A DIVINA COMÉDIA


Dante Alighieri (1265-1321) realiza uma jornada espiritual pelos três reinos do além-túmulo. Placa indicativa do Inferno: “Lasciate ogne speranza voi ch´entrate” (con questo libro) – deixai qualquer esperança vós que entrais. São 14.230 versos hendecassílabos (onze sílabas poéticas). É a fonte original mais acessível para a cosmovisão medieval.


A Divina Comédia é um poema épico e teológico da literatura italiana escrito no século XIV e dividido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. Dante Alighieri realiza uma jornada espiritual pelos três reinos do além-túmulo. Cada uma das três partes do poema está dividida em cantos, compostos de estrofes com três versos. Possui três personagens principais:
  1. Dante, que personifica o homem;
  2. Beatriz, que personifica a fé;
  3. Virgílio, que personifica a razão.
As estrofes têm três versos e cada uma de suas três partes contém 33 cantos. O Inferno tem um canto a mais que serve de introdução ao poema, em um total de 100 cantos e 14.230 versos hendecassílabos. Não há registro da data exata em que foi escrita, mas as opiniões mais reconhecidas asseguram que o foi entre 1307 a 1321, data coincide com a morte de Dante. Divina Comédia é a fonte original mais acessível para a cosmovisão medieval, que dividia o Universo em círculos concêntricos. Dante Alighieri, que realiza uma jornada espiritual pelos três reinos do além-túmulo, tem seu guia e mentor nessa empreitada, Virgílio - autor da Eneida.

INFERNO
Dante e Virgílio chegam ao vestíbulo do Inferno que tem nove círculos. Entre o vestíbulo e o 1º. Círculo, está o rio Aqueronte, no qual se encontra Caronte, o barqueiro que faz a travessia das almas. Ali está o Limbo. O Limbo é o local onde as almas que não puderam escolher Cristo, mas escolheram a virtude, vivem a vida que imaginaram ter após a morte. Não têm a esperança de ir ao Céu pois não tiveram fé em Cristo. Ali também ficam os não batizados e aqueles que nasceram antes de Cristo, como Virgílio. 
  • O poeta desmaia no ante-inferno e quando acorda já está no Limbo, o primeiro círculo infernal. No Limbo, Dante encontra Homero (século IX a.C. ou século VIII a.C.) a quem se atribui a autoria dos poemas épicos Ilíada, que narra a queda de Troia, e Odisseia, que narra o retorno de Ulisses. Também outras personalidades da literatura.
  • No segundo círculo começa o Inferno propriamente dito. Nesse círculo ficam os luxuriosos que sofrem com uma tempestade de vento. Lá ele encontra Francesca de Rimini e seu amante, que é o seu cunhado.
  • No terceiro círculo os gulosos são flagelados por uma chuva putrefacta e são vigiados pelo mitológico cão de três cabeças, Cérbero.
  • No quarto círculo desfilam os avarentos empurrando pesos enormes.
  • No quinto círculo ficam os iracundos, imersos em lama ardente do Pântano do Estige. Os insolentes soberbos também.Para atravessar o pântano, ele os deixa na porta da cidade de Dite. Essa cidade tem muralhas de fogo e está na parte mais funda do Inferno, onde as culpas são muito mais fortes e as punições também. Os demônios não querem que Dante nem Virgílio entrem, pois Dante não está morto. Então aparecem as três Fúrias, e com elas aparece a Medusa, que petrifica quem a olhe. Um enviado celeste chega e abre as portas de Dite.
  • No sexto círculo, Dante e Virgílio recomeçam a viagem por dentro de Dite. Lá eles veem nos túmulos de fogo os hereges. Os hereges eram queimados em fogueiras quando estavam vivos. Em rios de fogo estão os assassinos, os violentos com o próximo e ficam sendo atingidos por flechas dos Centauros. Os violentos contra si mesmos são transformados em árvores.Os esbanjadores são perseguidos e devorados por cadelas ferozes e famintas.
  • No sétimo círculo ficam os violentos com Deus e contra a natureza. Estão deitados e levam chuva de fogo e os outros além da chuva de fogo ficam caminhando. Os usurários (agiotas) estão sentados e sofrem a chuva de fogo. Saindo da cidade encontram um precipício que não conseguem cruzar, existe um monstro alado, que voa vagarosamente e os leva até o o fundo do precipício e lá eles encontram o oitavo círculo. 
  • O oitavo círculo é dividido por dez fossos que são ligados por pontes. Ali as torturas só pioram e os pecados também. Nas saídas dos fossos há três gigantes acorrentados.
  • No último círculo infernal, o nono, não há fogo, e sim frio. Lá ficam os traidores. Os três maiores são Judas, Brutus e Cássio Longnino. Lúcifer está lá e devora os três. Então eles finalmente chegam ao centro da Terra e começam a subir para a saída. Nesse túnel eles vislumbram quatro estrelas. Para chegar ao Paraíso é necessário antes passar pelo Purgatório.

PURGATÓRIO
Segundo Dante, o Purgatório é um espaço intermediário entre o Paraíso e o Inferno. Dante encontra nesta ilha uma montanha composta por círculos ascendentes, reservado àqueles que se arrependeram em vida de seus pecados e estão em processo de expiação. No Purgatório, as almas assistem às punições das outras almas que por pecarem mais foram para o Inferno.  No início da subida da montanha estão esperando os arrependidos tardios, que têm que aguardar a permissão para passarem pela Porta de São Pedro, antes de iniciarem sua ansiada subida. Cada um dos sete círculos corresponde a um dos Sete pecados capitais, na seguinte ordem: 
  1. Orgulho
  2. Inveja
  3. Ira
  4. Preguiça
  5. Avareza
  6. Gula
  7. Luxúria
Os Avarentos e os Pródigos estão juntos no mesmo círculo, pois são os dois extremos, onde o avarento supervaloriza o dinheiro e o Pródigo o desperdiça. No fim do Purgatório, Dante se despede de Virgílio, pois este, por ter sido pagão, não pode ter acesso ao Paraíso.  Lá encontra Beatriz, sua amada quando estava na Terra. Esta o leva até o rio Lete. Quando Dante bebe a água do Lete, esta apaga a sua memória, seus pecados, é como se Dante tivesse renascido.  Finalmente, Dante chega ao Paraíso.


PARAÍSO
Existem sete céus móveis. Cada céu corresponde a um planeta, sendo o primeiro o da Lua. Em cada um dos céus Dante é abençoado e depois vai ao encontro de Deus. O oitavo céu, ou o primeiro céu fixo, é onde as estão as estrelas. Depois, vão para o segundo céu fixo, ou nono céu, que é o céu Cristalino ou seja, não tem estrelas, é quase só luz, mas é material. O décimo céu é só luz, é o terceiro céu fixo, e é imaterial. No centro desse céu há uma rosa branca, que é Deus rodeado por almas, espíritos bons, eleitos, bem aventurados, santos, anjos. É uma rosa poética. No centro da rosa existe um triângulo, a Santíssima Trindade. São Bernardo acompanha Dante a partir do terceiro céu. Dante então vê Deus, pois São Bernardo intercede junto à Virgem Maria e permite a entrada. 


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Referências
- Alighieri, Dante. La Divina commedia: testo critico della Società Dantesca Italiana. Milão: Urico Hoepli, 2006. ISBN 978.88.203.02.09-8 Página visitada em 22/12/2012.
- Petrocchi, G.. La Commedia secondo l'antica vulgata (em italiano). Milão: Ed. Naz. della Società Dantesca Italiana, 1966-1967. 4 vol. 
- Donato, Hernâni.A divina comédia.Câmara Brasileira do Livro, SP,1979

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