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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

CONVERSAÇÃO - FALAR É FÁCIL

 As palavras são usadas para fazer rir ou chorar. Para ferir ou curar. Trazer esperança ou desolação. (Anthony Robbins)

As pessoas se projetam em suas palavras - nas palavras que usam.  As palavras formam os fios com os quais são tecidas as experiências. Sem conhecer a força das palavras é impossível reconhecer as pessoas.  As palavras que as pessoas escolhem moldam seu destino.



Conversar? Falar? As palavras, depois de proferidas, não são deletáveis. E as palavras são apenas 7% da comunicação. Mesmo assim, todo cuidado pode ser pouco. E a voz? A sua voz pode estar traindo você. “Ele era uma bela pessoa, até que falou.” Alguns fatores podem ser ressaltados para que uma simples conversa seja agradável e objetiva.



O ENTUSIASMO 

OS GREGOS CHAMAVAM O ENTUSIASMO: “DEUS INTERIOR”. DIFICILMENTE ALGUÉM TERÁ ÊXITO EM QUALQUER ATIVIDADE, SE NÃO CONTAR COM A FORÇA DO ENTUSIASMO, CAPAZ DE SUPERAR TODAS AS ADVESRSIDADES. QUEM SE APRESENTAR COM O COMPORTAMENTO FRIO, INSENSÍVEL, APÁTICO, INALTERADO, PROVACARÁ O DESINTERESSE, PORQUE ELE MESMO PARECERÁ DESINTERESSADO POR AQUILO QUE FALA. O ENTUSIASMO É UMA ESPÉCIE DE COMBUSTÍVEL DA EXPRESSÃO VERBAL.


CALIBRAÇÃO

DEVE-SER FICAR ATENTO AO INTERLOCUTOR, SUAS CARACTERÍSTICAS DE IDADE, SEXO, POSIÇÃO SOCIAL, VESTUÁRIO, FEIÇÕES FISIONÔMICAS, NO DESENROLAR DA CONVERSA, PARA AJUSTAR-SE A ELE.

A TEATRALIZAÇÃO/DRAMATICIDADE

ESTE TALVEZ SEJA UM DOS ITENS MAIS CONTROVERTIDOS DA COMUNICAÇÃO. O SEU ESTUDO PROVOCA DEBATES ACIRRADOS E NEM SEMPRE AS CONCLUSÕES ABRANGEM A UNANIMIDADE DAS OPINIÕES. EUFORIA, DECEPÇÃO, TRISTEZA, ABATIMENTO, ETC., SÃO COMPONENTES DA COMUNICAÇÃO. DEVERÁ OBSERVAR O AMBIENTE E AGIR DE ACORDO COM AS CIRCUNSTÂNCIAS, EM FESTAS, ATIVIDADES ESPORTIVAS, OU DE DOENÇA OU MORTE. 


A SÍNTESE – MEDIR AS PALAVRAS

FALAR DEMAIS? DIZER TUDO QUE FOR PRECISO, SOMENTE O QUE FOR PRECISO, NADA MAIS DO QUE FOR PRECISO É UMA TAREFA DIFÍCIL QUE PRECISA SER PERSEGUIDA COM OBSTINAÇÃO. A CAPACIDADE DE SÍNTESE, NO ENTANTO, NÃO ESTÁ LIGADA EXCLUSIVAMENTE AO TEMPO DA FALA. LEMBRAR QUE SEU INTERLOCUTOR PRECISA EXPRESSAR O INTERESSE PELA CONVERSAÇÃO. CASO CONTRÁRIO, ESTARÁ PREGANDO NO DESERTO.


O RITMO

O RITMO É A MUSICALIDADE DA FALA, É A COLOCAÇÃO MAIS OU MENOS PROLONGADA DAS VOGAIS, A PRONÚNCIA CORRETA DAS PALAVRAS, LEVANDO EM CONTA A SUA ACENTUAÇÃO, A ALTERNÂNCIA DA ALTURA DA VOZ E DA VELOCIDADE DE CADA FRASE. A VOZ DEVE FICAR ORA ALTA, ORA NORMAL, ORA BAIXA. RÁPIDA EM CERTOS MOMENTOS, LENTA EM OUTROS, FAZENDO COM QUE ESTE CONJUNTO MELODIOSO INFLUA NO ESPÍRITO E NA ACEITAÇÃO DO INTERLOCUTOR. 



VERIFICAR O TIMBRE E A SONORIDADE DA VOZ
O CONJUNTO HARMONIOSO DA PRONÚNCIA DAS PALAVRAS PROVOCA SENSAÇÕES DE ENCANTAMENTO. A VOZ DETERMINA A PRÓPRIA PERSONALIDADE DE QUEM FALA: ALEGRE, TRISTE, APRESSADO, SEGURO, ETC., A PRIMEIRA IDENTIFICAÇÃO DESTES COMPORTAMENTOS É TRANSMITIDA PELA VOZ. NOTE, ENTRETANTO, QUE O APARELHO FONADOR, EMBORA EXISTA PARA A FABRICAÇÃO DA FALA, É UMA ADAPTAÇÃO DO NOSSO ORGANISMO, E QUALQUER PROBLEMA DE ORDEM FÍSICA OU EMOCIONAL SERÁ IMEDIATAMENTE REVELADO ATRAVÉS DA VOZ.

A DICÇÃO

QUANTO À DICÇÃO, QUE É A PRONÚNCIA DOS SONS DAS PALAVRAS, NOTA-SE QUE A SUA DEFICIÊNCIA É QUASE SEMPRE PROVOCADA POR PROBLEMAS DE NEGLIGÊNCIA OU FATORES SÓCIOCULTURAIS. É COSTUME QUASE GENERALIZADO OMITIR OS “R” E OS “S” FINAIS, COMO, POR EXEMPLO, “LEVÁ” , NO LUGAR DE “LEVAR”, “TRAZÊ”, NO LUGAR DE “TRAZER”, “FIZEMO”, NO LUGAR DE “FIZEMOS”, DA MESMA FORMA QUE SE OMITEM COMUMENTE OS “I” INTERMEDIÁRIOS, COMO “JANERO, TERCERO”, ETC. OUTROS ERROS DE DICÇÃO SÃO A TROCA DO “L” PELO “U” E OMISSÕES DE SÍLABAS: BRASIU, CARNAVAU. ROTACISMO – TROCA DO “L” PELO “R” – CRÁUDIO, CREISSOM. LAMBDACISMO – TROCA DO “R” PELO “L” – TALDE, FOLTE. AH!!! E O SOTAQUE? O REGIONALISMO? CADA PESSOA MOSTRA QUEM É E DE ONDE VEM. VALE ESCONDER A ORIGEM? 

A VELOCIDADE DA FALA

OUTRA DÚVIDA QUE SURGE COM FREQUÊNCIA É QUANTO À VELOCIDADE CORRETA A SER EMPREGADA NA FALA: RÁPIDA, MUITO RÁPIDA, LENTA, MUITO LENTA. HÁ INTERFERÊNCIA DE FATORES CULTURAIS. ESTAR LIGADO NAS CARACTERÍSTICAS DO INTERLOCUTOR.


ÊNFASE

CADA FRASE POSSUI UMA OU MAIS PALAVRAS MAIS IMPORTANTES. DEPENDENDO DA PRONÚNCIA MAIS OU MENOS ACENTUADA DESSAS PALAVRAS, A MENSAGEM PODERÁ SER UMA OU OUTRA. ASSIM PODEMOS DIZER: ÊEENFASE OU ÊNFASE.
EXEMPLOS DE ÊNFASE

ONTEM EU FUI À ESCOLA DE AUTOMÓVEL COM MEU IRMÃO.
  1. HIPÓTESE: ONTEM EU FUI À ESCOLA DE AUTOMÓVEL COM MEU IRMÃO.
  2. HIPÓTESE: ONTEM EU FUI À ESCOLA DE AUTOMÓVEL COM MEU IRMÃO.
  3. HIPÓTESE: ONTEM EU FUI À ESCOLA DE AUTOMÓVEL COM MEU IRMÃO.
  4. HIPÓTESE: ONTEM EU FUI À ESCOLA DE AUTOMÓVEL COM MEU IRMÃO.
O VOCABULÁRIO

O VOCABULÁRIO CORPORIFICA E TRADUZ AS IDEIAS. O VOCABULÁRIO DEVERÁ SER O MAIS VASTO POSSÍVEL, EMBORA, MELHOR DO QUE SE TER UM VOCABULÁRIO RIQUÍSSIMO, SEJA SABER USAR O VOCABULÁRIO QUE TEM. NADA DE PALAVRAS DIFÍCEIS. DEMONSTRA COMPLEXO DE INTELIGÊNCIA.

Estas observações tentam alertar as pessoas para o uso mais correto das palavras. Entretanto, como foi dito, cada um dos seres humanos carrega as suas características de comunicação. Transformam-se em idiossincrasias. Nada mal. Cada povo no seu gueto fala no seu “jeitão”, como pode e como deve. (Observe que uma coisa é falar e outra coisa é escrever). Este fato pode ser considerado como o colorido das palavras. Além disso, os aparelhinhos eletrônicos estão corroendo as palavras e a conversação. Dentro em breve, haverá curso ensinando as pessoas a conversar. E não está longe disso. Eis o primeiro capítulo do CURSO DE CONVERSAÇÃO. 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

INDÍCIOS – SEMIÓTICA VII

O mito das provas. Elas representam indícios e podem ser construídas para aprovar ou reprovar. Em jogo a intencionalidade.



Semiótica envolve o estudo dos signos. Os signos envolvem símbolos, ícones e indícios.

Os indícios estão disponíveis à decodificação ou à interpretação de qualquer pessoa. Cada qual interpreta como pode, de acordo com seu nível cultural. Ou como lhe convém? Dependem, entretanto da acuidade perceptiva de cada ser humano. Assim, a visão, a audição, o olfato, a gustação e, finalmente, a cinestesia (peso, textura, etc.) ficam alertas. Cada qual no seu posto de observação e de vigilância. 
Uma nuvem que se torna escura e um relâmpago são indícios de chuva por perto. Pode não chover. Entretanto, os indícios estavam disponíveis e podiam prever chuva por perto. Houve indícios.
Uma febre que surge inesperadamente não é uma doença em si. É um aviso de que há alguma coisa que não está indo bem no corpo humano. É um indício. 
Onde há fumaça há fogo. É uma crença. Entretanto, pode não ser verdadeira, mas é um indício.

Uma radiografia e uma análise clínica revelam em seus resultados uma possibilidade, um indício. O diagnóstico médico torna-se evidente. Centenas e centenas de vezes esses métodos de análises clínicas foram feitos, repetidos, analisadas, testados e comprovados para depois poderem chegar a uma conclusão num formato ideal, que traga segurança na tomada de decisão, partindo de um indício, de uma suposição, de uma hipótese. Assim, qualquer medicamento ao ser colocado em uso passou por esse crivo, sendo cientificamente testado, experimentado e comprovado, a partir de um indício. O próprio diagnóstico é um parecer passível de comprovação e torna-se um indício.
As provas pedagógicas ou provas de seleção apresentam indícios de conhecimento, inteligência, capacidade profissional ou personalidade. Usam-se instrumentos indiretos que proporcionam alguma fidedignidade. Não deixam de serem indícios. Seus resultados, entretanto, tornam-se passíveis de interpretações diferenciadas. A fidedignidade será fruto de aplicações repetidas, a público assemelhado e delimitado, e em condições idênticas, para padronização e garantia de credibilidade nos seus resultados, como são feitos os testes psicológicos.
Em continuidade, também o olfato revela outro mundo de sensação e de percepções. Transportam indícios de fácil tradução, vindos pelo vento, pela natureza, pelos perfumes e por tantos outros odores, catalogados internamente. O olfato entrou em decadência quando o ser humano foi se transformando em bípede. Entretanto, forte ainda, é capaz de provocar as mais divergentes reações. O despertar do sexo, da volúpia, da libido. Ou da náusea e da rejeição. Representam indícios seguros para interpretação imediata.
E o paladar, pelo poder gustativo, representa outros poderosos indícios? A percepção de sal, de doce, de azedo, de amargo traz sensações agradáveis ou repulsivas. Há a sensação de alerta pela porta de entrada, a boca e a língua. Traz um indício poderoso, um vigilante atento e incorruptível, responsável que é pela administração e pelo bem-estar do corpo. Um descuido pode ser fatal. Cumpre examinar constantemente os indícios representados pelos variados sabores e aprovar ou reprovar sem piedade e sem cumplicidade. 
Em continuidade, ainda, há os futurólogos que são capazes de fazerem previsões. São pessoas cultas e estudiosas que estão analisando e prevendo acontecimentos, até mesmo o destino da humanidade. Suas teorias são indícios.
Há os meteorologistas que interpretam dados para o clima em qualquer parte do mundo.
Há os astrônomos que utilizam equipamentos sofisticados para alcançar as grandes distâncias do espaço e calcularem os fenômenos da natureza, a vida dos astros. Embora haja equipamentos que calculam com precisão, suas teses podem ser consideradas, algumas vezes, como indícios. 
A grafologia e a quiromancia especulam traços de personalidade, comportamento e previsões.

Horóscopo, cartas, tarôs, búzios? E os videntes? E as cartas jamais mentem? Seriam indícios? Tudo isso fala alguma coisa para alguém. Comunica e influencia.
Não há argumentos contra os indícios. Se houver um indício, existe uma possibilidade. Por outras vezes, mesmo sem indícios, as coisas acontecem. Entretanto, os indícios são inumeráveis e não catalogáveis.

Ah! E os sonhos? Trazem algum indício? Freud foi também um explicador de sonhos.
Assim, os indícios estão disponíveis. Cada qual tira as suas conclusões, dentro das possíveis controvérsias. E a discussão reforça as teses. 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

ENTREVISTA – SEMIÓTICA VI

Deve-se respeitar o entrevistado, pois ele é, para o entrevistador, a pessoa mais importante do mundo, naquele momento.

Entrevista é, antes de tudo, uma conversa profissional.
Ela pode ser realizada entre duas pessoas, entrevistador e entrevistado. Pode, também, ser uma entrevista coletiva. Mesmo assim, pressupõe-se um objetivo definido. Por que ou para que a entrevista está sendo realizada? Os motivos da entrevista são definidos entre as partes, antes de ela ser iniciada. Sem isso, sem essa combinação preliminar, terá resultados prejudicados, por assim dizer. Numa reunião bem-sucedida, entrevistador e entrevistado estão entrelaçados por uma linha invisível que os prende durante todo o tempo da entrevista. Trata-se de um transe hipnótico leve. Tanto um como o outro ficam inteiramente concentrados nas perguntas e nas respostas.
Outro fator importante que deve ocorrer para uma entrevista bem-sucedida, é a atitude do entrevistador. Ele é responsável pelo “rapport”, para evitar um possível aviltamento da sensibilidade do entrevistado. Esse “rapport” – palavra de origem francesa que significa uma conversa inicial, informal - antecede a qualquer relacionamento interpessoal. Pode parecer uma conversa inútil. Sim. Pode parecer uma conversa inútil, mas sem ela não configuram a confiança e disponibilidade do entrevistado. Rapport é fundamental na vida, em qualquer situação. Numa entrevista, principalmente. Não é chegar e ir logo ao assunto, sem saber quem é quem. Esse rapport não pode ser longo demais, porque, nesse caso, passa a ser uma conversa infindável e perde-se o objetivo do trabalho, já que a entrevista tem uma finalidade profissional e um objetivo predeterminado. Assim, inicia-se o transe hipnótico. Acomodam-se as partes, acertam-se os tons de voz, esclarecem-se os objetivos e, talvez, até a duração da entrevista.  Iniciada a entrevista propriamente dita, há algumas recomendações para o entrevistador que podem ser ressaltadas. Para o entrevistado não existem maneiras a serem recomendadas, porque ele deve ser espontâneo e será analisado em todas as suas atitudes. Claro que ele deve seguir alguns princípios para obter o sucesso que ele pretende alcançar. Entretanto, nesta oportunidade, o assunto se prende às maneiras adequadas que o entrevistador deve assumir, para obter uma entrevista bem-sucedida.
Algumas recomendações:
RAPPORT – como já foi explicitado, o entrevistador é responsável pelo comando do rapport, conversa inicial, preparatória, mas fora do contexto da entrevista.
TRANSE HIPNÓTICO – Muitos pensam que o entrevistado é que deve incorporar um transe hipnótico leve. Entretanto, o entrevistador deve estar, também, em transe hipnótico completo, estar ligado profundamente ao entrevistado, sem perder qualquer palavra ou gesto desse entrevistado. Deve ficar em plena prontidão.
AS PERGUNTAS – O entrevistador comanda a entrevista e tem as perguntas chaves a serem colocadas para o entrevistado. Deve, portanto, manter um tom de voz adequado ou calibrado com o entrevistado. Seguir o tom de voz do entrevistado. Copiar dele. Manter a mesma posição física que o entrevistado. Procurar espelhar, isto é, procurar fazer os mesmos gestos que ele fizer. Claro que deve fazer perguntas curtas, com palavras que o entrevistado possa entender. O entrevistador já captou o nível social e cultural do entrevistado, durante o rapport. Rapport não é uma ação inútil. Assim, perguntas longas podem ocasionar respostas curtas. Melhor seria se fossem perguntas curtas e para respostas longas.
REAÇÃO DO ENTREVISTADOR – O entrevistador deve estar consciente de que poderá ouvir qualquer tipo de resposta, desde as mais incoerentes e inadequadas, sem se assustar ou manifestar abertamente sua admiração. Acompanhar espelhando o entrevistado. As expressões faciais acompanham o desenrolar da entrevista, sem manifestação exagerada de aprovação ou recriminação. Agora, o entrevistador pode ter um momento de querer contradizer o entrevistado. Nada disso. Não é permitida a opinião do entrevistador. Ele não deve se intrometer na opinião do entrevistado, por mais diferente que seja a resposta da sua opinião. O entrevistador não é dono da verdade, nem tão pouco, precisa demonstrar sua sabedoria e seus conhecimentos. Isso ocorre com frequência. Técnica falha. Mesmo seguindo a lógica: se está perguntando é porque quer saber a opinião ou parecer do outro. Não discutir nada. Não responder pelo entrevistado. Isso é irritante para o entrevistado.
QUEBRA DO TRANSE HIPNÓTICO – Como foi dito, o entrevistador está em transe hipnótico e procura manter sua posição junto ao entrevistado, que também incorpora esse transe. Entretanto, se o entrevistador se descuidar, por um motivo pessoal qualquer ou, simplesmente, olhar pelo seu relógio de pulso, o entrevistado decodifica e escapa do transe. Quebra o transe. O entrevistador é o comandante da entrevista e, ao final, comunica que a entrevista está no final. Agradece. Isso é fundamental. Entretanto a quebra do transe, no auge da entrevista é considerada uma falha técnica. Ah! O telefone celular. Claro que uma chamada do telefone celular nem é uma quebra de transe, mas uma ruptura agressiva e decepcionante para o entrevistado. Imperdoável e falta de consideração.
PERGUNTAS COM RESPOSTAS – Há perguntas que possuem respostas implícitas. No caso, não é mais um questionamento e sim a busca de uma concordância. É uma pergunta mal-formulada, baseada na vontade do entrevistador para aceitação de suas concepções. Em princípio, numa entrevista bem-sucedida, o entrevistador não deve demonstrar a sua sabedoria, não deve ter nenhuma ideia fixa sobre o assunto e deve manter-se neutro. Casos há em que o entrevistado rebate a pergunta e, assim, passa a entrevistado do entrevistador. Reversão de procedimentos. Isso ocorre e é um caso de se pensar mais profundamente. O entrevistado envolve o entrevistador. Exemplificação: o médico, Hely Bonini, foi preso no período da ditadura e foi ouvido por um delegado. Pergunta vai, resposta vem. Até que o médico passou a discorrer com relação a um fato da medicina e o delegado distorceu o assunto e quis saber mais. Com pouco tempo, o médico estava perguntando ao entrevistador o que ele estava sentindo e acabou passando a entrevistador, dando uma consulta médica e uma receita para o entrevistador. Eis o fato. Reversão de procedimentos. O entrevistador é o comandante da entrevista. Não pode perder esse comando.
PERGUNTAS REPETIDAS 
– Outra vez? – pensa o entrevistado. Além disso, ele tira a conclusão de que está pregando no deserto e suas palavras estão sendo perdidas. Não está sendo ouvido com atenção. Além disso, pode haver perguntas indiretamente já respondidas. “Moro em Santo Antônio do Rio Abaixo”. Sim... Depois, passado algum tempo, o entrevistador pode perguntar: “Há quanto tempo você reside em Belo Horizonte?” – Demonstrou que o roteiro das perguntas está furado. E seguir um roteiro?
SEGUIR UM ROTEIRO – Quase sempre deve haver um roteiro discreto. Se for um roteiro por escrito, pior. Uma entrevista é única e corre livremente como um regato no seu leito natural, apesar de a entrevista ser sempre comandada. Finalmente, pergunta mal- formulada gera resposta mal-respondida.             
ANOTAÇÕES DURANTE A ENTREVISTA – Nas entrevistas de caráter psicológico ou médico são aceitáveis as anotações. Nas demais, torna-se motivo de desconfiança por parte do entrevistado. Também é motivo de quebra do transe.
ENTREVISTA DE  COMPRA E VENDA – Para a realização de uma transação comercial, verifica-se também um transe hipnótico. Muitas vezes, esse transe pode permanecer por maior tempo, até dias, enquanto se procura uma decisão final. Interessante é que a linha invisível que envolve as partes, esse transe, continua em pleno vigor. O rapport está preservado e pode ser reavivado muito rapidamente. Trata-se da continuação de uma entrevista e que se estende por mais tempo, até a sua conclusão ou fechamento.
OBSERVAÇÃO: Centenas de pessoas reclamam que foram mal-atendidas por recepcionistas incompetentes, por profissionais apressados ou atendentes mal-preparados. Os entrevistados, clientes, são, muitas vezes, invisíveis diante deles. Muitas empresas não percebem que o atendente e o recepcionista abrem ou fecham as portas da organização.   
Uma entrevista bem-sucedida faz amigos e confidentes.


terça-feira, 16 de julho de 2013

O SUCESSO NA COMUNICAÇÂO INTERPESSOAL – SEMIÓTICA V


As palavras que as pessoas escolhem moldam o seu destino. Sem conhecer a força das palavras é impossível reconhecer as pessoas.

As verdades são muitas. Cada um tem a sua. As palavras expressam verdades e constroem o intercâmbio constante de ideias, princípios e valores. Conversar é preciso. O respeito às verdades de cada um, também é preciso. Assim, cada pessoa pode obter mais resultado nas suas convicções, garantindo e confirmando amizades e respeito. Não existem leis para isso, mas recomendações não fazem mal a ninguém.
ENTUSIASMO – Os gregos chamam o entusiasmo como o “deus interior”. Ele é responsável pelo êxito de qualquer atividade e torna-se capaz de superar todas as adversidades.
O entusiasmo é uma espécie de combustível da expressão verbal.
Garante o sucesso de muitas pessoas que, possuindo atributos apenas razoáveis para a arte de comunicar, compensam suas fraquezas pela determinação animadora que emerge do seu interior, sempre contagiando a todos, pela força com que defendem as suas ideias.
É preciso apresentar cada mensagem como se estivesse carregando uma bandeira no campo de batalha. Vibrar a cada afirmação, envolver-se.
SÍNTESE – Dizer tudo que for preciso, somente o que for preciso, nada mais do que for preciso. É uma tarefa difícil que precisa ser perseguida com obstinação. A prolixidade é um fator de desgaste. A repetição é enfadonha e revela falta de recursos intelectuais. Perceber o bom retorno das suas mensagens para não exceder no reforço das argumentações. Muitas vezes é preciso tocar a campainha interna para alertar que chegou  o momento de parar.
RITMO – O ritmo é a musicalidade da fala e a colocação mais ou menos das vogais, a pronúncia correta das palavras, a acentuação, a alternância da altura da voz, a velocidade da articulação. É preciso aperfeiçoar o ritmo da fala dentro do estilo de cada um, aproveitando a energia, o timbre, a sonoridade da voz. Ninguém deve copiar ninguém, mas uma boa locução deve ser assimilada como modelo, para adaptação do seu próprio ritmo.
O conjunto harmonioso da pronúncia das palavras provoca reações imediatas. O ritmo faz parte do estudo da voz. Assim, a voz determina a própria personalidade de quem fala – alegre, triste, nervosa, apressada, segura, tímida, etc. A primeira impressão destes comportamentos é transmitida pela voz. O aparelho fonador, embora exista para fabricação da fala, é uma adaptação do organismo e qualquer alteração de ordem física ou emocional será revelada pela voz. Para que a voz adquira a qualidade desejada é preciso respirar adequadamente.
Pode existir falta de sincronismo fonorrespiratório que vem a prejudicar sensivelmente a fabricação da voz. Algumas pessoas falam quando ainda estão inspirando ou continuam a falar quando o ar já terminou.
A DICÇÃO -  Quanto à dicção, que é a pronúncia dos sons das palavras, nota-se que a sua deficiência é quase sempre provocadora de  problemas de negligência ou de fatores sócio-culturais. É costume quase generalizado de omitir o “r” e o “s” nos finais das palavras, como por exemplo: “levá”, “trazê”,  em vez de “levar” e “trazer”, assim como “fizemo” no lugar de “fizemos” e no plural dos adjetivos ou substantivos, como “as lagoa”, “os pato”. Além de não flexionar adequadamente os verbos: “os home chegaro”. Omite-se comumente o “i” intermediário, como “intero”, “janero”, no lugar de “inteiro”  e “janeiro”. Há outros erros de dicção provocados por regionalismos, como a troca do “l” pelo “u”, como “Brasiu”, “carnavau” e “r”, como “Cráudio”. Além disso, o regionalismo influencia fortemente a pronúncia do “r” intermediário, como “forte”, “tarde”. Essas alterações incorretas de pronúncia caracterizam geralmente a origem social e regional da pessoa que fala. Cada povo com a sua língua.
EXPRESSIVIDADE – Além desses aspectos é bom alertar para a expressividade dedicada às palavras dentro da frase. Cada palavra possui uma ou mais sílabas mais importante e que podem ser ressaltadas, sendo pronunciadas com mais destaque, segundo interesse pessoal. A mensagem pode adquirir outra conotação. Surge a ênfase em palavras cujo interesse deve ser valorizado. Exemplos:
- Ontem, eu fui à escola de automóvel com meu irmão.      
1ª. ONTEM, eu fui à escola de automóvel com meu irmão.
2ª. Ontem, eu fui À ESCOLA de automóvel com meu irmão.
3ª. Ontem, eu fui à escola DE AUTOMÓVEL com meu irmão.
4ª. Ontem, eu fui à escola de automóvel COM MEU IRMÃO.

VOCABULÁRIO – O vocabulário corporifica e traduz as idéias. Pode ser deficiente e não conseguir transmitir o pensamento corretamente ou, talvez, não encontre as palavras adequadas. O vocabulário deve ser o mais vasto possível, embora melhor do que se ter um vocabulário riquíssimo é saber usar o vocabulário que se tem. O vocabulário ideal não é riquíssimo, sofisticado, como se tivesse sido pesquisado nas profundezas do dicionário e, muito menos, pobre e vulgar. O vocabulário rico é útil para se compreender tudo aquilo que as pessoas falam ou escrevem, mas, nem sempre deve ser usado na expressão verbal, pois as pessoas não estão interessadas em palavras difíceis.
Como é que as pessoas poderiam ficar concentradas na mensagem se tiverem de preocupar com o significado de cada uma das palavras?

EXPRESSÕES EVITÁVEIS – Algumas expressões de uso comum podem ser evitadas na conversação em família ou entre amigos. Há expressões não recomendáveis, para as discordâncias normais que podem surgir. Trata-se da 

DISCORDÂNCIA FRONTAL -  Em princípio, uma discordância pode surgir a qualquer momento de uma conversa, mas não há necessidade de ser rechaçada com veemência imediata. Estas expressões podem ser evitadas socialmente: “discordo”, “discordo totalmente”, “sou contrário”, “você está errado”, “você está por fora”, “você está desatualizado”, “não”.
Mesmo que haja discordâncias, existem outros ângulos de visão para os mesmos fatos, ou para a mesma questão. Existem também outras expressões menos agressivas para demonstrar pontos de vista divergentes. Concordar com tudo também é difícil, pois as verdades são muitas e cada um tem a sua. A polêmica reforça as teses. Salve-se quem puder. As palavras são usadas para rir ou para chorar. Para ferir ou para curar. Para trazer esperança ou para trazer desolação.

Qualquer tolo pode fazer a sua regra de vida e se guiar por ela!

terça-feira, 21 de maio de 2013

SEMIÓTICA ll – COMUNICAÇÃO NÃO-VERBAL


Não há escapatória:

  • As pessoas são analisadas pelo que fazem
  • E também pelo que não fazem.
  • São analisadas pelo que falam
  • E também pelo que não falam.

Em ambos os casos, elas são também julgadas e até mesmo, muitas vezes, até condenadas. Esse possível fenômeno é extensivo para todos os seres humanos deste planeta Terra. Parece exagero?

Pois veja:

As palavras são apenas 7% da comunicação. Parece pouco, mas observe o efeito do sal na alimentação.
38% da comunicação interpessoal surgem pelo tom de voz, pela velocidade da fala e pela articulação das palavras.
55% finalmente, são representados pela fisiologia, ou melhor, pelo corpo que fala – a aparência geral, a idade, a origem étnica, as vestimentas, o cabelo/penteado, as expressões faciais – tudo fala alto e influencia a percepção imediata da comunicação.


DIÁLOGO INTERNO

E esse diálogo interno? Com quem as pessoas mais conversam durante toda a sua existência?
Consigo mesmas, pelo impertinente e intermitente diálogo interno. Impossível é afastar essas vozes internas que permeiam o pensamento dos seres humanos – acordados ou mesmo dormindo. As ideias fluem e se debatem. Quem seria o vencedor desse debate interno? Quanto mais o debate se estende maior será a indecisão. Há, pois, a necessidade ecológica de ajustamento para as concordâncias e os acordos também internos.
Há pessoas que debatem mais do que outras. Assim, pode-se dizer que têm um diálogo interno grande ou forte. Pensam demais e agem de menos.
Entretanto, há também pessoas que têm esse diálogo interno pequeno, fraco ou simplesmente, menor. Logo, pensam menos e tomam decisões mais rapidamente. Muitas vezes, até precipitadamente. Mesmo assim, têm mais capacidade de ação.
Exemplificando, veja o caso de Hamlet de Shakespeare e de Dom Quixote, de Cervantes.
Hamlet, de tanto dialogar consigo mesmo, nunca chegou a assumir o trono da Dinamarca, como teria por direito pela morte do rei, seu pai, também de nome Hamlet. “To be or not to be” era assim o seu pensamento constante. Indecisão. Dúvida.
Já Dom Quixote agia sempre precipitadamente. Numa oportunidade, mediante uma turbulência inusitada que se percebia pela estrada, ele começou a atirar nesse suposto inimigo. Eis quando foi advertido pelo seu escudeiro, Sancho Pansa: “Calma, Dom Quixote! Esse barulho todo é de uma banda de música que vem tocar na festa do seu aniversário.” E Dom Quixote lamenta: “Ai, Diós, já matei três!”
A literatura contribui com esses modelos. Pensar é preciso. Navegar também o é.


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