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sábado, 29 de setembro de 2018

OS LIVROS


Os livros são os veículos que transportam as informações e o conhecimento da humanidade, através dos séculos. Portanto, inegavelmente, são impulsores do desenvolvimento humano.


Uma reverência imediata a Johannes Gutemberg (1398 - 1468), em reconhecimento pelo invento da prensa, por volta de 1450, na Alemanha. Daí pra cá, o mundo vem se transformando rapidamente. Agora, transformando dia a dia, tão rápidas são essas mudanças. 
Por mais assustador que possa parecer, esse livro está na mira do desenvolvimento tecnológico do século 21. Que fazer? Aguardar? O tempo, neste século, acabou. Tempo subdividido, fragmentado em tantas motivações diferentes que não há um minuto pra mais nada. Tudo correria. Nada de ficar parado, sentado. Se dormir no ponto, a carruagem passa e vai embora. Alcançá-la vai ser difícil. Tantas coisas para ver, ouvir, atualizar, aprender, modificar. E deletar e reaprender. São modificações repentinas. Algumas, inacreditáveis. 
Não se escolhem vítimas. Jovens e adultos estão no mesmo barco. Os jovens se misturam no seu mundo de novidades, mas os adultos sofrem os maiores impactos. Têm que jogar fora, têm que descartar conceitos, hábitos, informações a cada momento. Tão apegados a isso que os faz sofrer ao resistir. Adaptação somente a ferro e fogo, tudo pela sobrevivência. Ao negar, serão relegados.

E como ficam os livros? 

Há tentativas de salvamento, prevenindo-se uma derrocada fatal. Ainda se pensa que a humanidade não sobrevive sem eles. Existem centenas de eventos com o incentivo à leitura e ao livro. Encontros, seminários, feiras e bienais. 
A educação hoje é centrada em livros. Entretanto, o poder do mundo econômico e a luta pelo lucro têm colocado as editoras, as fábricas dos livros, numa encruzilhada. Isso, em controvérsia, tem feito uma derrocada na educação. O maior mercado livreiro é realmente centrado no livro didático para os estudantes do ensino fundamental. Por isso, a carga de marketing caiu sobre os jovens. O reflexo atinge os pais ou o governo financiador. Os empresários do setor editorial acharam a mina.
Os atuais livros didáticos, mesmo aprovados e distribuídos pelo Ministério da Educação, estão merecendo considerações especiais. Apresentam deficiências generalizadas, principalmente quanto a aspectos formais. Pesadões, disformes, inaproveitáveis. Parece pouco, mas as mochilas dos estudantes são cargas inacreditáveis. Ninguém pensou nisso? Em síntese, parece que o estudante é um burro de carga. Conteúdo? Sem comentar detalhadamente, estão envolvidos em quadros de cores diversificadas, supondo-se que essas formas coloridas são a modernidade. Triste engano. Páginas abarrotadas de informações que não dão descanso ou alívio ao estudante. Tem pai que é cego e nada vê e nada reclama. Há diretores de estabelecimentos que participam ou se envolvem e professores indefesos. Finalmente, o IDEB (Índice de desenvolvimento do ensino básico) no Brasil vai continuar rastejante. Mesmo para a leitura e para as contas. O estudante do ensino público não passa da primeira página. E os estudantes amam os seus livros ou estão preferindo o mestre Google? Ou o whatsapp? Tão competentes e serviçais. Disponíveis a qualquer hora do dia ou da noite.
Assim, com tantos algozes, como tirar o livro da mira do desenvolvimento tecnológico? As editoras, também, por sua vez, estão indo com muita sede ao pote. 

domingo, 22 de julho de 2018

O LIVRO IMPRESSO


Desde Gutemberg (1398 – 1468), que lançou a prensa àquele mundo moderno, os livros tornaram-se os veículos transportadores de conhecimentos e de informações, através dos tempos. Tanto a humanidade se transformou desde essa época! Mas, esse próprio instrumento vem sendo ameaçado de morte. 

A prensa de Gutemberg, na época, poderia ser comparada com uma impressora a laser de última geração, disse-o Bill Gates, (1955). Por meio dela, o conhecimento e a tecnologia vieram se acumulando e arquivando informações capazes de chegar a modelos que revolucionariam a própria humanidade. Fatalidade – neste século 21, o livro descobriu que está em fase de perda de poder e em fase de transformação.  
O desenvolvimento da tecnologia de informação e comunicação (TIC´s) tomou conta de todo processo. O que é mais acintoso é a suplantação, em técnica de guerra, sem nenhum preceito de condescendência ou de piedade. A tecnologia nem pede licença. Arrasa, destrói, pede passagem e ainda se vangloria. Hoje, o texto integral de um livro pode estar contido num pequeno pendrive, menor do que uma caixa de palitos. Um livro inteiro? Não só um livro. Uma livraria ou uma biblioteca. Pode ser enfiado num simples notebook, que pode ser carregado debaixo do braço, transporta uma biblioteca, para onde quiser. Ou, até mesmo, com seu pequeno smartphone. E tudo isso não é mais novidade nenhuma. Dessa forma, um leitor pode ler Tolstoi completo enquanto passeia de barco no Pantanal.  Além disso, um empresário pode estar administrando sua empresa ou investindo em ações da bolsa de qualquer parte do mundo, mesmo estando dentro de um barco, pescando nesse mesmo Pantanal brasileiro ou caçando leões na África. 
Para que carregar um livro apenas? 
E para onde irão as famosas enciclopédias? Para o museu, possivelmente, e a nova ganhou espaço, transformou-se na Wikipedia, ganhou espaço. E as bibliotecas? Para ambientes adaptados a outras atividades, ainda não definidas, ou virou o Google? E bibliotecários? Desempregados ou aposentados. A salvação pode vir pela transformação em novos modelos de uso e de aproveitamento. 
Estima-se que, em breve, o incalculável acervo cultural da humanidade pode caber num num simples chip, e ainda sobrar espaço.  E como acessar? Um simples toque de dedo. 
Os livros podem chorar, mas os leitores assistem a tudo e aplaudem. Triste destino nesse final de vida. Como reagir? 
E como ficam os leitores? Eles estão encontrando tantos formatos, com abrangência pode se dizer infinita, que não vão ter mais tempo para tudo. Os leitores hoje são dominados pela avidez. Querem tudo e rápido. Quando não conseguem o que querem em uma fração de segundos, passam para outra forma de procura. A impaciência é uma das características desse novo leitor. 
E quando essa época vai chegar? Já chegou! E continua avançando e mudando a cada dia. O que se faz hoje amanhã será diferente. E o que se aprende hoje não serve para amanhã. Os aparelhos ficam obsoletos de um dia para o outro. Vão para o lixo ou para os museus. 
Memorizar é algo dos séculos anteriores. Hoje, é apenas transformar. Nada é para sempre. Nem para amanhã. E nem existe apego a sua máquina. Vem uma nova e a velha é descartada impiedosamente. As crianças de hoje já nascem apertando botões. Os idosos se escondem com medo dessas máquinas, como se fossem mortíferas. 
A grande tese da humanidade, neste século, é adaptação. Quem não se adapta desaparece, sem dó nem piedade.






terça-feira, 11 de abril de 2017

ENTREVISTA COM NICÁCIO GÖEBEL


Entrevista realizada com o jovem Nicácio Göebel, personagem do romance ficção “EM NOME DO FILHO”, 3i editora, Belo Horizonte, 2014.



Ele, um amparado em família, mas que, independentemente dessa condição, não deixou de ser um adotado. Sente-se um intruso no leito familiar. Aceito compulsoriamente por parentes, mas sempre lhe deram o título de adotado. Isso mesmo. O adotado é um vaso de porcelana. Belo e frágil. Nunca sujeito a intempéries.

Vejamos a sua percepção do seu mundo!!!



Entrevistador - Tudo bem, Nicácio? Podemos conversar um pouco hoje?
Nicácio - Claro que sim. Nesta noite de sábado, sempre estou só mesmo.
Ent - Você me disse que é adotado. Quem são seus pais biológicos? Chegou a conhecê-los? 
Nic – Nunca vi a cara do meu pai e nem tenho nenhuma lembrança da minha mãe. Nem fotografia dela eu já vi. Nem nunca me interessei em ver. Não me importo com eles. Nenhuma afeição me despertam.
Ent – Não faz diferença para você?
Nic – Pode parecer uma história perversa para quem não tem o sentimento à flor da pele. Eu penso demais e me martirizo por isso, a cada dia que envelheço. Não posso negar. Hoje estou mais maduro e ainda mais revoltado. Nem sei se fico me queixando dessas grosserias da vida.
Ent – Algum acontecimento que magoa?
Nic – Tantos acontecimentos decorrentes que me marcaram a ferro e fogo. Para começar, sou gêmeo univitelino. Meu irmão foi meu amigo e companheiro por algum tempo. Tempo suficiente para deixar um vazio insuportável no meu coração.
Ent – Que aconteceu?
Nic – Minha mãe biológica colocou os dois filhos num balaio e deixou na porta de uma irmã. Depois, sumiu no mundo. Falo assim em sentido figurado porque não posso me lembrar quando nem como isso aconteceu. Soube mais tarde que ela arranjou um marido alemão se sumiu com ele.
Ent – Nessa época você não poderia reconhecer a sua mãe. 
Nic – Não conheci a minha mãe biológica, posso dizer isso com certeza absoluta, porque esses dias não ficaram marcados na minha memória. Como isso poderia ter acontecido? Não sei e nunca procurei saber. Nunca me fez falta. Não sei como era a cara dela. Não me lembro de ter ouvido a sua voz. Não me lembro de um afago, de um beijo sequer. Nem uma fotografia. Se chegasse às minhas mãos, eu a rasgaria em mil pedaços. Não sei se o meu irmão tem alguma coisa dela. Eu nunca quis ver a cara dela. As cartas que ela me mandava eu rasgava na hora da chegada. Nem abria. Num impulso de violência, destruía na hora. Ódio? Isso e mais um tanto de ingredientes que fervilhavam na minha mente e que me fizeram perder tantas noites de sono. Azedavam o meu humor. Sentia-me rejeitado. Rejeitado é pouco na expressão natural. Fomos jogados fora. Encontramos um novo lar com a minha tia, cheia de filhos, que nos acolheu.
Ent – Encontrou pais adotivos? Foram adotados?
Nic – Fui crescendo sem saber de nada, mas um sentido extra me impulsionava para a desconfiança, para a incerteza, para a dúvida. Passei a não acreditar em ninguém e a perceber que me olhavam de maneira diferente.
Ent – Nenhuma lembrança da sua mãe biológica?
Nic – Devo ter tido alguns dias de convivência com ela, de ter podido sentir seu cheiro, seu carinho, sua afeição. Ela desapareceu e isso foi um desastre para mim e que atingiu a estrutura da minha personalidade, mesmo sem ter consciência disso. Devo ter chorado demais. Como posso reviver essa separação? Faço um esforço de memória, querendo ir ao fundo do meu inconsciente, ao grande porão das lembranças rejeitadas e adormecidas e não consigo vislumbrar nada. Escuro total.
Ent – Percebo que sua mãe vive em você.
Nic – Minha mãe, minha vida. Não vê-la nunca foi um castigo imposto a mim e ao meu irmão. Minha mãe adotiva nunca recriminou a minha mãe. Cuidou de mim como se fosse um dos seus filhos, em igualdade de tratamento. Eu devo ter sido uma criança agressiva e agitada. Falo por mim, porque o meu irmão tomou outro caminho na vida.
Ent – Que aconteceu com seu irmão?
Nic – Outro papo difícil e de amarga desventura. E meu irmão? Uma mágoa feroz ronda a minha imaginação e minha privacidade intelectual de sentir abandonado, de ser novamente rejeitado. Ninguém pode me entender, sei disso.
Ent – Sim, mas o que aconteceu com seu irmão?
Nic – Pois aconteceu mais um fato doloroso na minha infância que muito me abalou. Fomos separados. Nem uma lágrima eu deixo cair, hoje, por ele, meu irmão. Não existem mais lágrimas. Penso que naquela idade eu percebi a separação. Será que eu tenha percebido que meu irmão foi levado embora, para longe de mim? 
Ent – Foram separados?
Nic – Uma separação! Este foi também um acontecimento doloroso. Um tio, que morava no estado do Paraná, resolveu adotar um de nós. Não fui eu o escolhido.
Ent – Seu irmão foi levado embora?
Nic – Meu tio não tinha filhos e escolheu um dos gêmeos para levá-lo em seus braços. Eu fiquei. Meu irmão foi embora. Sumiu. E onde está ele agora? Não sei. Há quarenta anos que não sei por onde ele anda nem o que ele faz. Fiquei sabendo que teve graduação superior e que completou sua formação no exterior. Nada mais. Foi bem orientado na vida. Só isso. Ele sabe onde estou e pode me procurar quando quiser. Ou se quiser. Eu me sinto constrangido de procurá-lo. Há esse tempo todo que não ouço a sua voz. Digo que não sinto mais a falta dele. Podem ser palavras falsas de minha parte. Ou que sejam palavras ditas sem pensar. Mas, no fundo, no fundo do coração, falando muito francamente, ele é a única pessoa que existe neste mundo, capaz de me emocionar. Mas, mesmo assim, nenhuma lágrima eu deixo cair por ele, agora. Sei ou imagino que ele seja muito mais feliz e próspero do que eu.
Enc – Pensa voltar a vê-lo algum dia?
Nic – No meu orgulho de rejeitado, afasto-me da ideia de revê-lo um dia, mas ainda não morri. Tudo pode acontecer. Deixo que os ventos façam a sua parte e que soprem a meu favor.
Ent – Foi uma covardia!
Nic – Meu tio foi cruel comigo. Cruel e desumano. Não o perdoo. Eu me martirizo por essa decisão. Mesmo consultando meu inconsciente, meu coração magoado, mesmo assim, como juiz, eu o condeno. Foi uma covardia dele, sim. Pegar duas crianças, órfãs de pai e mãe, gêmeos abandonados, e propor uma separação? O único vínculo de afeição ceifado abruptamente? Foi cruel, além das suas imaginárias boas intenções.
Ent – Você permaneceu com a sua tia?
Nic – Daí pra frente, virei um dos filhos de Fausto Leonísio Brasco, o marido da minha tia, Amélia Göebel. Ah, sim, esqueci de dizer. No meu registro de nascimento, consta como pai, o tio Fausto e mãe, Amélia. Sou grato a eles. Sem eles, o que seria de mim? Mas é mais uma mentira que porto nos meus ombros pela minha vida afora. Oficialmente, não sou adotado. Sou integrante da família. Isto pela vontade dos pais adotivos, não dos meus supostos irmãos. Era uma grande mentira que eu atribuo como se fosse mesmo uma trapaça. 
Ent – Nicácio, grato pelas suas palavras carregadas de sinceridade e de emoção. Podemos ainda, em outra oportunidade, continuar essa nossa conversa confidencial e fraterna?
Nic – Se houver interesse de sua parte, ainda podemos conversar. A minha jornada sempre foi tumultuada, mas cada pessoa tem seus fantasmas, a sua verdade ....e nela sobrevive com deve. Grato por me ouvir.

  

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

DEZ LIVROS CONSAGRADOS DA LITERATURA BRASILEIRA



A literatura internacional desconhece as obras e os autores do Brasil nas listagens, divulgadas por diversos veículo de comunicação, dos livros mais importantes já editados. Alguma injustiça? Onde se encontram as obras e os autores de centenas e centenas de academias literárias espalhadas pelo Brasil afora? 


A literatura conta a história de um povo no seu habitat, mesmo não intencionalmente. Assim, cada autor elege os seus temas e assuntos mais significativos no seu meio cultural, em representação de sua nacionalidade. Também, cada leitor, por sua vez, faz a escolha de suas peças favoritas, de acordo com as suas preferências


1 -  O ATENEU
RAUL POMPEIA - RIO DE JANEIRO - 1863/1895

Publicado pela primeira vez em 1888, conta a história de Sérgio, um menino que é enviado para um colégio interno renomado na cidade do Rio de Janeiro, denominado Ateneu. Era dirigido pelo professor Aristarco, o colégio mantinha regras rígidas. A história é narrada pelo personagem principal, Sérgio, já adulto, relatando sua vida no internato, em primeira pessoa e de forma não linear. Romance impressionista, na turbulenta vida de internato, com um diretor severo e autoritário.

2 -  MENINO DE ENGENHO
JOSÉ LINS DO REGO – PARAÍBA - 1901/1957

Carlinhos, em sua idade adulta narra sua história, que começa no Recife e passa pelos engenhos nordestinos. Carlinhos, aos quatro anos, estava em casa quando seu pai assassina sua mãe com um tiro. Seu tio Juca vai buscá-lo para ir morar com seu avô materno em seu engenho, chamado Santa Rosa. O ambiente rural é muito bem retratado, ressaltando-se os moleques com quem ele brincava, os passeios de trem, os banhos de rio, as idas à escola, os conflitos com sua tia megera. A história é narrada em primeira pessoa pelo próprio Carlos – narrador-personagem (Carlos não é Lins do Rego) -  que vai deixando suas impressões a respeito dos ambientes em que viveu, num um tom de crítica, mostrando a triste e decadente realidade que o personagem presencia.
RESUMO DA OBRA 
3 -  MANELZÃO E MIGUILIM –  CAMPO GERAL
GUIMARÃES ROSA – MINAS GERAIS - 1908/1967

Miguilim, narrativa profundamente lírica, pertencente à obra Manuelzão e Miguilim, Campo Geral traduz a habilidade para recriar o mundo captado pela perspectiva de uma criança.  A emoção e o poder das palavras compõem um universo próximo ao dos poetas e dos loucos, em Miguilim. Essa temática encontra um de seus momentos mais brilhantes e comoventes. É uma espécie de biografia de infância - que alguns críticos afirmam ter muito de autobiográfico -, centrada em Miguilim, um menino que morava com sua família no Mutum, um remoto lugarejo no sertão. Era deficiente visual e não sabia. Os óculos e a descoberta de  um mundo novo.
RESUMO DA OBRA 

4 -  OS SERTÕES
EUCLIDES DA CUNHA –RIO DE JANEIRO -1866 /1909

Em Os sertões, o tema principal é a Guerra de Canudos, um verdadeiro retrato do Brasil no fim do século XIX. Discute problemas que transcendem o conflito que ocorreu no interior da Bahia. A obra narrativa mistura literatura, Sociologia, Filosofia, História, Geografia, Geologia e Antropologia. Por isso sua preciosidade e grandiosidade. O autor, adepto do determinismo, teoria que afirma ser o homem influenciado (determinado) pelo meio, pela raça e pelo momento histórico. Dividiu Os sertões em três partes; 1- A terra (o meio), 2- O homem (a raça), 3- A luta (o momento).
RESUMO DA OBRA

5 - O SENHOR EMBAIXADOR 
ÉRICO VERÍSSIMO - RIO GRANDE DOO SUL - 1905/1975

É um romance publicado em 1965. A história está focalizada no mundo diplomático e a ação se desenvolve paralelamente em Washington e na fictícia República de Sacramento, localizada nas Antilhas. O tema central é o estado deplorável das republiquetas latino-americanas, corruptas, instáveis e ditatoriais. O personagem principal é o embaixador, Gabriel Heliodoro, amigo do ditador que governa a pequena república.
RESUMO DA OBRA

6 - O ENCONTRO MARCADO 
FERNANDO SABINO - MINAS GERAIS - 1923/2004

Um jovem escritor, Eduardo Marciano, está em procura de si mesmo e da verdadeira razão de sua vida. Quase absorvido por uma brilhante boêmia intelectual, seu drama interior evolui subterraneamente, expondo os equívocos fundamentais que vinham frustrando sua existência e sufocando sua vocação. Ele vê seu matrimônio quebrar-se quando já não pode abdicar; por força de sua própria experiência, o suicídio deixa de ser uma solução. Nessa paisagem atormentada, ele deve renunciar a si mesmo, para comparecer ao encontro com uma antiga verdade.
RESUMO DA OBRA 

7 - O CORTIÇO
ALUÍSIO  AZEVEDO – MARANHÃO -1857/1913

Precursor  do naturalismo literário no Brasil, o livro narra a saga de João Romão rumo ao enriquecimento. É o dono do cortiço, da taverna e da pedreira. Sua amante, Bertoleza, o ajuda de domingo a domingo, trabalhando sem descanso. Não basta ganhar dinheiro, é necessário também ostentar uma posição social reconhecida, frequentar ambientes requintados, adquirir roupas finas, ir ao teatro, ler romances, ou seja, participar ativamente da vida burguesa. No cortiço, paralelamente, estão os moradores de menor ambição financeira. Destacam-se Rita Baiana e Capoeira Firmo, Jerônimo e Piedade. Um exemplo de como o romance procura demonstrar a má influência do meio sobre o homem é o caso do português Jerônimo, que tem uma vida exemplar até cair nas graças da mulata Rita Baiana. Opera-se uma transformação em um senhor português trabalhador, que muda todos os seus hábitos. Para se ver livre da amante, que atrapalha seus planos de ascensão social, Romão a denuncia a seus donos como escrava fugida. Em um gesto de desespero, prestes a ser capturada, Bertoleza comete o suicídio, deixando o caminho livre para o casamento de Romão.
RESUMO DA OBRA 

8 - O GUARANI
 JOSÉ DE ALENCAR - CEARÁ 1829/1877

É desenvolvido no princípio, em folhetim. No dia 1 de janeiro 1857 é publicado o capítulo inicial no Diário do Rio de Janeiro. No fim do ano foi publicado como livro. É uma epopeia da formação da nacionalidade,  com fabulação mítica e lendária, do ímpeto ideológico nacionalista e de elevada carga simbólica republicana. Peri, índio valente, corajoso, chefe da nação goitacá, e Ceci (Cecília),  moça linda, de doces olhos azuis, meiga, suave, sonhadora, herdeira da força moral de seu pai, D. Antônio Mariz. A trama, dentro da formação da raça brasileira, gira na paixão entre Peri e Ceci. A ação passa-se na primeira metade do século XVII, iniciando-se em 1604. O espaço é o planalto fluminense, a Serra dos Órgãos, às margens do rio Paquequer, afluente do rio Paraíba. (poderia ter sido no sertão do Ceará) Protagonista, Peri: "filho indômito desta pátria de liberdade", mas também "vassalo e tributário": o índio, de sua "senhora", Cecília Mariz; o rio, "desse rei das águas. Cenário - A Natureza e a Cultura indígena. 
RESUMO DA OBRA 

9 - A ESCRAVA ISAURA
BERNARDO GUIMARÃES - MINAS GERAIS -1825/1884

Escrito em plena campanha abolicionista (publicado em 1875), o livro conta as desventuras de Isaura, escrava branca e educada, de caráter nobre, vítima de um senhor devasso. É um libelo antiescravagista e libertário  Numa literatura de manifestação abolicionistas, focaliza o problema, atingindo principalmente o gosto do público leitor feminino. Fisicamente, Isaura não é diferente das damas da sociedade mas, por ser escrava, é obrigada a viver como os de sua classe, como objeto útil nas mãos de seu senhor. Eis o preço de sua beleza.
RESUMO DA OBRA 

10 - ASFALTO SELVAGEM - ENGRAÇADINHHA SEUS AMORES E SEUS PECADOS
NELSON RODRIGUES -  PERNAMBUCO - 1912/1980

A história foi, originalmente, publicada como folhetim de 112 capítulos no jornal Última Hora, RJ, entre agosto de 1959 e fevereiro de 1960, e gira em torno da trajetória de Engraçadinha, uma mulher traumatizada. Engraçadinha é uma adolescente voluptuosa e muito bonita, apaixonada pelo primo Sílvio, que está com casamento marcado com Letícia, também prima. Mesmo noiva de Zózimo, rapaz de humildade exagerada, simplório, arma uma trama para desfazer o enlace matrimonial, seduzindo Sílvio e simulando uma gravidez. O pai, Dr. Vasconcelos, político, ao saber, confessa à filha que Sílvio não é seu primo, mas irmão, exigindo e até contratando um profissional que a faça abortar, além de reconstituir a virgindade perdida. Engraçadinha casa-se com Zózimo, descobre-se realmente grávida de Sílvio e decide ter o filho. Daí, vivem 20 anos, ela agora, uma protestante fervorosa, esquecida dos prazeres do mundo que a assaltavam, num casamento sem amor, uma vida doméstica, onde cada dia é uma repetição de obrigações e orações, para criar os cinco filhos e cuidar da casa. Nesse momento, ressurge o Juiz Odorico Quintela, que 20 anos antes era procurador, o mesmo que discursara no enterro do seu pai, bem lembravam Engraçadinha e Zózimo. Ela vê na filha mais nova, Silene, dos cinco que teve, um espelho dela mesma: a devassidão e luxúria. A adolescente namora Leleco, menino inibido, seu primeiro parceiro na cama que, ao se ver afrontado por três amigos, assassina um deles. Dr. Odorico, para conquistar aquela que foi objeto de seus desejos pelos longos 20 anos, presenteia a família, faz favores, tudo planeja para seduzir Engraçadinha. Como "membro do judiciário", faz-se valer de jornalistas e intelectuais da época para alimentar sua retórica, usa também seu prestígio para obter favores e influenciar decisões. Incesto, pederastia, luxúria, traição, corrupção, vida familiar, casamentos em crise, amores doentios e obsessivos... temas tão bem trabalhados! E o seu personagem, dr. Berganini, declara  que “aprendera, em vinte anos de ginecologia, que a mulher normal, equilibrada, é capaz de amar dois, três, quatro ao mesmo tempo.”  Adeus romantismo!!! Esta constatação psicanalística deve ser amada ou rejeitada, pois a imparcialidade só merece a nossa gargalhada.   "...o juiz estava achando deprimente o Zózimo. Por detrás de sua polidez, fazia uma generalização brutal: - 'Marido é assim! Camisa rubro-negra sem mangas, axilas abundantes e obscenas, de chinelos e sem meias!' - 'De resto' - concluía –“é preciso muito cinismo para que um casal, qualquer casal, chegue às bodas de prata!'"  O amor múltiplo é uma exigência sadia de sua carne e de sua alma. A exclusividade que ela dá, e que o homem exige, representa um equívoco ou, pior: - um aviltamento progressivo fatal"... Como disse: “a imparcialidade só merece a nossa gargalhada!!!” E o trator psicológico arrasta conceitos e massacra as máscaras das convenções sociais. Todas elas!!!
RESUMO DA OBRA 

domingo, 1 de janeiro de 2017

DEZ OBRAS LITERÁRIAS CONSAGRADAS UNIVERSALMENTE



Aqui estão relacionadas dez obras dignas de compor qualquer biblioteca. Existem tantas outras que vagueiam pelas livrarias, dignas representantes da cultura universal. Entretanto, estas dez aqui apresentadas, são inesquecíveis. Cada leitor tem a sua lista de obras favoritas. Aqui, são relacionadas sem ordem de preferência ou importância. Não estão incluídas obras em formato de poesia, conto, crônica, - biografia e assemelhados.


 1 - PANTALEÃO E AS VISITADORAS 

Mário Vargas Llosa – Arequipa 1936 –Nobel de Literatura
 Pantaleão Pantoja, um capitão recém-promovido do exército, recebe uma missão inesperada - criar um serviço de prostitutas para as Forças Armadas do Peru, isoladas na selva amazônica, dentro do mais absoluto sigilo militar.

2 - O TIGRE BRANCO

Avaring adiga - 23 october 1974- Chennal, Índia
Premiado com o Booker Prize de 2008, O Tigre Branco é um romance de estreia, que revela uma Índia ainda muito pouco explorada pela ficção. Apresenta um retrato cru e muito pouco glamoroso da desumana realidade de vida das classes mais pobres pela voz espirituosa e mordaz em narração epistolar.
3- ÉDIPO REI  

Sófocles em grego: Σοφοκλῆς, 497 ou 496 a.C.- 406 ou 405 a.C. 
Édipo Rei (OΙΔΙΠΟΥΣ ΤΥΡΑΝΝΟΣ em grego – O LAIO TIRANO) é uma peça de teatro grega, em particular uma tragédia, por volta de 427 a.C.  Na lenda grega, Édipo, filho de Laio e Jocasta, era o rei de Tebas, a cidade que fora assolada por uma peste e ao consultar o oráculo de Delfos, descobriu algo trágico sobre sua vida. Ele foi amaldiçoado pelos deuses sendo destinado a casar com sua mãe, com quem teve dois filhos e duas filhas, e a matar seu pai por engano, o rei que governava a cidade antes de Édipo. Após saber a verdade, sua mãe-mulher se enforcou e Édipo, envergonhado de seus atos, perfurou os próprios olhos.


4 - CRIME E CASTIGO 

Dostoievski – Moscou/ Rússia 1921 – São Petersburgo 1881 
É um romance publicado em 1886. Narra a história de um jovem estudante que comete um assassinato e se vê perseguido por sua incapacidade de continuar sua vida após o delito. Baseia numa visão sobre religião e existencialismo com um foco predominante no tema de atingir salvação por sofrimento, sem deixar de comentar algumas questões do socialismo e niilismo.


  5 - GERMINAL 

Émile Zola - Paris, 2 de abril de 1840 – 29 setembro de 1902 – assassinado por um desconhecido
A história tem lugar no norte da França durante uma greve provocada pela redução dos salários. Além dos aspectos técnicos das extrações minerais e as condições de vida nos agrupamentos dos mineiros, Zola também descreve o princípio da organização política e sindical da classe operária, tais como as divisões já existentes entre marxistas e anarquistas. Para compor Germinal, o autor passou dois meses trabalhando como mineiro na extração de carvão. Viveu com os mineiros, comeu e bebeu nas mesmas tavernas para se familiarizar com o meio. Sentiu na pele o trabalho sacrificado, a dificuldade em empurrar um vagonete cheio de carvão, o problema do calor e a umidade dentro da mina, o trabalho insano que era necessário para escavar o carvão, a promiscuidade das moradias, o baixo salário e a fome. Além do mais, acompanhou de perto a greve dos mineiros.  

6 - MADAME BOVARY

Gustave Flaubert - Ruão, 1821 - Croisset, 1880 
O romance resultou num escândalo ao ser publicado em 1857. O livro "Romance Dos Romances ", Madame Bovary é considerado pioneiro entre os romances realistas. Trata da desesperança e do desespero de uma mulher que, sonhadora, se vê presa em um casamento insípido, com um marido de personalidade fraca, em uma cidade do interior. Publicado originalmente em capítulos de jornal, em 1856, o romance mostra o crescente declínio da vida - interna e externa - de Emma Bovary. Não somente, o livro tornou-se famoso por sua originalidade, o qual posteriormente levou a cunhagem do termo de psicologia bovarismo, em referência as características psicológicas da protagonista da obra. Quando o livro foi lançado, houve na França um grande interesse pelo romance, pois levou seu autor a julgamento. 

7 – AS VINHAS DA IRA

John Steimbeck – Salinas, 1902 — Nova York 1968
Publicado em 1939, ´´As vinhas da ira marcou o auge da carreira do autor e mantém-se como um documento social e marco da literatura. O livro representa o confronto entre indivíduo e sociedade, através da epopeia da família Joad, expulsa pela secados campos de algodão de Oklahoma, para tentar a sobrevivência como boias-frias nas plantações de pêssegos 


8 -A CIDADE DO SOL

               Khaled Hosseini - O médico e escritor nasceu em Cabul, no dia 4 de março de 1965
Cidade do Sol é o livro que deu a Khaled Hosseini o sucesso que agora ele tem. História, cultura e romance. Mariam, personagem principal de Hosseini talvez seja o próprio Afeganistão. Filha bastarda de um homem rico, ela cresceu a vida toda sem sair de casa junto com sua mãe. Não aprendeu a ler, porque a mãe achava desnecessário "vão apontar para você enquanto te chamam de harami (filha bastarda)". Tudo que Mariam mais amava era Jalil, seu pai, mesmo que ele não tivesse assumido sua paternidade. Um dia, Mariam fugiu e descobriu a faceta covarde do pai - que a deixou dormir na rua. Seu pai, por pressão das outras esposas, não queria ficar com Mariam em sua casa e, quando a menina tinha apenas 15 anos, deu sua mão em casamento para Rashid, um sapateiro que morava em outra cidade. E a jovem que já sabia muito bem o que era dor, descobriu que ela estava só começando. 

 9 - O FIO DA NAVALHA 

W. Sommerset Maugham - 25 de janeiro de 1874, em Paris - dezembro 1965
Sua infância foi difícil: gago, ficou órfão aos 10 anos, sendo criado por um tio em Canterbury(Inglaterra) Depois de participar da Primeira Guerra Mundial, (1914 – 1918) o jovem Larry Darrell retorna para sua confortável vida em Chicago. Porém, abalado pela dura e sangrenta experiência da guerra, ele deseja algo além de um bom emprego, de uma bela noiva, de alguns amigos influentes e do vácuo espiritual do seu meio. Darrel quer buscar outro propósito na vida.

 10 - O PROCESSO

Kafka - Praga, Império Austro-Húngaro, atual República Tcheca, 3 de julho de 1883 — Klosterneuburg, República Austríaca, atual Áustria, 3 de junho de 1924
 O Processo é um romance que conta a história de um bancário que é processado sem saber o motivo, Josef K. Não é da nossa incumbência dar-lhe explicações. Volte para o seu quarto e aguarde. O processo já está correndo, o senhor será informado de tudo na hora certa. Nesse romance, a ambiguidade onírica do peculiar universo kafkiano e as situações de absurdo existencial chegam a limites insuspeitados. A ação desenvolve-se num clima de sonhos e pesadelos misturados a fatos corriqueiros, compondo uma trama em que a irrealidade beira a loucura. Ao analisar O Processo, faz-se necessário notar que o final do romance, a cena da execução, foi a primeira parte escrita por Kafka. Josef K. nunca é informado por que motivos está sofrendo o processo, e ele sustenta sua inocência quase até o fim. Ao declarar sua inocência, K. é perguntado "inocente de quê?".

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