca acreditei que tal desgraça pudesse acontecer comigo. Minha cabeça inchou e meu rosto arredondou-se. Mais seria impossível. Sempre fui uma pessoa de boa fisionomia e gostava de mim. Sempre me achei um ser humano de boa aparência, capaz de despertar interesse, respeito e amizade entre os homens e admiração entre as mulheres. Restou isso de mim. Nunca me conformei. Nunca me conformei com isso, agora o digo com a maior força e desespero de meu coração. Tive ódio e desespero.
E - E essas alterações fisionômicas não aconteceram de um momento para outro. Foram mudanças repentinas?
AFL - Claro que não. A deformidade foi constante, mas gradativa e lenta para que eu notasse essas transformações diariamente.
E - Por isso, não queria mais ter contato com o público?
AFL - Odiei o mundo, as pessoas. Não queria mais ver ninguém. Não queria que me vissem. Procurei o isolamento no meu mundo. Sabia que as pessoas me achavam um monstro. Eu mesmo achava isso e não me perdoava. Por que? Por que? Tive que criar o meu mundo particular. Um mundo só meu. Um mundo do trabalho e da arte. Trabalhei os sete dias da semana, de sol a sol, ou melhor, de noite a noite.  Quanto mais me dedicava ao trabalho. mais esquecia do meu mal, da minha infelicidade constrangedora e inevitável. Só as minhas figuras, minhas estátuas falavam comigo, sem temor, sem asco.
E - Desculpe-me se toquei num assunto delicado e que trouxe reflexões desagradáveis para o senhor. 
AFL - Nunca admiti a mais leve referência ao meu estado físico. Muitos pensavam que eu tinha lepra. Lepra nervosa. Outros, que era zamparina, um mal epidêmico, um surto de gripe, ocorrido no Rio de Janeiro, provocando alterações no sistema nervoso e no locomotor, provocando, ainda, deformações. Outros diziam que eu tinha tomado muita erva cardina, da flora tropical, entorpecente alucinógeno. Outro diagnóstico me falava de humor gálico, sífilis hereditária ou adquirida. Escorbuto, provocando a necrose das extremidades.
E – O senhor se referiu a lepra?
AFL - Convivi em sociedade 37 anos e não transmiti meu mal a ninguém, nem a meus escravos com quem trabalhava. A lepra produz a atrofia dos músculos da mão, atrofia das pálpebras, paralisia facial, queda dos dentes. Além de tudo, é contagiosa. De qualquer jeito, seja qual for o tipo do meu mal, era um mal insuportável. Tanto sofri naquele tempo, como sofro agora, rememorando o que não teve cura. Com a sua permissão, peço que nunca mais me pergunte qualquer coisa relativa ao meu mal.
E - Nunca foi minha intenção rememorar fatos ou situações que fossem desagradáveis ou que pudessem trazer qualquer forma de ressentimento para o senhor. Apenas, uma questão básica sobre isso. Em 1777, quando estava no projeto da igreja das Mercês de Baixo, o senhor já estava sendo transportado pelos seus escravos?
AFL - Isso mesmo. Meu calvário começou em 1777 e só terminou com a minha morte em 1814. Tive 37 anos de sofrimento físico e de ordem psicológica grave. Cada vez mais grave e progressivo.
E - Foi então aí que o apelidaram de O ALEIJADINHO?
AFL - Uma crueldade inevitável. Compreendo que isso poderia ter acontecido. Sei, agora, que não faziam por mal. Entretanto, como eu poderia negar todas as evidências? E como eu poderia também aceitar uma verbalização frontal no meu desespero e na minha revolta? Não era apenas a dor física. Sentia-me feio, simplesmente. Horrível, medonho. Causador de compaixão. Nunca quis isso. Nunca aceitei essa caracterização. Se quiserem, podem continuar me chamando por esse apelido. Que posso fazer? Não me interessa mais se compreendam ou não. Para os séculos sei que não vou passar mesmo de um aleijadinho.
E - Melhor falar em trabalho, obras, projetos. São seus assuntos de preferência.
AFL - Vivi por eles, com abnegação total. A minha existência não teria motivo sem meu trabalho. As minhas talhas, minhas esculturas, minhas imagens de santos e, finalmente, os profetas do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas do Campo.
E - Nessa cidade mineira, distante 66 km de Vila Rica, estão as suas obras primas?
AFL - Acho que sim. Como artista, não posso desprezar nenhuma das minhas criações. Imagens de santos em talhas, portadas ou outras obras que realizei.Tanto em Vila Rica, como em Sabará, Caeté, São João del-Rey e muitas outras localidades importantes. Mas o Santuário de Congonhas do Campo é a síntese da minha expressão artística nesta vida de humanos. Entreguei-me a ela de corpo e, sobretudo, de alma.
E – Por que Congonhas do Campo?
AFL- O destino tinha que se cumprir. Tudo começou com um devoto minerador português Feliciano Mendes. Dizem que na vida não há encontros e sim, reencontros. O destino tinha que se cumprir. 
E - Que aconteceu com esse garimpeiro?
AFL - O minerador Feliciano Mendes, originário de Braga, fez uma promessa ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Curado de grave enfermidade contraída na própria mineração, decide dedicar sua vida ao culto do Senhor Bom Jesus e inicia em 1757, a construção da igreja de Congonhas, com a devida autorização das autoridades religiosas. Uma devoção a Cristo crucificado, venerado em santuários famosos do norte de Portugal, como os de Braga e Matosinhos. Ele mesmo iniciou a coleta de auxílios financeiros para a obra. Consta que ele abriu a lista com 60$000 (sessenta mil réis). 
E - Daí passou para um projeto do Sacro Monte?
AFL - Sim. Com a peregrinação de substituição. Se o devoto não podia visitar pessoalmente os lugares santos de Jerusalém, fazia suas orações na própria terra, em locais devidamente dispostos para esse fim.
E - Surgiu a ideia dos Passos ou pontos de parada de Jesus no seu caminho para o Gólgota? A Via Sacra?
AFL - Isso mesmo. A via dolorosa. Isso compunha o plano diretor do conjunto arquitetônico. Primeiramente, foram construídos o templo e o adro, com as escadarias. Com a conclusão dos Passos, mais uma etapa estava vencida. Observe que o conjunto arquitetônico teve início em 1757. Somente quarenta anos depois, iniciou-se a obra dos Passos. Um espírito superior sobrevoava os desígnios do santuário.   .
E - Quando você começou a obra dos Passos?
AFL - Em 1796, fui chamado para o término do projeto. E foi iniciado no dia primeiro de agosto desse mesmo ano. Com a ajuda dos meus oficiais.
E – O senhor já estava sexagenário?
AFL - Muitos poderiam duvidar de mim, da minha capacidade pela idade e pelas minhas condições físicas. Não dei ouvidos, nem pensei duas vezes e me embarquei para a cidade de Congonhas do Campo com todo meu pessoal, com minha obstinação e meu destino. Iria expor minha alma total e desnudada. Já que sempre quiseram me ver pessoalmente, vou me mostrar por inteiro, não só para meus contemporâneos, como também para toda a humanidade, pelos séculos afora.
E - Uma grande decisão?
AFL - Um velho aleijado, numa empreitada impossível! Mas, quando cheguei àquela maravilhosa colina, vi o horizonte se perder atrás de montanhas e montanhas sem fim. Então, ergui meu pensamento às causas impossíveis e entrei para o trabalho. Sabia que era um local predestinado. Impossível vislumbrar essa paisagem descortinada entre dobras de montanhas verdes, azuis e brancas no infinito sem suspirar as lágrimas de encantamento  e devoção a Deus. 
E - Trabalhou dia e noite?
AFL – Dia e noite num trabalho contínuo, em três anos. Assim, em 31 de dezembro de 1799, entreguei a primeira parte dos Passos da Paixão de Jesus.
E - São 66 estátuas de cedro, representando as cenas da Paixão de Cristo, distribuídas em sete grupos. Ceia, Horto, Prisão, Flagelação, Coroação de Espinhos, Cruz-às-costas e Crucificação. Três anos e cinco meses.
AFL - Isso mesmo.
E - Os profetas foram outro projeto?
AFL - Ao entregar o último lote das imagens, eu já estava com outro contrato nas mãos, para esculpir as estátuas dos profetas em pedra. Mais cinco anos de trabalho.
E - Mas as imagens dos Passos ainda não estavam terminadas totalmente?
AFL - A minha parte, sim. Elas estavam a céu aberto. Precisavam de policromia. Entretanto, de minha parte, pelo meu contrato, tudo estava concluído.
E - Suas imagens ficaram expostas sem proteção. Consta que uma devota, ao visitar uma dessas cenas dos Passos, julgou estar diante de um grupo de pessoas reais e tentou cumprimentar uma delas.
AFL - Pode ser verdade. Minha intenção era essa mesmo. Ter semelhança total com as figuras da época. Se tiver acontecido realmente, fico muito satisfeito em ter conhecimento disso.
E - Foi uma longa história o seu contrato para a obra dos Passos e do plano diretor em Congonhas do Campo, não é verdade?
AFL - Uma longa história.  E todas as histórias têm uma semente, um minúsculo sonho que fermenta e germina. Cresce e frutifica, quando bem cultivada. Foi iniciada em 1802 a construção de pequenas capelas para abrigar cada uma das cenas da Paixão. Só foram terminadas em 1818. Portanto, eu não tive oportunidade de vê-las.
E - Que pode dizer mais sobre essa história da construção das estátuas em pedra?
AFL - Com a responsabilidade de um contrato em mãos, tive que estudar a Bíblia com meus oficiais. Tínhamos gravuras para algumas cenas, como modelo. Mas, sempre prevalecia o imaginário. Agora, estávamos diante de profetas do Antigo Testamento. Quantos eram? Quantos seriam representados? Quais seriam escolhidos. Que posições gestuais iriam assumir? Tinha a intenção de representar posições de autoridade decisória, anunciando a vinda do Messias redentor, o salvador da humanidade. A harmonização entre o Antigo e o Novo Testamento.
E - Concentração, espiritualização, mediunidade?
AFL - Viajar pelo inconsciente, pelas gerações e gerações, até atingir o momento de alta significação mental, para que pudesse dirigir as minhas fragilizadas mãos pelo caminho certo e poder dar força expressiva aos meus profetas e poder ainda transportar fragmentos do espírito cristão até aos nossos dias.
E - E quantos profetas foram representados nas suas estátuas?
AFL - Apenas 12 profetas.
E - Mas, segundo o Antigo Testamento, são dezesseis.
AFL - Houve realmente um procedimento especial na escolha dos profetas. Não estou em condições de esclarecer esse fato. Houve ainda a presença de Baruc, que não era profeta, substituindo um deles.
E - Como estão posicionados no adro da matriz?
AFL - Seguem a ordem bíblica. Isaias e Jeremias estão no portal de entrada. Baruc está à esquerda e Ezequiel à direita. Depois, Daniel na parte central de honra e Oseias à direita. Amós, Abdias e Jonas estão nos ângulos laterais à esquerda. Finalmente, Naum, Habacuc e Joel estão em posições correspondentes à direita.
E - Quer dizer que não estão representados Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias e Miqueias.
AFL – Realmente não estão representados. Houve uma discrepância, Baruc era como se fosse um secretário de Jeremias. Ele não integra a lista de profetas.
E - Mas por que foi feita essas posições gestuais?    . 
AFL - Nos mistérios da Páscoa e do Natal, os profetas são invocados a testemunhar contra os judeus, dizendo cada um deles uma frase, extraída das profecias, representada por um rolo documental. Apresentam-se com gesticulação eloquente e porte de atores medievais.
E - São fantásticas as vestimentas e os diversos apetrechos de adorno.
AFL - Foram inspirados em documentos da Europa do Norte. Os patriarcas, com longos casacos e mantos, à moda turca. Debruados com faixas bordadas, com barretes em forma de turbantes. São figuras de Flandres, no Séc. XVII. A iconografia da Paixão baseia-se no evangelho de São João.            
E - Os profetas são trágicos nas suas feições e nas mensagens transmitidas pelo latim de suas cartelas. 
AFL - O vigor e autenticidade dos profetas estão em desacordo com um velho escultor debilitado e aleijado. Mesmo assim, são ameaçadores implacáveis do poder político e religioso, na devastação da vontade do povo na formação de uma república no Brasil e nos ideais de liberdade da época. Tudo arrasado pela força esmagadora, em trágicos acontecimentos que tive a oportunidade de presenciar na minha terra.
E - Houve outras obras, depois dos Profetas em pedra sabão?
AFL - Quase nada. Daí pra frente, a realidade do fim da vida tomou conta de mim e não tive mais forças para recomeçar, como tantas vezes o fiz. Um de meus escravos faleceu. Os outros foram alforriados, porque nem alimentação eu podia dar a eles. Cheguei ao fim da minha história. A partir de 1810 passei a viver de favores. Finalmente, nem de favores. Estava ainda vivo sem permissão de viver.
E - E seu meio-irmão, o padre Félix?
AFL - Não tive mais notícias dele, nem das minhas irmãs. Ninguém podia escutar os meus frouxos lamentos, tão frágeis e inaudíveis. Mesmo assim, encontrei uma pessoa abnegada, que me assistiu nos últimos dias de minha vida e na minha hora final.
E - Muito sofrimento, outra vez?
AFL - Nunca outra vez. Sempre tive dores pelo corpo inteiro, sem momentos de descanso. Minha nora Joana, mesmo com a sua extrema pobreza, teve  carinho, paciência e abnegação, com o resto do meu corpo infeliz. Foi carinhosa até a minha morte. Como cuidar de um velho deformado, de aspecto repugnante, sem as condições mínimas de higiene, com chagas abertas pelo corpo todo?. Me transportaram para a casa dela. Eu, entrevado. Um estropiado. Já estava cego. Como sobreviver? Para que sobreviver? Meu humor, minhas palavras de resignação desapareceram por completo da minha mente. Só reconhecia o desespero. Joana, mesmo assim, estava junto. Assim, numa hora oportuna, despedi-me do mundo e fechei meus olhos para sempre. Morri na privação mais extrema, num miserável catre feito de três pranchas de madeira, apoiados num tronco de árvore, onde sobrevivi por dois anos. Depois do dia 14 de novembro de 1814, já não estava mais aqui.  
E - Não é nossa intenção exigir mais depoimentos tão dolorosos como este. Penso que chega ao fim nossa carinhosa entrevista. Agradecemos de coração aberto. O senhor, um artista da escultura barroca do Século XVIII, nascido das minas ouro de Vila Rica, onde todos tinham as atenções voltadas para a riqueza fácil e imediata, Antônio Francisco Lisboa, dedicou-se exclusivamente, obstinadamente, à arte. Não ficou rico. Ficou famoso e laureado. Ficou reverenciado pelas gerações e gerações, com o testemunho das suas obras. Trouxe, agora, um momento de reflexão sobre o trabalho árduo e compulsivo, para as pessoas de qualquer ramo de atividade, na forma de mito e modelo.  Com firmeza e dedicação ao trabalho, o universo conspira, realmente, a seu favor. Gostaríamos agora de ouvir a sua mensagem de despedida.
AFL - Em vida, jamais teria dado uma entrevista e todos já sabem agora os motivos. Sempre tentei me envolver nas penumbras, de andar à noite e de trabalhar rodeado de tapume e fora da curiosidade dos meus contemporâneos. Muitas vezes fui grosseiro e áspero, na defesa dos meus princípios. Fui objeto de compaixão. Nunca desejei isso. Queria apenas que a minha obra fosse expurgada do desespero e do ódio pela natureza que me fez um ser hediondo. Assim, agora, neste momento, devo pedir, sim, apenas compaixão e pedir, ainda, que me absolvam por tantas iniqüidades que tenha cometido.  Para a humanidade, deixo as palavras dos profetas do adro do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, estado de Minas Gerais, eloquentemente mística e altiva.
E - Meus agradecimentos na eternidade!     




AS CARTELAS DOS PROFETAS

1.  ISAIAS  - ISAIAE, CAP. 6
CUM SERAPHIM DOMINUM, CELEBRASSENT A SERAPH UNO ADMOTA EST LABRIS FORCIPE PRUNA MEIS
Ordem direta
Cum seraphim celebrassent Dominum, admota est pruna a seraphuno labris meis forcipe.
Tradução
Depois que os serafins celebraram o senhor, foi encostada por um serafim ­­­uma brasa aos meus lábios por meio de uma tenaz
2 - IEREMIAS – IEREMIAS CAP. 35
DEFLEO IUDAEAE CLADEM SOLYMAEQUE RUINAMAD DOMINUMQUE VELINT QUAESO REDIRE SUUM 
Ordem direta
Defleo cladem ludaeae et ruinam Solymaeet quaeso velint redire ad Dominum suum
Tradução
Choro o desastre de Judéia e a ruína de Jerusalém e peço que queiram voltar ao seu senhor
3 - BARUC  -  BARUC CAP. I
ADVENTUM CHRISTI IN CARNE POSTREMAQUE MUNDI. TEMPORA PREDICO PREMONEOQUE PIOS
Ordem direta
Predico adventum Christi in carneet postrema tempora mundi et premoneo pios.
Tradução
Anuncio a chegada de Cristo em carne e os últimos tempos do mundo aviso os bons. 
4 - EZEQUIEL – EZECHIEL CAP.I
QUATUOR IN MEDIIS DESCRIBO ANIMALIA FLAMIS HORRIBILESQUE ROTAS AETHEREUMQUE THRONUM.
Ordem direta
Describo quatuor animalia in mediis flamis et horribiles rotas et aethereum thronum.
Tradução:
Descrevo quatro animais no meio das chamas e horríveis rodas e o trono etéreo
5 – DANIEL – DANIEL CAP. 6
SPELAEO INCLUSUS (SIC REGE IUBENTE) LEONUM NUMINIS AUXILIO LIBEROR INCOLUMIS
Ordem direta
Inclusus spelaeo leonum (sic iubente rege) liberor incolumis auxilio Numinis.
Tradução
Preso na cova dos leões, por ordem do rei, sou libertado incólume pelo auxílio da Divindade.
6 – OSÉIAS – OSEE – CAP.I
ACCIPE ADULTERAM, AIT DOMINUS MIHI ID EXSEQUOR ILLA, FACTA UXOR, PROLES CONCIPIT ATQUE PARIT.
Ordem direta
Ait Dominus mihi: accipe adulteram. Exsequor id, Illa, facta uxor, concipit atque parit proles.
Tradução
Diz o Senhor para mim: recebe a adúltera. Cumpro isso. Ela, tornada esposa, concebe e gera filhos.
7 – JOEL – JOEL CAP. I,4
EXPLICO IUDAEAE QUID TERRAE ERUCA, LOCUSTA BRUCHUS RUBIGO SINT PARITURA MALI.
Ordem direta
Explico Iudaeae quid mali eruca, locusta, bruchus, rubigo paritura sint terrae.
Tradução
Explico à Judeia o mal que a lagarta, o gafanhoto, o bruco e a alforra produzirão para a terra. 
8 – AMÓS – AMOS CAP. I
PRIMO EQUIDEM PASTOR FACTUSQUE DEINDE PROPHETA IN VACCAS PINGUES INVEHOR ET PROCERES
Ordem direta
Equidem factus primo pastor, deinde propheta, invehor in vaccas pingues et proceres.
Tradução
Na verdade, feito primeiramente, pastor, depois profeta, invisto contra as vacas gordas e os líderes.
9 – ABDIAS  -  ABDIAS, CAP. I
VOS EGO IDUMAEOS ET GENTES ARGUO: VOBIS NUNTIO IUCTIFICUM PROVIDUS INTERITUM
Ordem direta
Ego arguo vos, Idumaeos et Gentes: providus nuntio vobis  iuctificum interitum.
Tradução
Eu acuso a vós, Idumeus e Gentios. E vos anuncio, previdente, uma lutuosa ruína.
10 – JONAS – JONAS, CAP. I
A CETO ABSORPTUS LATEO NOCTESQUE DIESQUE TRES VENTRE IN PISCIS: TUM NINIVEN VENIO.
Ordem direta
Absorptus a ceto, lateo tres noctes et dies in ventre piscis, tum venio Niniven.  
Tradução
Engolido pela baleia, fico escondido três noites e três dias no ventre do peixe: então, chego a Nínive.
11 – NAUM – NAUM, CAP. I
EXPONO NINIVEN MANEAT QUAE POENA RELAPSAM EVERTENDAM AIO FUNDITUS ASSYRIAM.
Ordem direta
Expono quae poena maneat Niniven relapsam, aio Assyriam evertendam funditus.
Tradução
Exponho que castigo pesa sobre Nínive decaída. Digo que a Assíria deve ser totalmente destruída. 
12 – HABACUC – HABACUC 1.2
TE BABYLON BABYLON TE TE CHALDAEAE TYRANNE ARGUO: AT IN PSALMIS TE DEUS ALME CANO.
Ordem direta
Arguo te, Babylon, Babylon, te te, tyranne Chaldaeae at cano te in psalmis, alme Deus.
Tradução
Acuso-te, ó Babilônia, Babilônia, a ti, ó tirano da Caldéia. Mas canto em, salmos, a ti, ó Deus criador.  






BIBLIOGRAFIA
BRETAS, Rodrigo José Ferreira. Traços biográficos relativos ao finado Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido pelo apelido de Aleijadinho. Patrimônio Histórico e Artístico Nacional:, RJ, n.15, 1951.
LANARI, Cássio. Rodrigo José Ferreira Bretas biógrafo do Aleijadinho. Centro de Estudos Mineiros: Belo Horizonte, 1968.
JORNAL CORREIO OFFICIAL DE MINAS. Ouro Preto. Ano II, quinta-feira, 19 agosto, n. 169, 1858.
FERREIRA, Delson Gonçalves. O Aleijadinho. Rona Editora, 2a.edição: Belo Horizonte, 2001.
JARDIM, Márcio. Aleijadinho catálogo geral da obra. Editora RTKF: Belo Horizonte, 2006.
OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de. Passos da paixão Aleijadinho. Edições Alumbramento: RJ, 1989
ÁVILA, Affonso. Resíduos seiscentistas em Minas Gerais. Centro de Estudos Mineiros, 2 vol: Belo Horizonte, 1967.
CARPEAUX, Otto Maria. As sete cidades do ouro. Editora Itatiaia: Belo Horizonte, 2000
SALLES, Fritz Teixeira. Associações religiosas no ciclo do ouro. Centro de Estudos Mineiros – UFMG: Belo Horizonte, 1963.
MENEZES, Joaquim Furtado de. Igrejas e irmandades de Ouro Preto. IEPHA de Minas Gerais: Belo Horizonte, 1975 

8 comentários:

  1. muito bacana o seu blog Rogerio...
    Devagar estou lendo tudo, porque achei muito belo, as imagens e a historia.
    abracos..
    Lourdes _CLARA_

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  2. Parabéns Rogério, como sempre o seu bom gosto é maravilhoso.
    Abraço
    Vera Lucia

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  3. Esse foi o cara do século, o Michelangelo brasileiro. Visitei algumas cidade de minas para conhecer de perto as obras barrocas desse gênio. Parabéns pelo blog. Maneira interessante de expor a cultura mineira.

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  4. Belo txt ainda nao conheco mg. Quero ir a ouro preto

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  5. Estava pesq. E um link me trouxe neste blog. Gostei muito sou estud d artes no RS. Quero muito conhecer as obras deste gênio. Otimo texto,criativo e direto. Deu mais vontade de ijadinho de perto as obras de aleijadinho. Vlw.

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  6. As igrejas de minas são maravilhosas graças a este artista

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  7. olha Andreia.. rsrsrsrsrrs entramos juntas na pagina. Vamos visitar minas esta semana ai pesquisando. rsrsrsrs. bjs

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