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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

O TRANSE HIPNÓTICO LEVE



O transe hipnótico leve anda solto pelos campos e pelas praças. Todo cidadão ou cidadã tem em mãos esse poderoso instrumento de comunicação e, muitas vezes, obtém sucesso garantido. 


Milton Erickson, (1901 – 1980), revitalizou e desmistificou a hipnose de modo suficientemente abrangente, disponível para a humanidade, sem os mistérios e preconceitos atemorizantes. 
Na prática, existem transes hipnóticos leves, médios e profundos. Cada qual tem as suas características e aplicações, principalmente terapêuticas. Dispõe-se de técnicas especiais que devem ser conduzidas por pessoas com formação adequada. 
Entretanto, o transe hipnótico leve está disponível para qualquer pessoa. Observe um atendente de um consultório médico que recepciona um cliente. Ele ou ela, nesse momento, após um rapport breve, concentra toda atenção nesse cliente, para preencher o formulário previsto para a função. Nesse momento, estabelece-se uma linha de relacionamento hipnótico, entre o atendente e o cliente. Ambos ficam em transe. Transe bilateral, sendo que o cliente já vem preparado para isso. A partir desse momento, passa a existir uma linha invisível entre eles. Nada pode partir essa linha, nesse momento, sem causar um rompimento imediato do transe. Terminada a operação, o cliente fica livre, mas a linha invisível ainda os prende. 
Ele, o cliente, pode se afastar enquanto aguarda o atendimento médico.. Não poderá se ausentar sem pedir licença ao atendente que detém a linha invisível. 


Quebra de transe 
Durante a operação, os participantes devem evitar a quebra do transe. Basta olhar o relógio, desviar o olhar, atender telefone, ouvir e atender a uma pergunta feita por terceiros. Parte-se a linha de imediato. Um recomeço nunca será igual. Um trabalho profissional de alta competência, evidencia-se, automaticamente, um transe hipnótico leve. Numa entrevista de qualquer natureza, pressupõe-se de imediato a existência de transe bilateral. Tanto o entrevistado quanto o entrevistador estarão envolvidos e concentrados. Qualquer interrupção causará a quebra do transe.  Num processo de compra e venda, o transe participa imediatamente. Na concentração de interesses, as partes se integram, cada uma com os seus objetivos. Um vendedor atento não quebra transe. Além disso, qualquer relação interpessoal pressupõe um transe. Quem estiver mais preparado obtém o sucesso desejado. 

Quanto dura um transe
Um transe pode ser fechado em segundos ou durar por anos. Num negócio de compra e venda de maiores proporções, os participantes podem manter a negociação por um tempo indeterminado, segundo o interesse das partes. A linha imaginária pode sobreviver, até mesmo sem uma decisão final. Passado um tempo, mesmo longo, o cliente retorna para reiniciar um negócio. O rapport é refeito de imediato. 

Como se inicia um transe 
Um transe inicia pela porta do cliente. O cliente traz o tema. Isto quer dizer que não se deve sugerir um tema para iniciar um transe. Ele tem que ser trazido pelo cliente. 

Existe um local adequado para iniciar um transe? 
O local é a própria vida. Onde estiverem as partes, na praça Sete, num ônibus, numa viagem, numa pescaria. As condições externas não interferem desde que as partes estejam de acordo. Pode ser um transe mais longo ou partido em pedaços, isto é, iniciado, terminado e recomeçado. Num restaurante, pode-se observar quais as pessoas que estão em transe, em sintonia, pela simples inclinação do corpo, procurando ouvir a outra com atenção. Caso haja afastamento, com inclinação para outro lado, constata-se a dispersão de interesses. No primeiro caso, estão em transe, no segundo, um procura e o outro não corresponde, e no terceiro, nenhum dos dois está em transe. 
Um grupo de várias pessoas pode estar em transe absoluto sem que haja uma ordem para isso. Nem comando. Imagine-se a concentração de interesses do público num campo de futebol. Não se perde um lance. Além disso, tudo é gravado nas retinas com emoção visualizada e memorizada. 
Por fim, há referência de um médico que estava operando um cliente. Nesse momento, houve uma tempestade e ocorreram distúrbios na clínica. Parte dela foi atingida por um raio e a água invadiu a sala. Quando esse médico terminou a operação, assustou-se com o ambiente pelo ocorrido, pois ele não tinha percebido nenhum distúrbio, enquanto operava. 
Na educação familiar ensina-se ouvir integralmente as pessoas, com toda a atenção possível. Eis mais um transe natural. Os bons profissionais seguem espontaneamente os preceitos do transe leve.


quinta-feira, 28 de março de 2019

ANCORAGEM

Todas as vivências de uma pessoa são registradas no cérebro. As mais importantes ficam ancoradas e as demais ficam disponíveis num lixão mental, para eventual evocação. Nada é descartado definitivamente.


Ancoragem é termo náutico. Âncoras são instrumentos necessários às embarcações para paradas estratégicas. Daí a sua força como modelo a ser usado para significar também uma parada técnica nas ações do pensamento humano.
Nada mais comum é uma pessoa dizer: “estou ancorado nesta empresa há dez anos”. Uma metáfora perfeitamente inteligível. A abrangência desta metáfora vem produzindo efeitos diversificados no pensamento humano. 
Uma lembrança, qualquer que seja, pode ficar ancorada na mente de uma pessoa, por um motivo que somente ela vai saber por quê. Essa lembrança ancorada é revivida, acoplada a outro acontecimento. Assim, sempre que essa pessoa passa em determinado local, sua mente é assaltada por essa imagem ancorada. Esses momentos ancorados, essas lembranças são acessadas por uma quantidade de fatores inimagináveis. Um som, uma paisagem, uma fotografia, um vento, um sol ou uma noite estrelada, um perfume. Cada estímulo produz uma lembrança ancorada, isto é, relembrada com a emoção específica.
A ancoragem é uma das técnicas da PNL (Programação Neurolinguística), utilizada para criar ou modificar respostas associadas à um estímulo. Inconscientemente estamos expostos à ancoragem, por exemplo, quando ouvimos uma música e nos emocionamos, porque ela nos faz lembrar de alguém ou de uma situação importante. Quando ouvimos essa melodia, nossas emoções retornam no tempo e voltamos a sentir a mesma coisa do passado. Sentir um perfume ou aroma pode nos fazer lembrar algo distante e nos fazer voltar ao mesmo estado emocional dessa época.
Tal fato não diz que as vivências diárias são esquecidas. Aquelas que forem julgadas sem importância ou relevância são jogadas num lixão mental e aí ficam disponíveis para eventuais acessos. Nada pode ser considerado perdido da memória. Poucas pessoas podem se lembrar da cor de sua escova de dentes que usava no ano anterior. Isto significa que essa pessoa tinha uma escova de dentes mas a característica dela foi deletada. A voz de uma pessoa ao telefone pode ser identificada imediatamente. Ancorada e revivida num momento.
Uma aplicação psicológica da ancoragem pode ser criada para efeitos diversos. Por exemplo: marca-se um ponto qualquer do corpo para acessar uma lembrança desejada. Assim, todas as vezes que se tocar nesse ponto, vai se lembrar do que foi imaginado. Pessoas há que fazem um anel de papel de guardanapo enrolado, que coloca num dos dedos para se lembrar mais tarde de um acontecimento previsto, a compra de um presente para o aniversário de alguém. Outras, fazem uma pinta com a caneta sobre o dorso de uma das mãos para não se esquecerem de algo de deverão fazer na sua jornada. Outras, ainda, fazem tantas marcas de tinta que custam a se lembrar do que representam, mas estão consignadas.


Fatos desagradáveis acontecidos com as pessoas têm ancoragem garantida. Tal ancoragem torna-se um martírio e motivo de abatimento, de depressão ou de fobia. Luta-se para se livrar delas, por meio de técnicas de terapia breve, com efeitos imediatos. 


Referências
Apostilas do curso de Master em PNL do professor Walter di Biasi
Zeig, Joffrey K. Seminários didáticos com Milton H. Erickson. Livraria, editora, promotora de eventos. Campinas SP, 1995
Debates e discussões de participantes do curso sobre a ANCORAGEM     


quinta-feira, 22 de novembro de 2018

ESPELHAMENTO EM PNL

A gentileza é um hábito social. A finesse, palavrinha de origem francesa, abre oportunidades sem limites. A gentileza e a finesse abrem corações de ferro. Custa muito? 

Uma entrevista ou uma conversa informal tem por meta alcançar entendimentos e até amizades consistentes. Seja lá com quem for. Em qualquer lugar e em qualquer oportunidade, sem exceção. De que maneira? 

Uma das iniciativas de Richard Bandler e John Grinder, ao sistematizar o formato da modelagem na PNL (Programação Neurolinguística), foi pesquisar as melhores maneiras de se obter sucesso nas relações interpessoais. A observação dos procedimentos de pessoas que obtinham melhores resultados nesse campo resultou na criação das técnicas de calibração e, principalmente, de espelhamento. 

A técnica do espelhamento consiste em manter atitude semelhante ao interlocutor. Pode parecer fácil ou simples, mas há cuidados e detalhes a serem observados. Antes de tudo, há que ser um observador com acuidade perceptiva bem focada. Ter focada a observação visual, auditiva e cinestésica. Sem perder nada.


No campo visual, deve-se acompanhar as feições do rosto do entrevistado, suas emoções, seu modo de olhar, até o modo de respirar. Acompanhar o seu respirar, no mesmo ritmo. Difícil? Depende de a pessoa estiver atenta e mesmo em transe hipnótico leve. Isso mesmo. Em qualquer entrevista ou mesmo conversa entre amigos ou familiares, um transe hipnótico leve ocorre sem se pressentir. Se não ocorrer, o fracasso é imediato. Assim, cumpre manter as mesmas maneiras de comportar que o seu entrevistado. Tudo isso sem que ele perceba que está sendo imitado ou espelhado. Se olhar o relógio, mesmo discretamente, quebra-se o rapport. Não deve nem desviar o olhar para qualquer coisa. 

No campo auditivo é importante ouvir tudo que o entrevistado falar. Entender e concordar. Nada de contestar ou discordar. A contestação ou discordância de qualquer ponto de vista é fatal. Quem está sendo entrevistado tem o direito de dizer o que pensa em toda a sua plenitude. Ele tem a palavra e para isso está sendo entrevistado e ouvido. O tom de voz deve ser acompanhado. A característica da voz e da gramática deve ser privilegiada. Isso mesmo. Se ele pronunciar uma palavra de modo inadequado, acompanhe-o. Se ele pronunciar “adevogado”, por exemplo, use assim esse vocábulo quando tiver oportunidade. Acompanhe-o nos vícios de linguagem e mesmo num leve sotaque nos “esses e erres, s e r”. De leve, com sutileza, para que ele não perceba. (A confiança e participação vêm nas pessoas que se parecem conosco.) 

Na cinestesia há o cuidado de manter a mesma postura física, o mesmo movimento com as mãos, a mesma movimentação geral. Há pessoas de pouco movimento, outras mais agitadas. Qualquer que seja, tem sua característica revelada. Acompanhe-a.


Em conclusão: seja entrevistado ou entrevistador, o espelhamento vai ajudar a encontrar um entendimento. Numa conversa informal, familiar, os papéis se misturam e cada um, pode procurar espelhar o outro, alcançando-se pleno entendimento, em harmonia e gentileza. 

Observação: a técnica do espelhamento, em princípio, facilita e favorece o entendimento entre pessoas. É também um recurso que pode ser utilizado para obter o consentimento e aceitação de ideias ou preceitos. Nos negócios ou transações comerciais chegam-se a bons resultados. Os políticos são um exemplo de praticantes.



Referências 
Apostilas do curso de Master em PNL do professor Walter di Biasi 
Zeig, Joffrey K. Seminários didáticos com Milton H. Erickson. Livraria, editora, promotora de eventos. Campinas SP, 1995 
Debates e discussões pertinentes a espelhamento 
 


quinta-feira, 15 de novembro de 2018

RESSIGNIFICANDO

Os seres humanos são submetidos a situações complicadas a cada dia e a válvula de escape é mesmo reinterpretar a realidade para o bem de sua saúde mental. 

Ressignifcando, em PNL (Programação Neurolinguística), é, em princípio, uma técnica que estuda o fato de uma pessoa interpretar acontecimentos por uma ótica que lhe convém. Faz a sua terapia e navega sobre consequências que lhe parecem mais adequadas. 
Esta reinterpretação de fatos está aberta para todos. Por isso, saber utilizar essa técnica pode abrir novos caminhos para o ajustamento pessoal. 
O que precede esse estudo vem do “aliquid pro aliquod” – isto por aquilo. Uma coisa pela outra. Quando uma pessoa diz que pagou um milhão em imposto de renda significa que ela está ganhando muito dinheiro nas suas atividades profissionais. Isto significa ou isto quer dizer. Uma reinterpretação. Não é só isso, assim tão simples. Muitos fatos agravantes para uma pessoa podem ser lidos por ele de forma diferente. Os presídios estão cheios de inocentes. 
Nem tudo está perdido. Há situações mais brandas em que as pessoas, na procura de justificativas, encontram um caminho mais suave para se salvar da condenação pessoal. Mesmo sem muito esforço, pode encontrar apoio para um novo itinerário, para sua reestruturação e para alcançar mudanças nos rumos de sua vida. E seguir em frente, com sucesso.
Cita-se uma fábula de um camponês, muito simples, que tinha um só cavalo e com ele arava a terra para o cultivo e, assim, conseguia a sua subsistência. Num dia, vieram lhe dizer que o cavalo tinha fugido. O camponês respondeu: “sim!” Passados alguns dias, vieram lhe contar que o seu cavalo tinha voltado e que trouxera com ele alguns cavalos selvagens. A isso, o camponês disse: “sim”. Dias depois, o seu filho cai do cavalo o quebra a perna. A isso, o camponês disse: “sim”. Logo depois, chegaram militares, recrutando jovens para a guerra, e encontraram o jovem com a perna quebrada e, por isso, foi dispensado. Novamente, o camponês disse: “sim!”. Houve constante reversão da expectativa, uma outra visão quanto aos fatos. 


Há pessoas que assistiram ao filme italiano, “ A vida é bela”, estrelado e dirigido por Roberto Benigni. O filme traz modelos dessa técnica, “Ressignificando”, em várias cenas contundentes no seu desenrolar. É um filme que trata de um judeu, Guido, e seu filho, Giosuè, em 1939, presos, em pleno período de guerra, na Itália. Guido e o filho vão para um campo de concentração. Guido ressignifica tudo para evitar constrangimento a seu filho, e transforma cada situação em um jogo com o filho e combinaram as regras do jogo. Quem fizer mil gols terá um prêmio: um tanque de guerra. Prêmio que a um simples homem preso seria impossível alcançar. As infelicidades diárias fazem parte do jogo. E brincam com a vida e a morte, transformando cenas dramáticas em situações próprias das regras do jogo. E vivem ressignificando. No final, em cena dramática, de iminente perigo, Giosuè se esconde, como numa estratégia do jogo, e é resgatado por um batalhão americano que o salva e o transporta, vitorioso, vitorioso sim, num enorme tanque de guerra, como seria um troféu do jogo imaginado. Muitas cenas do filme são exemplos vivos de ressignifiação, num claro modelo de modificação da realidade em função de outra interpretação dos acontecimentos. Autoterapia disponível para uso diário. 
Ressignificando, mudam-se as condições adversas da vida, com outra percepção e com outra perspectiva para mudar os rumos e as metas a atingir. Acreditar que tudo tem fases e facetas alternadas, formas e figuras matizadas e que cada pessoa tem régua e compasso para medir, avaliar e propor enfrentamentos e, sobretudo, que nada é impossível, quando se quer. Assim já o disse Jimmy Cliff: “You can get it, if you really want”. Não acreditar em fantasmas! Tudo tem jeito. Eis a maior força positiva dessa técnica, Ressignificando. 
Os seres humanos são submetidos a situações complicadas a cada dia e a válvula de escape é mesmo reinterpretar a realidade para o bem de sua saúde mental. Há pessoas que transformam situações mais delicadas do decorrer da vida afetiva ou profissional, em abrandamento ou em eufemismos até mesmo fora do contexto. Uma irregularidade administrativa pode ser transformada em perseguição política, segundo a ressignificação que achar mais conveniente para si. O convencimento interior torna-se uma forma de terapia. Solidifica, confirma e convence. 




Referências
Apostilas do curso de Master em PNL do professor Walter di Biasi. 
Interpretações referentes ao tema Ressignificando, em discussões e debates de participantes. 




quarta-feira, 31 de outubro de 2018

MODELAGEM NA PNL

 Cada povo ou nação tem os seus modelos, permanentes ou temporários, e por eles se miram. se comportam e se definem.




Richard W.Bandler, (1950, New Jersey, EUA) o criador da PNL (Programação Neurolinguística), iniciou suas pesquisas procurando padronizar uma metodologia para a modelagem. Posteriormente, associou-se ao professor de Linguística, John Grinder, (1940) para, juntos, encontrar e fundamentar a estrutura básica da própria PNL. A modelagem foi, por assim dizer, o ponto de referência e de partida.

INTRODUÇÃO
O ser humano, querendo ou não, consciente ou inconscientemente, está sempre a cata de modelos. Com isso, a modelagem inicia-se no leite materno. Segundo Freud, a estrutura da personalidade do ser humano está formada até os três anos de idade. Seria como se fosse o alicerce de uma casa. Daí pra frente, as condições socioculturais vão dar sequência àquilo que ele estabeleceu em sua planta de casa. Palacete ou choupana. Tudo vai depender dos modelos que ele encontrar no seu desenvolvimento: encontrar, aceitar, admirar, incorporar e entronizar.
Assim, ninguém deixa de ter um modelo na sua passagem de criança a adulto. Do herói ao anti-herói. Ou melhor, qualquer vilão pode ser um herói, um modelo, para um outro ser humano. Vai admirá-lo e entronizá-lo nos conceitos, princípios e comportamentos.
Em situações de desenvolvimento, a criança passa a admirar os pais e a confiar neles. Identifica, reconhece e aceita a sua condição social e financeira. Nesse processo, passa a valorizar com mais admiração o pai ou a mãe. Modelando sempre.

NA SOCIEDADE
O teatro da vida abre suas cortinas para o público em geral e cada pessoa admira o comportamento, os princípios e valores de algum ator ou atriz. Julga: condena ou absolve. De qualquer maneira, está chamuscado por alguma tintura. Seus modelos interiores falam mais alto nos julgamentos. Não há escapatória. O tribunal interno está em pleno funcionamento dia e noite. Esse tribunal é inevitável. Assim ocorre em termos de religião, política ou esporte, etc. Modelagem ao vivo.


MODELAGEM INTENCIONAL
Este tipo de modelagem vai surgir em função de interesses pessoais. Modelar uma pessoa de sucesso, de alto conceito intelectual ou físico tem as suas barreiras e limitações. Pode-se modelar o terapeuta, Lair Ribeiro, em vários segmentos ou atitudes. O tom de voz, o modo de vestir, a gesticulação, as expressões faciais, o modo de andar, a finesse no tratamento interpessoal, o brilho dos olhos, etc. Mas o conteúdo de suas palestras? Isso é outro lado da medalha. A experiência profissional, a formação em medicina, os estudos e o sucesso na vida afetiva e profissional não está no jogo. Se tal modelo está livre, o modelador teria que se graduar em medicina, exercer a profissão e depois, julgar-se semelhante a Lair Ribeiro. Semelhante ou parecido. Nunca igual. Um jogador de futebol pode modelar o famoso Pelé, podendo alcançar até melhores resultados do que o próprio mestre. Assim evolui a humanidade. Antes de tudo, surge a admiração.


TÉCNICAS DE MODELAGEM
Para a realização da modelagem intencional seguem-se técnicas que a PNL preconiza, baseando na sistematização de Richard Bandler e John Grinder. Organizaram fases de observação integral ao modelo. Foram sistematizadas as técnicas de CALIBRAÇÃO e de ESPELHAMENTO, em decorrência. Detectaram, ainda, formas de comunicação verbal para o sucesso das atividades profissionais, terapia gestalt e terapias breves, fobias etc. Nessas pesquisas, não se referem à Semiótica em suas linhas conceituais, mas chegaram a pontos muito próximos. Valorizaram a linguagem, antes mesmo que linguística, que é apenas uma vertente da Semiótica. Na modelagem, tudo fala. A linguagem, a voz, o tom de voz, finalmente, a própria fonética. Tudo produz indícios, que os alfabetizados atentos e focados conseguem ler ou decodificar. Por isso mesmo, a modelagem é a própria vida. Cada povo, em sua nação, escolhe seus modelos, mitos, heróis, ícones e símbolos, permanentes ou temporários e, por eles, se miram, se comportam e se definem. De Jesus a Judas.

Obs. As informações e as interpretações não podem se restringir a um círculo de giz (*). A extrapolação é a abrangência e a elasticidade do conhecimento. Na campimetria visual, dimensiona-se a extensão da percepção. Há espelhos para todos se mirarem. 

(*) circulo de giz – um método de abate do peru que era utilizado no interior Brasil, onde a ave ficava embriagada e presa num circulo desenhado no chão.



Referências
Apostilas do curso de Master em PNL do professor Walter di Biasi
BOONE.R.Daniel. Sua voz está traindo você? Editora artes médicas sul ltda.Porto Alegre, 1991.

sábado, 27 de outubro de 2018

RAPPORT

RAPPORT - Palavrinha de origem francesa, capaz de abir a caixa preta de sentimentos e emoções.


A PNL ou Programação Neurolinguística – foi criada e desenvolvida na década de 70, na Universidade Santa Cruz – Califórnia (EUA). A fonte inspiradora de sua criação, ou do seu descobrimento, foi o interesse na modelagem.

Modelagem? Sim, verificar modelos de pessoas de sucesso e procurar identificar seus padrões de comportamento. Como essas pessoas trabalhavam e como desenvolviam suas atividades no dia a dia. Um método de observação ou de imitação. Copiar, no sentido mais exato. Daí, foi elaborada a técnica do espelhamento. 

Não seria conveniente imitar pessoas de baixo rendimento ou  pessoas que não tinham sucesso nos seus empreendimentos. Parece óbvio, mas isso foi a ponta do iceberg. Daí começou tudo. Um lado da neuropsicologia e outro da linguagem. E muita observação e sistematização de resultados.

Vários pontos de relevância foram detectados. Estabeleceram-se técnicas para alcançar os melhores padrões de resultados. Para início de uma conversa, nada seria mais importante do que a técnica do RAPPORT. Uma palavrinha de origem francesa que significa  “relacionamento”. Aqui, busca-se “bom relacionamento”.

Antes de se iniciar qualquer atuação, abordagem ou tratamento, um bom relacionamento é fundamental. Sem isso, como diria popularmente, “tudo vai para o brejo”. Conta-se que para trazer um bezerro ao curral, leva-se uma garrafa de leite. Por isso, abro este estudo, fazendo algumas observações sobre o rapport.

RAPPORT - Qualquer abordagem interpessoal inicia-se com uma conversa qualquer, fora do contexto, mas que o visitante o  traz em sua bagagem mental.

PRIMEIRA PALAVRA - Antes, um “bom diiiia”. Observe que o tom de voz e a entonação desse “bom dia” vêm carregados de sentimentos identificáveis imediatamente por qualquer pessoa. Há muitas espécies de “bom dia”. Do ríspido, do autoritário, do agressivo, do formal, do amigável, do receptivo, do doce, do veludo e do mel. Por isso, qualquer pessoa, criança ou adulta, identifica o invólucro dessa simples saudação inicial. Algumas pessoas pensam que não há necessidade de tantas reverências. Mas são duas palavrinhas só e precisam ser envolvidas em cores e sabores especiais. Daí pra frente, tantas coisas vão depender disso. Isso faz parte da linguagem, simplesmente. Nem é linguística. Custa caro?

CONTINUANDO - Continuando com esse “bom dia”. O rosto das pessoas não mente. O visitante, cliente, amigo, familiar, ou quem quer que seja, decodifica seu estado interior de forma imediata, total e verdadeira. Os músculos da face dizem tudo o que a pessoa pensa. As expressões fisionômicas falam. Por isso mesmo, esse “bom dia” vem com as cores e os sabores de sua mente. Fotografados. Pense nisso.

CONTINUANDO O RAPPORT – Depois do “bom dia” quem está recebendo a visita, deve abrir a sua caixa de receptividade. “como vai? Tudo bem? Muito prazer em te ver, etc”, convidando para entrar e sentar. Movimenta-se. Culturas orientais exigem reverências e curvaturas da coluna. 

ORELHA EM PÉ – Entrar num transe leve, ou, concentrar-se totalmente, inteiramente. O visitante vai falar alguma coisa. Deixe-o falar. O papo inicial é uma fita gomada. Deve descobrir uma referência qualquer desse visitante e agarrá-la para formular uma pergunta simples para inicio de conversa. Isso significa que o assunto inicial deve ser trazido pelo visitante. 

INÍCIO DE CONVERSA – Esse início de conversa é informal e nada tem a ver com o assunto a ser tratado. Não se deve polemizar nem discordar em nada do que o visitante disser. Simplesmente estar ligado ao assunto, sem dar o seu  próprio parecer, ficar em sintonia, e focado. Ouvir tudo e com total atenção.

DURAÇÃO DO RAPPORT – Essa conversa inicial tem um tempo de terminar para, logo depois, tratar do assunto relevante da reunião ou visita. O assunto vai esfriando e aproveita-se para entrar no tema principal. Tem um limite de tempo. Um rapport longo ultrapassa a sua necessidade e perde-se tempo. Pode tornar-se monótono.

QUEBRA DE RAPPORT – Basta olhar o relógio, mesmo disfarçadamente, que o rapport vai por água abaixo. Quebra-se o transe. Atender celular, nem pensar. Olhar para fora, nem pensar. O rapport é um fio muito tenro e quebra-se ou rompe-se facilmente. É uma linha que vai abrir um relacionamento. Todo cuidado é pouco. Recomeçar é sempre mais difícil.

UM BOM RAPPORT – É meio caminho andado para o sucesso. Dele podem surgir boas amizades.

VIGÊNCIA DO RAPPORT – Um bom rapport pode ter vida curta e desaparecer  nessa primeira visita. Ele seca naturalmente. Entretanto, em alguns casos, um rapport pode permanecer vivo por muito tempo ou por muitos anos. Assim, o visitante encerra um negócio, mas pode iniciar uma amizade duradoura. Daí pra frente, o pré-rapport permanece vivo no inter-relacionamento de pessoas ou grupos.



Referência
Apostilas do curso de Master em PNL do professor Walter de Biasi., 1994. Belo Horizonte

quinta-feira, 1 de junho de 2017

COMPORTAMENTO POSITIVO

Todo comportamento tem uma intenção positiva. 
Como juntar num mesmo balaio as intenções positivas dos heróis, dos santos e dos bandidos malfeitores?


Tal assertiva, “todo comportamento tem uma intenção positiva” como um pressuposto da Programação Neurolinguistica(PNL), envolve uma derrubada de modelos que vai deixar muitas pessoas assustadas ou incrédulas. Intenções positivas? Como aprofundar o pensamento dentro dessa direção? Pois no inconsciente de cada pessoa só é autorizada a execução de ações que passarem no seu crivo de julgamento como sendo as corretas e adequadas para aquele momento.  Parece um círculo de giz, onde fica paralisado um peru. Não encontra alternativa de fuga, de saída, com melhor resultado. Fica parado e preso. 

Todas as pessoas têm uma ecologia interna que garante a manutenção e equilíbrio do seu sistema. 

Assim, há necessidade de surgir uma melhor solução, naquele momento, colocando esse sistema em funcionamento. Cada pessoa tem capacidade para tomar qualquer decisão na sua vida. Para ela, tudo será feito corretamente. E zaz!!! Vai em frente. Cria argumentos e justifica cada um deles, de acordo com o seu termômetro, no seu próprio tribunal interno. Pode manter um diálogo com os seus “diabinhos” que vagueiam no seu pensamento. Pode ser também um monólogo, dada a sua força de convicção. Surge, para ele, naquele momento, a autorização para a execução. O julgamento foi realizado. Os seus juízes podem dar a sentença. Não está em jogo a qualidade intencional desses juízes do seu tribunal. As ações imaginárias nascem do inconsciente e caem no poder judiciário, inevitavelmente. É o primeiro passo desse itinerário. Se essas ações forem aprovadas, quando passadas nos crivos dessa peneira, a sentença vem imediata, pronta, límpida, para ser colocada em prática, no poder executivo. Essa sentença tem, consequentemente, uma intenção positiva para essa pessoa, naquele momento, qualquer que seja ela.

Complicado? Nem tanto.
  • “Vou comprar uma moto hoje. Tenho condições financeiras. Ou posso comprar a prestação? Há muitas motos no mercado, a bom preço. Transporte individual e rápido. Sim... o trânsito está pesado, eu perco muito tempo no traslado até minha loja. Vou economizar com despesas de ônibus ou táxi. Ganho tempo. Tempo é vida. Vou viver mais. Posso chegar a casa mais cedo.” Eis o tribunal em ação. Entram, logo, os advogados de acusação:  “Olha o perigo! Acidentes. Já tem licença para dirigir motos? Primeiro, a habilitação. E assaltos? E dia de chuva? E o frio do vento? E esse capacete pesado que tem que usar?”  E por aí vai o processo, aumentando precariedades. A ecologia interna. Quem vencerá? A vitória será uma intenção positiva, qualquer que seja ela.
  • Muitas vezes, não há tempo de convocar um tribunal e a decisão tem que ser imediata. Uma senhora, assediada grosseiramente na rua, deu um tapa na cara de um homem desconhecido.
  • Um homem invade uma residência, agride, mata e rouba. O seu tribunal autorizou essa ação. Para ele, na sua concepção, provinda da sua formação, da sua ecologia interna, era uma oportunidade imperdível.
  • E Hitler? Julgava-se defender, aumentando o seu poderio militar num desejo de se vingar de agressões de nações impertinentes? Pelo sim, pelo não, o tribunal interno desse “führer” estava em dia com as suas melhores e mais positivas intenções. Convicto e inflexível.
  • E o presidente Truman despencou uma bomba atômica em cima de Hiroshima, em 1945. Intenções positivas? Para ele, naquele momento, seria um comportamento mais do que positivo e oportuno na arte da guerra. Como herói repousa em seu “pantheon”.
  • E o lobo diante do cordeiro, cá em baixo, que sujava a água que ele bebia lá em cima? Razões também imaginárias. 
  • Por que um jovem escolhe uma profissão? Medicina ou uma carreira religiosa? Vai ser médico ou ser padre? Tudo passa por julgamentos. Vence a melhor decisão para ele, naquele momento, no tribunal da sua ecologia interna. 
  • E a decisão de São Francisco de Assis? Abandonou tudo, família, riqueza, poder. Com os pés descalços, sol inclemente, estrada de pedregulhos. Depois a neve, o sofrimento. O desejo de servir à sua maneira. Seguir o seu caminho, prestando ajuda a quem quer que seja. Foi autorizado pelo seu tribunal, em intenções positivas, ecologicamente.
Eis a questão!!! Se todo comportamento tem uma intenção positiva, todos têm o direito de se julgarem inocentes, internamente. Pesquisa realizada num presídio nos EUA, com criminosos de alta periculosidade, revelou que quase todos se julgavam inocentes e foram vítimas de um ato inconsequente. Alguns ainda diziam que fariam tudo da mesma forma como tinham feito. Ninguém se condenava internamente. Alguns culpam uma leitura mal interpretada da sentença do seu tribunal. Podem lamentar-se.

Por outro ângulo, constata-se que, de arrependidos, o inferno está cheio. 


Comportamento positivo

Todo comportamento é positivo
Tanto estranho que possa parecer 
E faz esse agente então perceber
Que ele se tornou mais competitivo.

Hitler não cometeu nenhum deslize
Napoleão expande o território
Bomba atômica, acidente ilusório,
Caiu do céu, foi o que Truman disse. 

De arrependidos o inferno está cheio!
Sempre fazendo o que julgava certo
E o ser humano justifica o meio.

Nos campos de guerra há uma mina perto
E alguém está colhendo um pranto alheio
Só pensando em si, julgando-se esperto.



Referências:

Seminários didáticos com Milton H. Erickson. Zeig.Jeffrey R.Psy II, SP
A estrutura da Magia. Bendler. R e Grinder. J.   
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