CARLOS CHAGAS



DOUTOR CARLOS CHAGAS

O trabalho realizado pelo Doutor Carlos Chagas fez dele o primeiro e único cientista, até os dias atuais da história da medicina, que descreveu completamente uma nova doença infecciosa, a anatomia patológica, o meio de transmissão, a etiologia, formas clínicas e sua epidemiologia.- Doença de Chagas, eis seu nome. Doença do meio rural pobre, sem recursos para tratamento.

                           
Carlos Justiniano Ribeiro Chagas, (1878 – 1934),  Médico sanitarista, cientista, bacteriologista – clínico e pesquisador. 
Mineiro, nascido em Oliveira (MG), na fazenda Bom Retiro, pertencente a seus pais e ancestrais, originários de Portugal. Ficou órfão de pai aos 4 anos de idade, juntamente com seus irmãos menores. Sua mãe administrou a fazenda o quanto pôde e, depois, transferiu-se para outra fazenda, Boa Vista, próxima de Juiz de Fora.
Como médico, dedicou sua vida à saúde pública, inicialmente, no combate à malária e, posteriormente,  tornou-se o descobridor do protozoário Trypanossoma Cruzi (Cruzi, em homenagem a Oswaldo Cruz) e a Trypanossomiase americana, que hoje é chamada de DOENÇA DE CHAGAS.
Carlos Chagas foi o primeiro e, até os dias atuais permanece o único cientista na história da medicina, a descrever completamente uma doença infecciosa, o protógeno, o vetor, Triatomíase, os hospedeiros, as manifestações clínicas e a epidemiologia.
Por tantos trabalhos executados na saúde publica, foi laureado por entidade científicas do mundo inteiro, principalmente como Doutor Honoris Causa da Universidade de Harvard e da Universidade de Paris. Seu conceito profissional estava consignado em todas as reuniões científicas e foi convidado a centenas dessas reuniões na área da medicina tropical.
Em continuidade, dedicou-se às pesquisas em leptospirose e doenças venéreas.
Foi o segundo diretor do Instituto Oswaldo Cruz.
Aos 18 anos entrou para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, hoje, UFRJ, onde graduou-se no ano de 1902, tendo defendido a tese obrigatória na época, sob o título ESTUDO HEMATOLÓGICO DO IMPALUDISMO.
Grandes dificuldades foram empecilho para a sua chegada à faculdade de medicina. Aos 8 anos, já alfabetizado, foi matriculado no internato do colégio São Luís, dos jesuítas, na cidade de Itu (SP), de onde fugiu, para encontro de sua mãe, no ano de 1888, tendo em vista a notícia da revolta de escravos, depredando as suas propriedades. Esteve depois na Escola de Minas de Ouro Preto, atendendo desejo de sua mãe, querendo fazer dele um engenheiro. Não teve interesse nos estudos e entrou na vida boêmia, e, adoecendo nesse período, teve que retornar a casa. Nesse período de convalescência, teve a influência direta de seu tio doutor Carlos, médico. Decidiu então transferir-se para São Paulo, onde terminou ou estudos básicos para entrar para a Faculdade de Medicina.
Durante o curso, manteve contatos profissionais com dois professores, doutor Miguel Couto e doutor Francisco Fajardo, em função do seu interesse por doenças tropicais.
Ao terminar o curso, ingressou o Instituto Soroterápico Federal da Fazenda de Manguinhos (RJ), mediante carta do professor Miguel Couto.
Em 1908, esse instituto foi transformado no Instituo Oswaldo Cruz, quando apresentou uma tese sobre o ciclo evolutivo da malária na corrente sanguínea. Por este trabalho, foi convidado a ingressar como médico desse Instituto, o que ele recusou, nessa oportunidade, preferindo trabalhar no Hospital Jurujuba de Niterói.
Posteriormente, foi recrutado pelo doutor Oswaldo Cruz para conter um surto de malária que estava ocorrendo em Itatinga (SP), entre moradores e operários da Companhia Docas de Santos, com paralisação das obras de uma represa. Seu trabalho foi de dedicação total e conseguiu saneamento da região, eliminando focos de mosquitos infectados.
Em 1907, retornando dessa missão, foi admitido como médico do Instituto Oswaldo Cruz e assumiu outra missão de imediato: combate à malária na região de Lassance (MG) quando da construção da linha de trem da Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB). Por dois anos esteve alojado num vagão de trem, montando laboratório e um consultório para atendimento aos doentes. Captou, classificou e estudou hábitos dos anofelinos, mosquitos transmissores da doença e examinou sangue de animais da região, a fim de identificar efeitos no sangue desses animais. Em 1909, identificou no sangue da menina Berenice, de três anos, a contaminação com o tripanossoma. Antes, tinha verificado num  sagui a existência de protozoário, ao qual deu o nome de “Trypanosoma Minasensis”.
Em seguida, um engenheiro da EFCB alertou-o sobre a infestação de um inseto hematófago, existente nas residências rurais, choupanas, da espécie triatoma infectans, conhecido como “barbeiro”. Assim chamado na região porque suga o sangue das pessoas nas residências à noite, atacando principalmente o rosto. Doutor Chagas levou algumas dessas espécies ao laboratório e percebeu que nos seus intestinos havia outros trypanosoma minasensis, já numa fase evoluída.
Enviou alguns desses insetos “barbeiros” ao Instituto Oswaldo Cruz e pediu que fossem alimentados com os saguis. Um mês depois, verificou-se que no sangue dos saguis havia a presença de tripanossoma e que era uma doença proveniente de outro parasita, chamado “Trypanosoma Cruzi” – denominação em homenagem a Oswaldo Cruz.
Na luta, o inimigo foi identificado. Outras batalhas se seguiram.

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