quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

DEZ LIVROS CONSAGRADOS DA LITERATURA BRASILEIRA



A literatura internacional desconhece as obras e os autores do Brasil nas listagens, divulgadas por diversos veículo de comunicação, dos livros mais importantes já editados. Alguma injustiça? Onde se encontram as obras e os autores de centenas e centenas de academias literárias espalhadas pelo Brasil afora? 


A literatura conta a história de um povo no seu habitat, mesmo não intencionalmente. Assim, cada autor elege os seus temas e assuntos mais significativos no seu meio cultural, em representação de sua nacionalidade. Também, cada leitor, por sua vez, faz a escolha de suas peças favoritas, de acordo com as suas preferências


1 -  O ATENEU
RAUL POMPEIA - RIO DE JANEIRO - 1863/1895

Publicado pela primeira vez em 1888, conta a história de Sérgio, um menino que é enviado para um colégio interno renomado na cidade do Rio de Janeiro, denominado Ateneu. Era dirigido pelo professor Aristarco, o colégio mantinha regras rígidas. A história é narrada pelo personagem principal, Sérgio, já adulto, relatando sua vida no internato, em primeira pessoa e de forma não linear. Romance impressionista, na turbulenta vida de internato, com um diretor severo e autoritário.

2 -  MENINO DE ENGENHO
JOSÉ LINS DO REGO – PARAÍBA - 1901/1957

Carlinhos, em sua idade adulta narra sua história, que começa no Recife e passa pelos engenhos nordestinos. Carlinhos, aos quatro anos, estava em casa quando seu pai assassina sua mãe com um tiro. Seu tio Juca vai buscá-lo para ir morar com seu avô materno em seu engenho, chamado Santa Rosa. O ambiente rural é muito bem retratado, ressaltando-se os moleques com quem ele brincava, os passeios de trem, os banhos de rio, as idas à escola, os conflitos com sua tia megera. A história é narrada em primeira pessoa pelo próprio Carlos – narrador-personagem (Carlos não é Lins do Rego) -  que vai deixando suas impressões a respeito dos ambientes em que viveu, num um tom de crítica, mostrando a triste e decadente realidade que o personagem presencia.
RESUMO DA OBRA 
3 -  MANELZÃO E MIGUILIM –  CAMPO GERAL
GUIMARÃES ROSA – MINAS GERAIS - 1908/1967

Miguilim, narrativa profundamente lírica, pertencente à obra Manuelzão e Miguilim, Campo Geral traduz a habilidade para recriar o mundo captado pela perspectiva de uma criança.  A emoção e o poder das palavras compõem um universo próximo ao dos poetas e dos loucos, em Miguilim. Essa temática encontra um de seus momentos mais brilhantes e comoventes. É uma espécie de biografia de infância - que alguns críticos afirmam ter muito de autobiográfico -, centrada em Miguilim, um menino que morava com sua família no Mutum, um remoto lugarejo no sertão. Era deficiente visual e não sabia. Os óculos e a descoberta de  um mundo novo.
RESUMO DA OBRA 

4 -  OS SERTÕES
EUCLIDES DA CUNHA –RIO DE JANEIRO -1866 /1909

Em Os sertões, o tema principal é a Guerra de Canudos, um verdadeiro retrato do Brasil no fim do século XIX. Discute problemas que transcendem o conflito que ocorreu no interior da Bahia. A obra narrativa mistura literatura, Sociologia, Filosofia, História, Geografia, Geologia e Antropologia. Por isso sua preciosidade e grandiosidade. O autor, adepto do determinismo, teoria que afirma ser o homem influenciado (determinado) pelo meio, pela raça e pelo momento histórico. Dividiu Os sertões em três partes; 1- A terra (o meio), 2- O homem (a raça), 3- A luta (o momento).
RESUMO DA OBRA

5 - O SENHOR EMBAIXADOR 
ÉRICO VERÍSSIMO - RIO GRANDE DOO SUL - 1905/1975

É um romance publicado em 1965. A história está focalizada no mundo diplomático e a ação se desenvolve paralelamente em Washington e na fictícia República de Sacramento, localizada nas Antilhas. O tema central é o estado deplorável das republiquetas latino-americanas, corruptas, instáveis e ditatoriais. O personagem principal é o embaixador, Gabriel Heliodoro, amigo do ditador que governa a pequena república.
RESUMO DA OBRA

6 - O ENCONTRO MARCADO 
FERNANDO SABINO - MINAS GERAIS - 1923/2004

Um jovem escritor, Eduardo Marciano, está em procura de si mesmo e da verdadeira razão de sua vida. Quase absorvido por uma brilhante boêmia intelectual, seu drama interior evolui subterraneamente, expondo os equívocos fundamentais que vinham frustrando sua existência e sufocando sua vocação. Ele vê seu matrimônio quebrar-se quando já não pode abdicar; por força de sua própria experiência, o suicídio deixa de ser uma solução. Nessa paisagem atormentada, ele deve renunciar a si mesmo, para comparecer ao encontro com uma antiga verdade.
RESUMO DA OBRA 

7 - O CORTIÇO
ALUÍSIO  AZEVEDO – MARANHÃO -1857/1913

Precursor  do naturalismo literário no Brasil, o livro narra a saga de João Romão rumo ao enriquecimento. É o dono do cortiço, da taverna e da pedreira. Sua amante, Bertoleza, o ajuda de domingo a domingo, trabalhando sem descanso. Não basta ganhar dinheiro, é necessário também ostentar uma posição social reconhecida, frequentar ambientes requintados, adquirir roupas finas, ir ao teatro, ler romances, ou seja, participar ativamente da vida burguesa. No cortiço, paralelamente, estão os moradores de menor ambição financeira. Destacam-se Rita Baiana e Capoeira Firmo, Jerônimo e Piedade. Um exemplo de como o romance procura demonstrar a má influência do meio sobre o homem é o caso do português Jerônimo, que tem uma vida exemplar até cair nas graças da mulata Rita Baiana. Opera-se uma transformação em um senhor português trabalhador, que muda todos os seus hábitos. Para se ver livre da amante, que atrapalha seus planos de ascensão social, Romão a denuncia a seus donos como escrava fugida. Em um gesto de desespero, prestes a ser capturada, Bertoleza comete o suicídio, deixando o caminho livre para o casamento de Romão.
RESUMO DA OBRA 

8 - O GUARANI
 JOSÉ DE ALENCAR - CEARÁ 1829/1877

É desenvolvido no princípio, em folhetim. No dia 1 de janeiro 1857 é publicado o capítulo inicial no Diário do Rio de Janeiro. No fim do ano foi publicado como livro. É uma epopeia da formação da nacionalidade,  com fabulação mítica e lendária, do ímpeto ideológico nacionalista e de elevada carga simbólica republicana. Peri, índio valente, corajoso, chefe da nação goitacá, e Ceci (Cecília),  moça linda, de doces olhos azuis, meiga, suave, sonhadora, herdeira da força moral de seu pai, D. Antônio Mariz. A trama, dentro da formação da raça brasileira, gira na paixão entre Peri e Ceci. A ação passa-se na primeira metade do século XVII, iniciando-se em 1604. O espaço é o planalto fluminense, a Serra dos Órgãos, às margens do rio Paquequer, afluente do rio Paraíba. (poderia ter sido no sertão do Ceará) Protagonista, Peri: "filho indômito desta pátria de liberdade", mas também "vassalo e tributário": o índio, de sua "senhora", Cecília Mariz; o rio, "desse rei das águas. Cenário - A Natureza e a Cultura indígena. 
RESUMO DA OBRA 

9 - A ESCRAVA ISAURA
BERNARDO GUIMARÃES - MINAS GERAIS -1825/1884

Escrito em plena campanha abolicionista (publicado em 1875), o livro conta as desventuras de Isaura, escrava branca e educada, de caráter nobre, vítima de um senhor devasso. É um libelo antiescravagista e libertário  Numa literatura de manifestação abolicionistas, focaliza o problema, atingindo principalmente o gosto do público leitor feminino. Fisicamente, Isaura não é diferente das damas da sociedade mas, por ser escrava, é obrigada a viver como os de sua classe, como objeto útil nas mãos de seu senhor. Eis o preço de sua beleza.
RESUMO DA OBRA 

10 - ASFALTO SELVAGEM - ENGRAÇADINHHA SEUS AMORES E SEUS PECADOS
NELSON RODRIGUES -  PERNAMBUCO - 1912/1980

A história foi, originalmente, publicada como folhetim de 112 capítulos no jornal Última Hora, RJ, entre agosto de 1959 e fevereiro de 1960, e gira em torno da trajetória de Engraçadinha, uma mulher traumatizada. Engraçadinha é uma adolescente voluptuosa e muito bonita, apaixonada pelo primo Sílvio, que está com casamento marcado com Letícia, também prima. Mesmo noiva de Zózimo, rapaz de humildade exagerada, simplório, arma uma trama para desfazer o enlace matrimonial, seduzindo Sílvio e simulando uma gravidez. O pai, Dr. Vasconcelos, político, ao saber, confessa à filha que Sílvio não é seu primo, mas irmão, exigindo e até contratando um profissional que a faça abortar, além de reconstituir a virgindade perdida. Engraçadinha casa-se com Zózimo, descobre-se realmente grávida de Sílvio e decide ter o filho. Daí, vivem 20 anos, ela agora, uma protestante fervorosa, esquecida dos prazeres do mundo que a assaltavam, num casamento sem amor, uma vida doméstica, onde cada dia é uma repetição de obrigações e orações, para criar os cinco filhos e cuidar da casa. Nesse momento, ressurge o Juiz Odorico Quintela, que 20 anos antes era procurador, o mesmo que discursara no enterro do seu pai, bem lembravam Engraçadinha e Zózimo. Ela vê na filha mais nova, Silene, dos cinco que teve, um espelho dela mesma: a devassidão e luxúria. A adolescente namora Leleco, menino inibido, seu primeiro parceiro na cama que, ao se ver afrontado por três amigos, assassina um deles. Dr. Odorico, para conquistar aquela que foi objeto de seus desejos pelos longos 20 anos, presenteia a família, faz favores, tudo planeja para seduzir Engraçadinha. Como "membro do judiciário", faz-se valer de jornalistas e intelectuais da época para alimentar sua retórica, usa também seu prestígio para obter favores e influenciar decisões. Incesto, pederastia, luxúria, traição, corrupção, vida familiar, casamentos em crise, amores doentios e obsessivos... temas tão bem trabalhados! E o seu personagem, dr. Berganini, declara  que “aprendera, em vinte anos de ginecologia, que a mulher normal, equilibrada, é capaz de amar dois, três, quatro ao mesmo tempo.”  Adeus romantismo!!! Esta constatação psicanalística deve ser amada ou rejeitada, pois a imparcialidade só merece a nossa gargalhada.   "...o juiz estava achando deprimente o Zózimo. Por detrás de sua polidez, fazia uma generalização brutal: - 'Marido é assim! Camisa rubro-negra sem mangas, axilas abundantes e obscenas, de chinelos e sem meias!' - 'De resto' - concluía –“é preciso muito cinismo para que um casal, qualquer casal, chegue às bodas de prata!'"  O amor múltiplo é uma exigência sadia de sua carne e de sua alma. A exclusividade que ela dá, e que o homem exige, representa um equívoco ou, pior: - um aviltamento progressivo fatal"... Como disse: “a imparcialidade só merece a nossa gargalhada!!!” E o trator psicológico arrasta conceitos e massacra as máscaras das convenções sociais. Todas elas!!!
RESUMO DA OBRA 

Um comentário:

  1. Caro Rogério,
    O seu blog está excelente. Parabéns.
    Vê se encontra tempo pra um papo aqui no escritório.
    Abraço cordial, Cesar

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