quarta-feira, 3 de maio de 2017

AS BURGUESAS - SÉRIE DE SONETOS

Soneto – velho formato do gênero lírico, tem suas palavras enjauladas. Não basta ser poeta. Tem que ser, antes de tudo, um artífice.

 

Estrutura rígida, desde Petrarca e Dante Alighieri. Sintético e objetivo. Sem enrolação. Nele cabem a paixão e o amor. Agora vem o humor e o rancor. As palavras foram feitas para rir ou para chorar. Soneto causa efeito retardado. Pensar e meditar.




A RAINHA

Dois cavalos brancos são atrelados
À rica carruagem da rainha.
No traslado tanta elegância tinha
Para, em pompas, solenes perfilados.

Num momento, um cavalo solta um gás,
O que fez a rainha enrubescer
Fato que não podia acontecer
E desgosto o acontecimento traz.

Logo, ao convidado a rainha vem,
Neste momento, desculpas pedir,
E com o leque o nariz tapa também.

E o convidado vem pronto acudir:
-Majestade! Pois fica tudo bem!
Julguei que fosse o cavalo, ao partir.




A CONDESSA

A condessa ficou compadecida
Quando ela viu da sua alta janela
De sua mansão, muito rica e bela,
Um pobre homem em fome desvairada.

Esse homem comia grama na praça
Com imenso furor dessa fome vinha
A grama seca que na praça tinha
Tanto comia!!! Era tudo de graça.

E a condessa ordenou ao sentinela
Que abrisse os portões e deixasse assim
Que esse homem entrasse, que a vida bela.

E tendo o coração em paz, enfim,
Sugeriu com voz suave e singela:
- Há grama mais verde no meu jardim. 









4 comentários:

  1. Dei boas gargalhadas. excelente

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  2. muito divertido seus sonetos... a burguesia além de oprimir tem seus atos falhos. rsrsrs

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