domingo, 21 de junho de 2015

HIPNOSE



  Quando se fala em hipnose, algumas pessoas se assustam porque temem que se trata de uma feitiçaria, macumba ou coisa assemelhada.

Quando se fala em hipnose as pessoas se assustam. Alguns temem, pensando que se trata de feitiçaria, de macumba ou de espiritismo. Ainda existe a ideia de que não se deve ser hipnotizado. Existe o medo de se submeter a um transe hipnótico e sofrer consequências desastrosas. Nada disso Qualquer pessoa pode praticar a hipnose ou submeter-se a uma sessão hipnótica.
Todo dia, a toda hora, as pessoas passam por situações que podem ser caracterizadas como de fundo hipnótico. A vida humana que flui no dia a dia traz informações que são imediatamente aceitas ou rejeitadas. Sendo rejeitadas, não haverá a liberação consciente para um transe. A hipnose é bilateral. Trata-se de um processo de comunicação num estado alterado de consciência. Está, pois, disponível para todas as pessoas. Mesmo inconscientemente, as pessoas podem estar hipnotizando ou sendo hipnotizado. Viva a bilateralidade. Todos ficam em transe, dentro das técnicas.


ALGUNS PASSOS DA TÉCNICA DE HIPNOTIZAR

Estabelecer um rapport – iniciar uma conversa informal, num abrandamento de interesses. Mesmo que seja em assuntos não pertinentes. Isso é fundamental, pois a hipnose começa de dentro para fora.
Calibração – manter a mesma posição do sujeito, dentro de suas concepções físicas ou psicológicas. Pontos de vista, argumentação, interesses.
Espelhamento – manter-se na posição igual à do sujeito, no movimento de suas mãos, acompanhamento facial, sorriso, seriedade, modo de se posicionar.
Tom de voz – procurar ter o mesmo tom de voz do sujeito, embora procurando sempre um tom mais baixo e mais lento. Nunca um tom de voz mais alto do que o do sujeito. O tom de voz é responsável pelo sucesso de um trabalho em hipnose.
Monotonia – manter-se calmo, talvez mais calmo do que necessário, pois um movimento brusco pode assustar o sujeito. Caso isso aconteça, haverá dificuldade para novamente criar o clima adequado.
Economia de movimentos – Como no item anterior, movimentar-se lentamente, sem precipitação, pronunciando lentamente as palavras. Movimentos bruscos afasta o sujeito. Assusta-se  e se recolhe.
Dar tempo para respostas – No diálogo, não sentir-se apressado. Ouvir tudo que o sujeito quer dizer, dentro do seu próprio ritmo de fala. Ter paciência de ouvir tudo e compreender tudo. Ficar dentro do assunto do sujeito. A hipnose começa na porta do sujeito e termina nela mesma.
Despertar espontâneo – O sujeito vai chegar no ponto certo na hora certa. Ele tem a sua hora e a sua vez. A pessoa mais importante no mundo, naquele momento é, sem dúvida,  o sujeito.
A negligência do hipnotizador – fato lamentável e evitável totalmente. Caso o sujeito perceba isso, o trabalho da hipnose cai por terra e não terá mais condições de continuidade. Cuidado demais com esse aspecto. Cuidado com o celular. O simples olhar para o relógio de pulso quebra um transe imediatamente, mesmo que não haja verbalização dessa ruptura.
Entrar pela porta do sujeito – A não observância deste item,  seria um estupro psicológico. Não avançar demais nos questionamentos. A porta do cliente deve ser aberta por ele. Somente por ele.   
 

O transe leve é o próprio dia a dia de qualquer pessoa. de uma posição à outra, num momento a outro. Assim, um cliente chega a um guichê para uma atividade qualquer, é atendido por um funcionário que vai perguntar o que o cliente deseja. O funcionário precisa focar a sua atenção nesse cliente ou freguês. Toda a atenção. O funcionário vai responder dando as informações solicitadas, concentradamente. A concentração de ambos está formada. Assim está formado um elo de interesses. Resolvidas as questões pertinentes, o atendente pode pedir ao cliente para sentar-se numa sala ao lado e aguardar alguma informação complementar, por exemplo.  O cliente fica sentado e amarrado por uma linha invisível e não pode se afastar ou sair daquela sala. Pode trocar de cadeira, pegar uma revista, ler um livro, telefonar, brincar com o smartphone, mas não pode ir embora, sem pedir licença ao atendente. Tem que dar uma justificativa, uma explicação convincente para se liberar daquele transe, daquela linha invisível que o amarra. Trata-se, nesse caso de um transe leve. 
Observação – Se o atendente não focar a atenção no cliente, ou mesmo proceder amadorística ou displicentemente, isto vai ocasionar uma reação igual e de sentido contrário. Haverá um transe hipnótico mal estruturado, e uma linha frágil fica exposta a uma desatenção. O cliente pode ir embora sem mesmo dar explicações.

Vendedores
Qualquer que sejam os vendedores e os compradores, em qualquer situação, se não houver um transe bem estruturado, não haverá convencimento e não haverá venda nem compra. Existem vendedores que utilizam de sua técnica de atendimento de forma simples e adequada a cada situação, a cada tipo de cliente, e cada produto.
Como foi dito, o transe vem pela porta do cliente. O vendedor de uma loja tem que identificar, inicialmente,  qual o produto que o freguês tem em seu interesse. Daí pra frente, o transe está em funcionamento. Ele, o freguês, pode sair e pesquisar outras lojas. Quando retorna, o rapport já está feito, o transe continua em funcionamento.

Algumas características
A hipnose é bilateral – Isto significa que um e outro, hipnotizador e hipnotizado têm que estar em perfeito estado de concentração psicológica. Tal fato pressupõe comunhão de interesses e o mundo pode girar, acabar, mas a concentração de ambos acontece normalmente.
Confiança é fundamental – A confiabilidade é básica em qualquer situação hipnótica. Para isso, o rapport deve ser tão longo quanto necessário. Entretanto, há um limite de tempo no rapport.
Não perder a consciência num transe hipnótico – a manutenção do diálogo fortalece esse princípio. O dentista mantém uma conversa simples que seja, com o cliente, afastando-o do medo da dor.
O ambiente não é fator preponderante – Há vários tipos de transe e cada modalidade pode ter o seu lugar certo. Isso pressupõe que o local pode ser bem diversificado, de acordo com o tipo de transe. Um pescador fica em transe na beira de um rio, horas inteiras, completamente concentrado.
Um médico, numa operação cirúrgica, percebeu que parte do teto da sala tinha desabado enquanto ele operava. Depois, assustou-se com o ambiente em que estava.
As palavras são as ferramentas de hipnose. – Cuidado com elas. Procurar as palavras da fácil entendimento, pronunciadas lentamente, em ritmo lento, fazendo-se entender. Evitar duplo sentido na comunicação. Identificar o nível cultural do cliente para fazer-se entender corretamente.
Tipos de transe – Existem transes leves, médios e profundos. Para cada tipo, uma situação diferente. A indução ao transe depende do objetivo.
Atenção concentrada é a base de tudo – Sem concentração, fica difícil o transe de qualquer natureza. As pessoas que não se concentram são as mais difíceis de entrar em transe. As pessoas com o nível intelectual mais elevado são mais susceptíveis de entrar em transe.
O tom de voz – como já foi especificado, o tom de voz e o ritmo da fala são fatores básicos no sucesso da hipnose. Espelhar o cliente.
A hipnose não é estado de sono, como o termo indica, mas fechar os olhos bloqueia o estímulo da visão e facilita a concentração.

Diretrizes de Mílton Erickson
  • As pessoas hipnotizadas podem manter o diálogo.
  • Respeito ao cliente – fazer o que o paciente quiser e não o que o hipnotizador tem em mente.
  • A hipnose é cooperação.
  • A hipnose aumenta a susceptibilidade à sugestão.
  • Entrar pela porta do cliente,
  • Adormecer não é uma necessidade.
  • Observar a hipnose no reino animal – As cobras, os gatos, e o uso da flauta.

Falsos conceitos – a hipnose de circo/ poderes especiais do hipnotizador/ Levar à inconsciência / Renúncia da vontade do hipnotizado / Provocar a debilidade da mente / Conduzir à idiotice / Fazer revelar segredos / Ter medo de não acordar / E se o hipnotizador morrer?
 
Aspectos históricos
  • Frans Mesmer – 1734 – 1815 Uso de pedaço de madeira magnetizada.
  • James Braid – (1870 – 1950) Descobrir a sugestão – fixação  visual
  • James Esdaile –(1808 – 1859) Cirurgião que fez centenas de operações na Índia.
  • Charcot – (1825 – 1893) Sugestão e uma forma de histeria
  • Freud – (1856 – 1939) Estudou mas abandonou o método – 50 anos de atraso.
  • Milton Erickson – (1901 – 1980) revitalizou a hipnose no século XX   

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