segunda-feira, 14 de setembro de 2015

DEPOIMENTO DE UM ADOTADO



Antônio Junior tem a sua história pra contar. Uma família que se desintegrou no espaço. Morre o pai. Morre a mãe. Sobram 6 irmãos menores sem itinerário de vida, sem casa, sem alimento. Que fazer?

O pai era um garotão da década de quarenta. Ousado, valente, forte como um touro. Vivia na fazenda das Mamonas com a família, pequeno proprietário de terra, uma fazenda administrada como uma pequena indústria. Antônio, o pai, cresceu como vaqueiro, nas aventuras do “compra e vende”, dos negócios, da criação de gado leiteiro e alguma ocupação na agricultura. Montanhas e pedrarias.
Não era um moço rico. Nem tinha um bom emprego. Pode-se imaginar a sua disponibilidade financeira, mas resolveu casar-se, imaginando que tudo iria dar certo no decorrer da vida. A época e o meio social não impunham restrições a um casamento sem eira nem beira. O amor supera todas as mazelas da vida. Esperar até quando para casar? Andou namorando muitas garotas disponíveis e quase todas aceitariam um casamento. Antônio era um rapaz bonito, da melhor qualidade física. Encontrou alguém que dominou seu ímpeto aventureiro. A Dolores, sua namorada, era tímida e franzina, filha de pessoas do bem.. Era bonita e sorridente. Era bem-humorada e alegre. Também ela não tinha emprego, não tinha experiência nem da escola da vida. Jovens ainda casaram-se e passaram a residir na fazenda do pai dele.
O destino foi cruel. Pouco tempo depois de casados, numa tarde de domingo, com muitas visitas na fazenda, Antônio fez uma demonstração, costumeira para ele: montar num cavalo bravo. Não era um cavalo selvagem, mas era suficientemente forte para não aceitar com paciência e resignação, que alguém passasse a perna sobre seu dorso e que ficasse sendo dirigido por qualquer peão improvisado. Não se sabe mais que cavalo era. Sabe-se apenas que, tão logo Antônio montou nesse cavalo, a sua vida acabou. O cavalo tornou-se irritado e pronto a jogar esse peão para longe. Estavam dentro do curral, numa área restrita, cercada por grades de tábuas horizontais, intercaladas.
Do alto da varanda da sede da fazenda, os visitantes assistiam ao espetáculo e se divertiam. Foi aí, num momento qualquer, que o tal cavalo bravo empinou e sacudiu o cavaleiro ao chão. Por fatalidade, Antônio caiu e bateu com a cabeça numa pedra. Desmaiou. Apagaram-se as luzes. Não era possível socorro imediato nessa época, apesar de a fazenda estar à beira da rodovia. As luzes permaneceram apagadas para Antônio. Dolores estava em desespero. Tão jovem, tão tímida, tão inexperiente da vida. Sem posses financeiras. Sem autonomia. Que fazer?
Não se sabe como Antônio foi socorrido, nem onde Antônio foi internado, quando ficou desacordado por mais de trinta dias. Luzes apagadas que nunca mais voltariam a brilhar com a mesma intensidade. Não foi dessa vez.  Os dias passam, a vida continua a rolar impiedosamente. Uma lenta convalescência, uma dor constante, uma memória fragilizada, uma capacidade de trabalho quase a zero.
A vida na fazenda nunca mais foi a mesma. Viver é preciso. Continuar assim, do jeito que puder. Os filhos foram nascendo, um por ano, nessa fazenda e rodeados de todas as necessidades. E a fazenda teve que ser vendida. E morre Antônio, precocemente velho, e incapaz para o trabalho de qualquer natureza. E Dolores?
Que fazer com seis filhos, que foram nascendo um por ano? E a vida não deu trégua. A fraqueza física chegou e a morte foi o resultado de tudo. Levou Dolores com muita facilidade, sem se importar com as consequências. Os filhos ficaram sem carinho dos pais. Sem carinho? Antes de tudo, sem alimento e sem o mínimo conforto.
Esta é, agora, uma família despedaçada. Terrível o sofrimento. As crianças podiam chorar, lamentar, reclamar? Para quem?
A comunidade apareceu e esses seis filhos foram distribuídos. Um pra lá, outro pra cá. Não foi leilão. Livre escolha para quem chegasse primeiro. Escolha livre para pegar os melhores. Os mais novos tiveram saída imediata. Os adolescentes foram sendo rejeitados.
- Adeus, meu irmão!
- Adeus, minha irmã!      
Foi assim que Antônio Júnior, o filho mais velho do casal, 15 anos,  foi acolhido por João Travolta, num ato de misericórdia. Seria um  filho, carente e abençoado, que caiu nos braços de João e Maria das Graças, aos quinze anos de idade. Um adotado, acrescido a uma família já numerosa. Um adotado? Um filho a mais? Aconchegou-se ao lar, ao novo lar.
Viveu e cresceu. Bem tratado, bem acolhido, bem alimentado. João era o pai, Maria era a mãe. Assim, o mundo se tornou maravilhoso.  
Hoje, aposentado, pai e avô, Antônio Júnior relembra a mão amiga, o amparo, a segurança, a amizade e a proteção que recebeu dos pais adotivos. Sobretudo a orientação na vida. Tem os seus irmãos biológicos ainda esparsos pelas redondezas, subdivididos, e tem algumas notícias deles, manda notícias, sufoca saudades e tristezas, procurando se esquecer de tanta rejeição. Lembra-se dos pais biológicos com uma só palavra: “coitados!” Hoje, João e Maria dominam seu coração. Tantos novos irmãos adotivos foram adquiridos. Todos são amigos e companheiros. Nunca recebeu uma só palavra de desprezo ou de recriminação por parte de qualquer dos novos irmãos. Todos são irmãos. João é seu pai. Maria é a sua mãe. Agora ele tem realmente uma casa, uma família, e é padrinho de batismo de um dos seus irmãos adotivos. Sua responsabilidade está à prova. Protege com mão forte o seu irmão adotivo e afilhado do coração.
Assim falando, Antônio diz que tem muito a agradecer. Um agradecimento infindável. Deve a sobrevivência, a sua vida e a felicidade aos pais adotivos. Para eles, a sua vida será dedicada.
Um coração agradecido, um coração de adotado. Antônio Júnior não parou para pensar mais profundamente nessa adoção. Foi adotado como filho ou foi apenas acolhido? Sua vida transcorreu semelhante aos filhos de João e Maria? Esses irmãos adotivos frequentaram bons colégios. Tiveram boas roupas. Faziam passeios nas férias. Eram príncipes e tinham de tudo. Ele, Antônio Júnior, foi colocado no trabalho. Trabalho rude, dia a dia, sol a sol. Ele sabe ler e escrever porque tinha frequentado uma escola pública antes de a sua mãe falecer.  Só isso. No mais, o batente diário em várias atividades como operário sem remuneração, sem carteira assinada, sem registro. Levantar cedo faça frio ou faça calor. Enfrentar o trabalho rude onde quer que ele estivesse ou que seu pai adotivo determinasse. Antônio Júnior gostava desse movimento e achava mesmo muito melhor do que se tivesse de ir a aulas todos os dias. Rodou a escala profissional. Foi açougueiro muitos anos, nos negócios do pai adotivo. Sempre servil, valente, laborioso.  João e Maria ensinaram os mistérios da vida, da família, da religião e ele aprendeu tudo com total resignação e pleno agradecimento.
João e Maria são proprietários de fazendas, de fábricas. Recursos financeiros surgem de várias fontes. Têm, além disso, a riqueza dos filhos biológicos formados, graduados e bem posicionados na vida social e profissional. São profissionais competentes, de vida autônoma e produtiva. O filho adotivo, Antônio Júnior, não frequentou mais escolas.
Antônio é simples, humilde, e semi-alfabetizado. Agradece a Deus por ter sido acolhido e adotado. Nunca passou pela sua cabeça possuir bens ou de alcançar qualquer posição social elevada. Conseguiu a aposentadoria e está hoje independente financeiramente, com esse salário mínimo que mensalmente cai na sua conta. “Graças a Deus, todos os meus irmãos me consideram como verdadeiro irmão. Isso me faz sempre orgulhoso.”
Nunca deverá ter passado pela sua cabeça a oportunidade de ser incluído no testamento dos pais adotivos, João e Maria, como herdeiro de alguma coisa, na partilha dos bens da família. Se isso acontecesse, teria a certeza de que todos os seus irmãos estariam de acordo. Assim, poderia imaginar. Até mesmo nas eleições, Antônio Júnior chega bem perto de seu pai e secretamente pergunta em quem deve votar. Meus pais adotivos são a força da minha existência.
- O voto é secreto, mas meu pai me comanda. 

domingo, 12 de julho de 2015

PARADIGMA


Até os dogmas caem, como impérios caíram. Paradigmas, do casamento ao divórcio, modelos, normas, regras, convenções, princípios e valores, mais hoje, mais amanhã, estarão quebrados ou substituídos, sem piedade. 



Entre os gregos é o fluxo do pensamento. O pensamento voa. E tudo gira ao redor disso mesmo, ainda hoje, com as variações das próprias tendências do pensamento. Por onde gira o pensamento? E o pensamento tem cadeira giratória cativa ao vento. A cada hora sopra para um lado diferente. E o ser humano tem que se adaptar a isso, no que se diz: quebrar paradigmas o dia inteiro.É duro quebrar um paradigmas. São os moldes adquiridos e confirmados, a serem destronados de um momento para outro, ardentemente admitidos como ideais, devem ser substituídos, em favor da continuidade da vida, da ciência, das relações sociais. É o fluxo do pensamento.A natureza nunca pediu licença a ninguém. A morte de um ente querido provoca imediatamente uma transformação total numa família. Quebram-se todos os paradigmas. Reorganização total. 
A década de sessenta está caracterizada como a que proporcionou a maior violência na quebra de paradigmas sem a menor consideração com os costumes vigentes. A pílula anticoncepcional, por exemplo, trouxe mudanças radicais na vida das mulheres e nas contingências circunstanciais. Paradigma é fluxo de pensamento, padrão, modelo, molde, conceito, referência, limite, exemplo, pressuposto, matriz.Como sair de um círculo de giz que limita, impede ou orienta e define costumes arraigados, aceitos e compartilhados?  Tudo muda. Até os paradigmas devem mudar. Serão criados e substituídos rapidamente. Por quanto tempo vão permanecer? Cada vez serão mais frágeis. O paradigma criado hoje pode desaparecer amanhã. As pesquisas científicas não teriam sentido se não visassem mudanças, alterações, melhoramentos, economia, etc, na busca de soluções para situações, mesmo consideradas aceitas e radicalizadas, como afirma Thomas Kuhn (1922-1996). Buscam quebrar paradigmas. Na linguística, Ferdinand Saussure (1857 – 1913) incorpora paradigmas na semântica das palavras, na relativa interpretação da palavra com a relação com o objeto. Os pressupostas, as crenças, a escala de valores, a técnica, os conceitos compartilhados ou consagrados podem cair por terra, desaparecer ou serem substituídos.
Os estilos da moda, o vestuário em constante alteração, os cortes de cabelo, as tatuagens, o comportamento diário das pessoas, as moradias em apartamentos, os meios de transportes, a tecnologia. Essa mesma tecnologia que cria hábitos e paradigmas tende a quebrar modelos a cada dia. Os usuários estão ávidos por novidades, para jogar o que é velho para o lixo. Não deixa de ser um paradigma que caracteriza uma época. Nada é para sempre. O padrão de continuidade é a constante alteração, a substituição pelo mais novo, mais moderno, mais avançado, chamado de última geração. Existem rupturas de modelos constantemente e não existe apego ou formação de paradigmas. Os tabus caem um a um, dentro da época própria. São verdades incontestáveis que formam o inconsciente dos seres humanos, como uma barreira de cimento que rebate toda ideia contrária, com veemência. Quebrar esses paradigmas é romper laços, normas, regras, modelos configurados na sociedade. E a maneira de pensar, consolidada pelas neuroses e resistências? Essas formas de pensar e agir são modelos vindos desde o leite materno e ficam arraigadas em infinito roteiro de vida. Quebrar esses paradigmas é destruir vidas. As ferramentas precisam ser muito apropriadas para cortes e sofrimento. Geralmente há resquícios que ficam escondidos em cavidades subterrâneas e podem ressurgir pouco a pouco, novamente. Mil medos obstruem o novo, em direção à própria felicidade e à liberdade. Se o amor não fosse tão forte não haveria um casamento, com mudança de paradigma imediata para os noivos, com nova vida em comum, sem limite de tempo.
Se a incompreensão não fosse tão forte, não haveria o divórcio, na quebra de paradigma. E uma pessoa ainda diz: implicam com o meu modo alternativo de ser, meu estilo de vida, acompanhando as modernidades!
Pois é... Quanto mais paradigmas o ser humano criar, mais neurose vai cair sobre a cabeça dele. Regras, normas, conceitos criados e cultivados formam neuroses imbatíveis que um dia serão quebradas. Muitas vezes, uma verdade cristalina não é suficiente para destruir um paradigma. Criado o termômetro interno do “certo e errado”, o ser humano segue seu rumo, sua diretriz. Mas um dia a casa cai. Quanto mais regrinhas e normas de vida, mais neurose. 
Finalmente, as comunidades políticas ou religiosas tendem também em ter seus paradigmas quebrados a cada dia. Ajustamentos e dogmas podem não resistir e serão deletados. E, se políticos, governo e religião não alterarem procedimentos e não mudarem, o cliente, o paciente, o crente muda. Surgem novas formas, novos paradigmas adaptáveis à época, atendendo preferências de correligionários ou fiéis. Quebram-se até os modelos de fidelidade. Até os dogmas caem, como impérios já caíram. Quem não muda desaparece.

domingo, 21 de junho de 2015

HIPNOSE



  Quando se fala em hipnose, algumas pessoas se assustam porque temem que se trata de uma feitiçaria, macumba ou coisa assemelhada.

Quando se fala em hipnose as pessoas se assustam. Alguns temem, pensando que se trata de feitiçaria, de macumba ou de espiritismo. Ainda existe a ideia de que não se deve ser hipnotizado. Existe o medo de se submeter a um transe hipnótico e sofrer consequências desastrosas. Nada disso Qualquer pessoa pode praticar a hipnose ou submeter-se a uma sessão hipnótica.
Todo dia, a toda hora, as pessoas passam por situações que podem ser caracterizadas como de fundo hipnótico. A vida humana que flui no dia a dia traz informações que são imediatamente aceitas ou rejeitadas. Sendo rejeitadas, não haverá a liberação consciente para um transe. A hipnose é bilateral. Trata-se de um processo de comunicação num estado alterado de consciência. Está, pois, disponível para todas as pessoas. Mesmo inconscientemente, as pessoas podem estar hipnotizando ou sendo hipnotizado. Viva a bilateralidade. Todos ficam em transe, dentro das técnicas.


ALGUNS PASSOS DA TÉCNICA DE HIPNOTIZAR

Estabelecer um rapport – iniciar uma conversa informal, num abrandamento de interesses. Mesmo que seja em assuntos não pertinentes. Isso é fundamental, pois a hipnose começa de dentro para fora.
Calibração – manter a mesma posição do sujeito, dentro de suas concepções físicas ou psicológicas. Pontos de vista, argumentação, interesses.
Espelhamento – manter-se na posição igual à do sujeito, no movimento de suas mãos, acompanhamento facial, sorriso, seriedade, modo de se posicionar.
Tom de voz – procurar ter o mesmo tom de voz do sujeito, embora procurando sempre um tom mais baixo e mais lento. Nunca um tom de voz mais alto do que o do sujeito. O tom de voz é responsável pelo sucesso de um trabalho em hipnose.
Monotonia – manter-se calmo, talvez mais calmo do que necessário, pois um movimento brusco pode assustar o sujeito. Caso isso aconteça, haverá dificuldade para novamente criar o clima adequado.
Economia de movimentos – Como no item anterior, movimentar-se lentamente, sem precipitação, pronunciando lentamente as palavras. Movimentos bruscos afasta o sujeito. Assusta-se  e se recolhe.
Dar tempo para respostas – No diálogo, não sentir-se apressado. Ouvir tudo que o sujeito quer dizer, dentro do seu próprio ritmo de fala. Ter paciência de ouvir tudo e compreender tudo. Ficar dentro do assunto do sujeito. A hipnose começa na porta do sujeito e termina nela mesma.
Despertar espontâneo – O sujeito vai chegar no ponto certo na hora certa. Ele tem a sua hora e a sua vez. A pessoa mais importante no mundo, naquele momento é, sem dúvida,  o sujeito.
A negligência do hipnotizador – fato lamentável e evitável totalmente. Caso o sujeito perceba isso, o trabalho da hipnose cai por terra e não terá mais condições de continuidade. Cuidado demais com esse aspecto. Cuidado com o celular. O simples olhar para o relógio de pulso quebra um transe imediatamente, mesmo que não haja verbalização dessa ruptura.
Entrar pela porta do sujeito – A não observância deste item,  seria um estupro psicológico. Não avançar demais nos questionamentos. A porta do cliente deve ser aberta por ele. Somente por ele.   
 

O transe leve é o próprio dia a dia de qualquer pessoa. de uma posição à outra, num momento a outro. Assim, um cliente chega a um guichê para uma atividade qualquer, é atendido por um funcionário que vai perguntar o que o cliente deseja. O funcionário precisa focar a sua atenção nesse cliente ou freguês. Toda a atenção. O funcionário vai responder dando as informações solicitadas, concentradamente. A concentração de ambos está formada. Assim está formado um elo de interesses. Resolvidas as questões pertinentes, o atendente pode pedir ao cliente para sentar-se numa sala ao lado e aguardar alguma informação complementar, por exemplo.  O cliente fica sentado e amarrado por uma linha invisível e não pode se afastar ou sair daquela sala. Pode trocar de cadeira, pegar uma revista, ler um livro, telefonar, brincar com o smartphone, mas não pode ir embora, sem pedir licença ao atendente. Tem que dar uma justificativa, uma explicação convincente para se liberar daquele transe, daquela linha invisível que o amarra. Trata-se, nesse caso de um transe leve. 
Observação – Se o atendente não focar a atenção no cliente, ou mesmo proceder amadorística ou displicentemente, isto vai ocasionar uma reação igual e de sentido contrário. Haverá um transe hipnótico mal estruturado, e uma linha frágil fica exposta a uma desatenção. O cliente pode ir embora sem mesmo dar explicações.

Vendedores
Qualquer que sejam os vendedores e os compradores, em qualquer situação, se não houver um transe bem estruturado, não haverá convencimento e não haverá venda nem compra. Existem vendedores que utilizam de sua técnica de atendimento de forma simples e adequada a cada situação, a cada tipo de cliente, e cada produto.
Como foi dito, o transe vem pela porta do cliente. O vendedor de uma loja tem que identificar, inicialmente,  qual o produto que o freguês tem em seu interesse. Daí pra frente, o transe está em funcionamento. Ele, o freguês, pode sair e pesquisar outras lojas. Quando retorna, o rapport já está feito, o transe continua em funcionamento.

Algumas características
A hipnose é bilateral – Isto significa que um e outro, hipnotizador e hipnotizado têm que estar em perfeito estado de concentração psicológica. Tal fato pressupõe comunhão de interesses e o mundo pode girar, acabar, mas a concentração de ambos acontece normalmente.
Confiança é fundamental – A confiabilidade é básica em qualquer situação hipnótica. Para isso, o rapport deve ser tão longo quanto necessário. Entretanto, há um limite de tempo no rapport.
Não perder a consciência num transe hipnótico – a manutenção do diálogo fortalece esse princípio. O dentista mantém uma conversa simples que seja, com o cliente, afastando-o do medo da dor.
O ambiente não é fator preponderante – Há vários tipos de transe e cada modalidade pode ter o seu lugar certo. Isso pressupõe que o local pode ser bem diversificado, de acordo com o tipo de transe. Um pescador fica em transe na beira de um rio, horas inteiras, completamente concentrado.
Um médico, numa operação cirúrgica, percebeu que parte do teto da sala tinha desabado enquanto ele operava. Depois, assustou-se com o ambiente em que estava.
As palavras são as ferramentas de hipnose. – Cuidado com elas. Procurar as palavras da fácil entendimento, pronunciadas lentamente, em ritmo lento, fazendo-se entender. Evitar duplo sentido na comunicação. Identificar o nível cultural do cliente para fazer-se entender corretamente.
Tipos de transe – Existem transes leves, médios e profundos. Para cada tipo, uma situação diferente. A indução ao transe depende do objetivo.
Atenção concentrada é a base de tudo – Sem concentração, fica difícil o transe de qualquer natureza. As pessoas que não se concentram são as mais difíceis de entrar em transe. As pessoas com o nível intelectual mais elevado são mais susceptíveis de entrar em transe.
O tom de voz – como já foi especificado, o tom de voz e o ritmo da fala são fatores básicos no sucesso da hipnose. Espelhar o cliente.
A hipnose não é estado de sono, como o termo indica, mas fechar os olhos bloqueia o estímulo da visão e facilita a concentração.

Diretrizes de Mílton Erickson
  • As pessoas hipnotizadas podem manter o diálogo.
  • Respeito ao cliente – fazer o que o paciente quiser e não o que o hipnotizador tem em mente.
  • A hipnose é cooperação.
  • A hipnose aumenta a susceptibilidade à sugestão.
  • Entrar pela porta do cliente,
  • Adormecer não é uma necessidade.
  • Observar a hipnose no reino animal – As cobras, os gatos, e o uso da flauta.

Falsos conceitos – a hipnose de circo/ poderes especiais do hipnotizador/ Levar à inconsciência / Renúncia da vontade do hipnotizado / Provocar a debilidade da mente / Conduzir à idiotice / Fazer revelar segredos / Ter medo de não acordar / E se o hipnotizador morrer?
 
Aspectos históricos
  • Frans Mesmer – 1734 – 1815 Uso de pedaço de madeira magnetizada.
  • James Braid – (1870 – 1950) Descobrir a sugestão – fixação  visual
  • James Esdaile –(1808 – 1859) Cirurgião que fez centenas de operações na Índia.
  • Charcot – (1825 – 1893) Sugestão e uma forma de histeria
  • Freud – (1856 – 1939) Estudou mas abandonou o método – 50 anos de atraso.
  • Milton Erickson – (1901 – 1980) revitalizou a hipnose no século XX   
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