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quinta-feira, 6 de junho de 2013

SEMIÓTICA III - GESTOS E POSTURAS

Gestos são símbolos de idioma universal, decodificados e lidos até por analfabetos de qualquer nacionalidade.  Um sorriso, uma reverência, um movimento com as mãos transbordam do inconsciente e abrem um diálogo franco e sincero.

Na gramática universal está o código de que um simples movimento vertical da cabeça significa aprovação, aceitação, concordância. E se esse movimento for de forma horizontal, estará representando discordância, negação, restrição. Tudo configura “aliquid pro aliquo”, isto é, uma coisa por outra. Uma coisa traduzida por outra. Assim, quando as palavras são pronunciadas os gestos confirmam ou negam.
Os gestos surgem do fundo da caixa preta das reservas emocionais. E eles não mentem. As palavras podem mentir. Os gestos são incorruptíveis, por menores que sejam. Assim, as expressões faciais, o movimento dos olhos e das mãos são os instrumentos que falam as verdades do coração e da mente. Os códigos são construídos pela cultura de cada povo, mas mesmo assim, podem ser lidos em qualquer idioma.
Alguns povos utilizam mais os gestos para emitir mensagens do que outros. A leitura dos gestos pode ficar mais difícil mas, mesmo assim, impossível deixar de expressar emoções e sentimentos.
A força de um gesto pode expressar carinho ou agressão. Um jogador de futebol fez um gesto para o público com o braço direito levantado e a mão fechada, em forma de agressão. Esse gesto foi transmitido pela televisão, atingindo não somente o público alvo do estádio, mas os telespectadores de modo geral. O árbitro da partida registrou a agressão na súmula do jogo e o autor desse gesto foi devidamente punido. Um gesto traduziu uma bofetada.
Os artistas de teatro não mentem em seus gestos. E eles utilizam da gesticulação para reforço constante de suas palavras.
E as mãos? As mãos são forte instrumento de comunicação. Mais que as palavras? As mensagens dos gestos com as mãos são incomensuráveis e ficam na linha da cintura. Podem pedir silêncio, pedir para a pessoa levantar, aproximar ou afastar, mostrar o número com os dedos e centenas de outras informações que as mãos podem emitir com o seu vocabulário. As mãos falam silenciosamente.
E os olhos? Os olhos também emitem sinais comunicativos. O movimento dos olhos para cima significa a busca de informação. O movimento para a direita superior busca memória recordada. Se eles vão para a esquerda estão buscando memória construída, por isso, tendem para uma possível informação falsa. Quando os olhos se dirigem para baixo, traduzem tristeza, abatimento, dor, sofrimento. A pessoa triste nunca olha para cima.
E as expressões faciais? O rosto tem centenas de formas expressivas que são lidas e decodificadas de forma imediata. Tristeza, alegria, satisfação, surpresa, dor, depressão, amargura, espanto, etc, são estampadas claramente. São lidas e interpretadas. Como são essas expressões? Não existem códigos explícitos mas qualquer ser humano exprime no rosto os seus sentimentos e suas emoções.    

POSTURAS

A elegância não é privilégio apenas dos nobres. Qualquer pessoa transporta diariamente o seu porte humano, próprio, iluminado e inconfundível em todos os lugares que se apresentar. Do rei ao mendigo. Todos refletem por fora o que são por dentro. Quando as aparências por fora estiverem demonstradas, a leitura imediata é feita e definida. Há julgamento com possível absolvição ou condenação. Verdade? O corpo fala.
A percepção é total e imediata. Não há necessidade de aproximação para  que seja feito um pré-julgamento. Claro que os detalhes são elementos básicos para leitura rápida. O leitor percebe tudo e faz, de imediato, o seu julgamento.  
As vestimentas falam. O penteado dos cabelos, os adornos dos mais variados tipos, desde as argolas no nariz ou o alargamentos do beiço inferior, os brincos, os colares, as tatuagens.
Que dirão esses complementos pessoais? Por que as pessoas usam desses objetos para refletir uma imagem especial? Tudo fala. Depende também dos leitores. Cada leitor pode ler significados diferentes para o mesmo enfeite. Todos são enfeites? Pelo menos é isso que deve pensar o usuário. Ele tem a intenção de causar algum impacto. As mulheres têm muita preocupação com esses detalhes ornamentais e não vivem sem eles. A moda vigente determina usos de época, para consumo diário. O acompanhamento das normas e dos preceitos diminui os impactos de comunicação diferenciada. Estar fora de moda é um fato que constrange.
Os homens acompanham os modismos e tendem a utilizar recursos ornamentais de impacto. Em algumas regiões é imposto o uso de barba. Em outras o uso de barba pode ter outra significação. Todos esses argumentos falam diretamente ao público e representam alguma coisa. Que seria essa coisa? Que querem transmitir? Cada cultura valoriza ou reprova procedimentos ornamentais do homem ou da mulher. Cada cultura com seu uso. Entretanto sabem os usuários que estão utilizando esses recursos para serem lidos e interpretados por outras pessoas. São “aliquid pro aliquo” – uma coisa representando outra. Cada qual se expressa como deseja se expressar, mas cada leitor lê da forma que a sua cultura preceitua.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

O DOMÍNIO DA SEMIÓTICA


A natureza fala! – Grande descoberta!
Se os seres humanos falam, escrevem e se comunicam, por que os animais, os vegetais e os minerais têm que ficar calados? 



A Semiótica veio como salvadora universal, com abrangência ilimitada, procurando ouvir a fala da natureza, pois ela também pode falar.
A sintonia da Semiótica pode retroceder a Platão ou Santo Agostinho, mas somente no século XX é que pôde assumir o status de ciência propriamente dita, na investigação, na experimentação e na formulação de métodos de estudo e desenvolvimento.  Descobriu-se a Semiótica. Ela surgiu do estudo dos signos – na percepção dos fenômenos, na ocorrência e nas interpretações – respondendo mediante ícones, símbolos e índices (indícios).


A Semiótica vem de uma palavra grega – “semion” – que significa signo, sintoma. Assim, semiologia é o estudo dos signos e, posteriormente, - semiótica, que significa a ótica dos signos. Tomou por objeto o estudo dos signos e seus significados a serem decodificados, traduzidos. Assim, a palavra “cavalo” é apenas uma palavra que vem representar um animal. Não é um animal. É uma palavra. Ainda, se forem acrescentadas mais algumas outras – “cavalo branco correndo no campo” – são outros signos que vão proporcionar uma decodificação mais abrangente, sem ser um campo, sem ser cavalo, sem ser da cor branca e nem do fato de estar correndo. São representações da linguística, isto é, do estudo da língua falada ou escrita num determinado idioma. A Semiótica veio e assumiu essa linguística, tornando-a uma de suas filiadas, apenas. Portanto, a linguística tornou-se uma das vertentes da Semiótica.


A Semiótica tornou-se a dominadora de todo o campo da comunicação, de modo integral e avassalador. Assim, um trovão e uma nuvem podem ser indícios de fenômenos e, como indícios, podem ser decodificados. Também, além da fala e da escrita, a gesticulação, o sorriso, as expressões faciais, um gemido, as vestimentas, o corte dos cabelos, as tatuagens, as fotografias, a pintura, a televisão, o cinema, o livro, a ferrugem de um cano, a febre, a radiografia, os exames laboratoriais, os jogos de todas as categorias, uma fruta que amadurece, uma planta que floresce, uma árvore que seca, um muro que cai, etc, etc, são signos – representações, indícios para serem decodificados e interpretados.
Somente no século XX houve o despertar do interesse imediato por esses gritos expressionais, disponíveis como sempre estiveram, sem que alguém pudesse realmente ouvi-los, estudá-los e aproveitar das vantagens de cada um deles especificamente. Eles estavam no mundo para serem catalogados e decodificados. Surgiu a Semiótica como uma ciência que tem por objeto a investigação de todos os fenômenos que produzem significado, portanto, a comunicação, com abrangência de trezentos e sessenta graus de amplitude. Não é exagero. Este é o vasto campo da comunicação.
Os fenômenos, sejam eles quais forem, uma nesga de luz, um rugido de leão, o canto de um pássaro, um relatório, um laudo pericial, um boletim de ocorrência, um soneto, um tiro, um traque, um sino que bate, uma música, um cheiro da flor de jabuticaba, o sabor da goiabada cascão, todos esses fenômenos e tantos outros estão envoltos em significados, portanto, são signos que poderão ser decodificados, interpretados para conclusão adequada, com as consequências pertinentes.         

Ferdinand Saussure – (1857 – 1913) – um suíço que iniciou a investigação no campo da linguística, mediante a Semiologia, portanto, é considerado um dos principais pesquisadores desse tema. O motivo fundamental se baseia no significante e no significado, como condições iniciais, com o estudo dos signos representativos: aliquid pro aliquo – isto é, a representação disto significando aquilo. Uma coisa representa outra. Assim, um gesto com o braço é apenas um movimento de braço, mas pode ter outra significação, até mesmo agressiva ou desastrosa. Uma coisa representando outra. E assim, as representações se sucedem no mundo, vasto mundo. Um sinal de trânsito, uma figura feminina na placa na porta de toalete pública, o apito do guarda, as businas dos carros, um aroma, um sabor, a textura de um tecido, qualquer sinal sonoro ou visual são uma representação de outra coisa que precisa ser interpretada. Assim, a Semiose – do termo “semion” – sintoma. Sintoma na medicina não é uma doença, mas é um indício, um signo.
A palavra escrita é um signo para alfabetizados. Portanto, quem não puder decodificar, perde a chance do conhecimento. Os ingredientes dos temperos caseiros devem ser identificados pelo cheiro, pelo sabor e também pelo rótulo. Também os venenos, formicida. As armas de fogo e suas consequências e utilidades. Claro que as palavras faladas são decodificadas com mais facilidade do que uma sinfonia, mas uma música popular cantada tem poder de entendimento. De outra forma, um desenho. uma caricatura, uma pintura possuem emoções próprias, transmitidas mas não verbalizadas.

Charles Sanders Peirce – USA – (1839 – 1913) – Deu grande impulso à Semiótica, ainda adaptando o termo Semiologia para Semiótica. Disse que 25 séculos de cultura ocidental foram necessários para o mundo ler e interpretar a natureza como linguagem. E classificou os signos: ícones, símbolos e índices (indícios). Ícones: estátuas, monumentos, pontos geográficos, pintura, fotos, objetos; Símbolos: bandeiras, hinos, etc.; Índices: motivos subjetivos, experiência cultural, (movimento de nuvens prenunciam chuva), exames laboratoriais, etc.
Qualquer fenômeno da natureza pode ser enquadrado num desses signos, possíveis de interpretação, como se referiu em teoria

  • primeiridade: a percepção, a identificação; 
  • secundidade: a ocorrência do fenômeno; 
  • terceiridade: as consequências, a interpretação e a projeção.
Finalmente, a Semiótica é o estudo dos signos, disponíveis na natureza, prontos para serem decodificados e interpretados adequadamente. Cada vez mais o campo da Semiótica - campo abrangente e não delimitado - encontra-se disponível para todos os seres humanos e deve ser desenvolvido com estudos e pesquisas. Tal procedimento pode evitar que se comprem gatos por lebres ou que se queira vender uma coisa pela outra, mal decodificada.  Abrange e domina o poder integral da comunicação.        
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